Luis VilarNotícias

Ainda que dito por eles, você é que é o conspirador…não é mesmo?

Aos que acham que a “revolução cultural” é apenas um discurso de direita, eu indico a literatura produzida pela esquerda nesse país e que ganhou – cada qual em sua época – o relevante destaque nos meios culturais, incluindo a imprensa.

Indico ainda, fora do cenário brasileiro, o famoso panfleto de Henri Lefebvre para explicar o marxismo. O título é Marxismo: Uma Breve Introdução.

Nele, Lefebvre trata o projeto de revolução para a desconstrução da chamada “democracia burguesa” como um método de corpo doutrinário que pode ser flexível, em função do objetivo a ser alcançado, já que o marxismo não se apresenta como algo fechado, podendo ser revisionado, como feito na Escola de Frankfurt com Adorno e outros.

No Brasil, que se leia Carlos Nelson Coutinho e sua obra O Leitor de Gramsci em que se acentua as principais escritas do pensador italiano sobre como subverter um sistema por dentro para implantar valores à esquerda, sem que a esquerda precise dizer seu nome.

Coutinho foi um dos principais marxistas brasileiros, tendo atuação destacada, unindo a reflexão teórica à prática.

Fez o mesmo quando analisou Marcel Proust e Franz Kafka pela óptica de Lukács. Há ainda uma obra (minha edição é de 2008) que leva o título Contra a Corrente: Ensaios sobre a democracia e o socialismo.

Estou citando apenas um dos exemplos que serviram de base para a configuração do espectro político que temos hoje, que sempre foi um estamento, como registra Raimundo Faoro, em Os Donos do Poder.

A diferença é que o estamento burocrático alinhou-se a uma bolha ideológica à esquerda antes mesmo do PT chegar ao poder, haja vista as posições da maioria dos meios culturais, onde qualquer discurso que saia da cartilha já é tomado como “fascismo”.

É óbvio que não se emprega mais o termo comunismo pela definição dicionarística da tomada dos meios de produção. Atualmente, o que temos é um globalismo que tenta implantar agendas ideológicas por meio de mecanismos internacionais, como ocorre com a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas.

Assim, se coletiviza grupos em torno de uma ideologia. E o que é a ideologia? Nada mais que um conjunto de ideias travestidas para esconder um fim político.

Todo o imaginário coletivo brasileiro foi construído a partir de uma intelectualidade orgânica que professa tal fé, dos mais antigo – como Florestan Fernandes (que fez até prefácio de elogio às ideias de Lênin, em O Estado e A Revolução – aos mais modernos, feito Marilena Chauí.

É só lê-los. Neste texto, estou apenas citando os esquerdistas que li.

Saindo do Brasil e indo à raízes mais distantes, estudem com calma O Catecismo Revolucionário de Sergei Netchaev. O ponto 13 (que coincidência, não?!) diz o seguinte:

“O revolucionário entra no mundo do Estado, das classes privilegiadas, da chamada civilização, e ele vive nesse mundo somente com o propósito de precipitar sua rápida e total destruição. Ele não é um revolucionário se tem qualquer simpatia por este mundo. Ele não deveria hesitar em destruir qualquer posição, qualquer lugar, ou qualquer homem neste mundo. Ele deve detestar tudo e todos nele com um ódio igual. Tanto pior para ele se tem qualquer relação com pais, amigos ou pessoas amadas; ele já não é um revolucionário se vacila em função dessas relações”.

Claro, os contextos são outros. Mas percebam que, dentro do globalismo, a estratégia é a mesma. Afinal, onde estão os engenheiros-sociais? Ora, no topo, com seus artistas, intelectuais, classe falante e toda aquela parcela de voz definida por Ortega y Gassett em A Rebelião das Massas.

Tal ambiente ao que estamos expostos nos leva a lembrar do conceito de intelligentsia, oriundo da União Soviética, que é um grupo ou categoria de pessoas envolvidas em um complexo trabalho intelectual-criativo para o desenvolvimento e o disseminar de uma ideologia por meio da cultura.

Hebert Marcuse e tantos outros fizeram isso, ora bolas. Quem duvida (cito aqui o primeiro autor conservador deste texto) leia Roger Scruton com “Tolos, Fraudes e Militantes” e “Pensadores da Nova Esquerda”.

O escritor brasileiro Jorge Amado – que foi filiado ao PCB – tem uma ótima entrevista em que ressalta: “Nenhum escritor, naquele momento, naquela ocasião, era um escritor que não tivesse engajamento. Em toda primeira parte de minha obra, traz um discurso político que é uma excrescência. Nós eramos stalinistas, terrivelmente stalinistas (…) Quer dizer: o partido me utilizou e a partir desse momento, em realidade o que o partido fez foi, sem querer, provavelmente, a tentativa de acabar com o escritor Jorge Amado, para ter o militante Jorge Amado”.

Encontrar isso em “especialistas” atuais que usam de suas posições estratégicas para defender uma ideologia e um partido não é novidade. Na reação em cadeia, temos os Saders, Boffs e as Tiburis da vida. Como diria a recente série do Netflix, “é o Mecanismo”.

Mas, na cabeça de alguns, nada disso existe. Nada disso deve ser compreendido lembrando de Foro de São Paulo e outras mazelas. Afinal, mesmo tudo estando dito por eles, nós somos conspiracionistas de direita e tudo mais são meras coincidências, ainda que o tal Foro de São Paulo registre em ata…

É uma beleza!

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Um Comentário

  1. Mais um ótimo texto com referências textuais e históricas, corroborando com as idéias revolucionárias mundiais e toda a influências domésticas, do caos que se tornou nossa cultura depois de tanta infiltração, sobre tudo pela mudança através dos tempos do modus operandi, alcançando exito por décadas. Será que hoje em dia há tantos intelectuais progressistas que irão basear essa grande horda de desocupados e criminosos do calibre de Adélio no futuro?

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