ArtigosProf. Paulo Fernando

A incomparável Deputada Sandra Cavalcanti

Sandra Martins Cavalcanti de Albuquerque, nasceu em Belém do Pará (PA), no dia 30 de agosto de 1927. Filha de Djalma Cavalcanti de Albuquerque e de Conceição Martins Cavalcanti de Albuquerque; os “Cavalcanti”, tradicional família pernambucana.

Estudou na Escola Alemã, no Rio de Janeiro (RJ), e no Colégio Santa Maria, de Belo Horizonte (MG). Ingressou na Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro (RJ), onde se licenciou em letras clássicas.

Pós-Graduada em Língua Portuguesa, em Filologia e em Linguística. Foi ligada à Ação Católica, grupo de inspiração cristã-democrata, de orientação italiana.

Lecionou língua portuguesa e literatura no Instituto de Educação, escola responsável pela formação das professoras de primeiro grau da rede pública do Rio de Janeiro (RJ). Em 1953, por indicação do professor Alceu Amoroso Lima, ganhou bolsa de estudo para fazer pós-graduação em filologia e linguística em Paris.
Em outubro de 1954, foi eleita vereadora no Distrito Federal (DF), na legenda da União Democrática Nacional (UDN), cumprindo o mandato de quatro anos. Na Câmara Municipal, foi autora de um substitutivo à Lei de Diretrizes e Bases, apresentada pelo seu líder deputado federal udenista o fenomenal Carlos Lacerda.

Deixou a Câmara do Distrito Federal em 1959 e, em 1960, elegeu-se deputada estadual, pela UDN, no estado da Guanabara. Assumiu o mandato nesse mesmo ano e, em 1961, foi indicada pelo presidente Jânio Quadros (1961) para chefiar a delegação do Brasil ao Congresso de Educação Primária, realizado em Genebra, na Suíça, onde apresentou tese sobre educação à distância.

Como deputada udenista, era porta-voz do Governador Carlos Lacerda, que havia sido eleito governador (1960-1965) e se tornara líder de um dos mais importantes grupos opositores do presidente esquerdista João Goulart.
Em outubro de 1964, Sandra Cavalcanti ocupou a Secretaria de Serviços Sociais da Guanabara removendo inúmeras favelas para conjuntos habitacionais. Favorável ao movimento político-militar de 31 de março de 1964, foi nomeada, presidente do Banco Nacional da Habitação (BNH), por indicação do presidente da República, general Humberto de Alencar Castelo Branco. O programa habitacional do BNH, criado naquela ocasião, teve início no Rio de Janeiro, onde cerca de 30 mil pessoas se inscreveram.

Foi filiada à Aliança Renovadora Nacional (Arena). Em 1974 elegeu-se deputada estadual, a mais votada do partido, à Assembleia Constituinte Estadual na nova unidade da Federação.
Em 1978 foi derrotada pelo líder do MDB Nélson Carneiro por pequena margem na eleição biônica ao Senado Federal.

Na década de 1980, usou amplamente os meios de comunicação de massa, em programas populares de televisão e de rádio e mantendo uma coluna assinada no jornal Última Hora, do Rio de Janeiro, defendendo a tese de uma nova Assembleia Nacional Constituinte.

Fundou o PDR – Partido Democrático Republicano conseguindo o registro provisório, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que os partidos com o registro provisório não poderiam disputar eleições naquele ano, migrando para o PTB onde disputou a eleição direta para Governador do RJ ficando em quarto lugar.

Foi eleita deputada federal constituinte pelo PFL sendo a segunda mais votada do estado, perfazendo um total de 137.595 votos, ocupando o cargo de vice-líder de seu partido na Câmara dos Deputados.

Foi uma parlamentar atuante defendendo a livre iniciativa e a não ingerência do Estado criticando o uso de decretos-leis. Também criticou a ampliação de impostos e a aplicação de empréstimos compulsórios, sem o prévio debate no Congresso Nacional.

Líder da bancada católica votou contra a aplicação da pena de morte, a legalização do aborto e a limitação do direito de propriedade privada. Foi favorável à estabilidade no emprego, à remuneração 50% superior para o trabalho extra e apoiou o mandato de cinco anos para o presidente José Sarney.

Na política do Rio, destacou-se como uma antibrizolista ferrenha e defensora maior do “Lacerdismo”; e foi a mais destacada defensora da instalação do parlamentarismo.

Candidata à reeleição em outubro de 1990, na legenda pefelista, Sandra Cavalcanti foi eleita com 60 mil votos, metade da votação anterior, mas ainda assim, a maior de seu partido.

Em 1992 apoiou à abertura de um processo de impeachment contra o presidente Fernando Collor, e apoiou a campanha vitoriosa de César Maia, candidato do PMDB à prefeitura do Rio.

Em 1993 participou ativamente da campanha a favor do parlamentarismo para o plebiscito sobre o sistema de governo.

Filiou-se ao Partido Progressista Reformador (PPR), resultado da fusão do PDS com o PDC. Ocupou a presidência da Comissão de Transportes da Câmara, conseguiu a aprovação da chamada Lei dos Portos, responsável pela reformulação e privatização dos portos brasileiros.

Em 1995 assumiu a Secretaria Extraordinária de Projetos Especiais da Prefeitura do Rio de Janeiro, cujo titular era César Maia, tornando-se membro do Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico e Social.

Foi também indicada pelo prefeito para representar o município no Conselho Portuário, visando à ampliação do porto de Sepetiba no estado do Rio de Janeiro.

Na gestão de Luís Paulo Conde na Prefeitura do Rio coordenou a visita do papa João Paulo II à cidade no mês de outubro daquele ano.

Foi diretora de um Jornal na TV Tupi, com participação consagrada no “Programa de TV Flávio Cavalcanti”.

Participou dos Conselhos Administrativos dos grupos Lasa S.A., Cruzeiro do Sul, Carvalho Hosken S.A e membro ativa do grupo católico Centro Dom Vital.

Ao longo de sua extensa vida pública, assinou mais de dois mil artigos para jornais e revistas e publicou três livros: Rio, viver ou morrer (1978), Política nossa de cada dia (1982) e Os arquivos de Deus (1996).

Aos 91 anos a renomada professora reside na Cidade Maravilhosa sem herdeiros, mas deixou um grande legado de dedicação à educação, ao Rio de Janeiro e ao Brasil.

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Um Comentário

  1. Somos a Tribuna Sepetibana, jornal de baixa tiragem que circula em Sepetiba há sete anos.
    Como posso enviar os exemplares para a Professora. A Professora Sandra possui um total conhecimento da região, que hoje é chamada sem critério algum, de Zona Oeste. Agradeço desde já o esforço. Miguel.

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