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A necessidade de libertar a arte da escravidão da política

Filipe Martins
 


O Assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, postou hoje (18/1), no perfil dele no Twitter, uma proposta para libertar as artes do domínio do estado.

De acordo com ele, o estado não pode suprir a demanda cultural que brota natural, imprevisível e espontânea da sociedade, e ainda submete a arte a critérios panfletários, sejam de esquerda ou direita.

Confira abaixo a proposta

No Brasil, o Estado é o vendedor e comprador quase exclusivo de tudo o que se produz, ou ao menos o principal sócio dos grandes empreendimentos, inclusive no âmbito da Cultura, onde abundam programas de fomento, não das formas artísticas, mas de certos temas e conteúdos.

Para mudar isso, sobretudo em um país patrimonialista como o Brasil, é necessário desmontar o aparato criado para aparelhar a cultura e para torná-la dependente do Estado e oferecer os meios para que a sociedade floresça e tenha iniciativa própria na esfera cultural.

Sem iniciativa própria e independente, a cultura frequentemente deixa de ser a expressão do belo, do verdadeiro e de princípios perenes capazes de transcender a política do dia para se converter em propaganda a serviço do establishment (pouco importando quem esteja no governo).

É por isso que, no Brasil da Nova República, a cultura é tão monotemática, revisitando eternamente o mito fundador da “luta contra a ditadura“, desconstruindo nossas grandes figuras históricas e promovendo permanentemente a lumpemproletarização da sociedade.

É por isso também que nosso país viu suas formas populares de arte decaírem tanto, a ponto de se tornarem quase que apenas uma manifestação antropológica do sentimento geral de desordem em uma sociedade sem concepções sobre seu lugar no cosmos ou sobre o sentido da vida.

Afinal, tanto os temas quanto os conteúdos do que se chama de arte, hoje no Brasil, são um mero espelho da agenda política mais rasteira do nosso establishment; do esquema de poder que se estabeleceu com a ascensão da esquerda de métodos gramscianos e ideais marcuseanos.

Para escapar desse circuito demoníaco, não se deve apostar no Estado e não se pode depositar toda a responsabilidade sobre o mercado. Antes é necessário formar uma sociedade saudável, pujante e educada, capaz de formar uma cultura poderosa o suficiente para limitar o Estado.

Nós não precisamos de uma cultura do Estado brasileiro; nós precisamos de uma cultura do povo brasileiro, com toda a sua riqueza e com todas as suas nuances, com total liberdade para as expressões das personalidades individuais e com grande respeito pelas nossas tradições.

E esse resultado não será obtido através de uma secretaria, que é e sempre será o instrumento dócil do mesmo establishment que devastou nossa cultura — esse resultado só se obterá através de um povo livre e bem equipado para dar a expressão mais elevada possível à sua experiência.

Sobre o Colunista

Ricardo Roveran

Ricardo Roveran

Estudante de artes, filosofia e ciências. Jornalista, crítico de arte e escritor. Escrevo por amor e nas horas vagas salvo o mundo.

Twitter: @RicardoRoveran

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