Avião de cocaína capturado no Paraguai pode ter ligações com ministro de Evo Morales

Juan Ramon Quintana


Na sexta-feira (17/5), um avião carregando 302 quilos de cocaína foi capturado pela polícia paraguaia em um assentamento rural de Hugua Guazú, distrito da cidade General Elizardo Aquino, em San Pedro, no Paraguai.

O SENAD, órgão paraguaio que coordena a política de combate ao narcotráfico no país, deu início às atividades da operação “Espada” pela manhã com o objetivo de acabar com uma quadrilha de narcotraficantes que operava em San Pedro.

A investigação do SENAD que teve início em março, teve acompanhamento promotor Lorena Ledesma, e permitiu identificar o modus operandi da quadrilha e seus membros.

A quadrilha recebia cocaína da Bolívia no Paraguai e enviava em seguida para o Brasil. O avião foi interceptado pela polícia numa pista clandestina do assentamento rural. Quando os criminosos perceberam a presença das autoridades, houve troca de tiros e 12 elementos foram presos.

Entre os detidos, 7 eram policiais e 5 civis.

Os 7 policiais detidos foram identificados como:

  1. DAVID JOSEPH SO ALONSO SALINAS MAIOR
  2. OF. PRIMEIRO EDGAR DIOSNEL SOSA MELGAREJO
  3. OF. PRIMEIRO JUAN JOSE BENITEZ ACHUCARRO
  4. PRINCIPAIS SO PAULO CABRERA ESCOBAR
  5. SO CHECKER VÍCTOR DAVALOS DANIEL PERALTA
  6. CARLOS CESAR AYALA MARECOS
  7. SO ANTONIO JOEL QUIÑONEZ

Os 5 civis como:

  1. Carlos Escobar NUÃ’EZ
  2. RAMÓN GIMENEZ VELAZQUEZ
  3. CELSO BENITEZ FLEITAS
  4. AMADO PERES MARECOS
  5. LUIS DARÍO CANDIA ZELADA (piloto de nacionalidade boliviana)

Quem é o dono do avião de cocaína?

A Direção Geral de Aeronáutica Civil (DGAC), da Bolívia, identificou o avião com placa CP-3004, da série Cessna TU206G, e com número de série U20604316, mas sabem também que proprietário legal do veículo não é o verdadeiro dono.

Esa información ya existe, ya está en poder del Ministerio Público (…), pero concretamente ya se tiene identificado a quien figura como propietario de esta aeronave, y se está haciendo la diligencia en concordancia con la policía boliviana, de manera de llegar hasta el propietario real”, afirmou Francisco Ayala, diretor do SENAD no Paraguai.

Nos papéis o dono do avião é o boliviano, Humberto Jesús Roca Hurtado, tesoureiro no município de Reyes, do estado de Beni, na Bolívia, que faz divisa com o Brasil no estado de Rondônia. No entanto as autoridades sabem que ele é um testa-de-ferro.

O prefeito de Reyes, José Roca Haensel, demitiu Humberto no dia 20 de maio, logo após o nome dele aparecer no caso, estranhamente, o tesoureiro havia pedido uma licença de uma semana no dia anterior.

Humberto, obviamente, não poderia ser o dono do avião, pois na prefeitura de Reyes ganhava um salário de 6.000 bolivianos e alguns prêmios, mas nada que justificasse a propriedade de um avião.

Apesar de parte do sobrenome em comum, Humberto e José não são parentes em grau algum, afirma o prefeito. Eles tiveram uma amizade sim e laços estreitos, viajaram juntos à Miami a trabalho. No entanto, a viagem custou na época, 278 dólares e o tesoureiro não tinha dinheiro nem para sua própria passagem, e quem pagou foi José.

José é advogado de formação, assumiu a prefeitura de Reyes em 2005 e permanece no cargo desde então, é um conhecido adversário de Alex Ferrier, governador do estado de Beni, pelo MNR (Movimento Nacionalista Revolucionario).

As investigações apontaram Jhonsy Darío Candia Castedo, como proprietário real. Jhonsy é piloto de profissão e desaparecido no país. Além do que, é primo do piloto preso no Paraguai: Luis Darío Candia Zelada.

Do piloto ao ministro, passando pelo MAS

O piloto do avião, Luis Darío Candia Zelada, boliviano, é sobrinho de Mayerling Castedo, a mãe do dono do avião e da cocaína: Jhonsy Darío Candia Castedo.

Mayerling é advogada e militante do Movimiento Al Socialismo (MAS), ela ocupou um alto cargo no governo do estado de Beni até 2018, como funcionária de Alex Ferrier, governador (MAS); ela concorreu a uma vaga no judiciário em eleições ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ); tentou assumir a direção do INRA (Instituto Nacional de Reforma Agrária); foi fiscal do Supremo Tribunal; e finalmente, chefe de campanha do partido MAS.

Em 2017 ela envolveu-se em um escândalo ao apresentar uma falsa identidade indígena, para concorrer ao cargo no judiciário.

Mayerling Castedo - falsa identidade indígena

Segundo informações ela seria muito amiga do ministro da Presidência, Juan Ramon Quintana.

A mãe do narcotraficante aparece em fotos com o vice-presidente, Alvaro Garcia Linera, e o ministro da Presidência, Juan Ramon Quintana.

Nas redes sociais, ela compartilha publicações do ministro da Presidência.

Mayerling Castedo - Juan Ramon Quintana - facebook

O narcotraficante, dono do avião e da cocaína, desaparecido, Jhonsy Darío Candia Castedo, é irmão de Joice Candia Castedo, ex-esposa do falecido Jhonny Yanez Lima, outro narcotraficante e também piloto. Mayerling era portanto a sogra de Yanez.

Yanez morreu num acidente de avião em 8 de outubro de 2017.

Mayerling é proprietária de quase 6 milhões de bolivianos (Bs. 5.991.786,00), o correspondente a aproximadamente, 865.796,22 dólares.

Mayerling Castedo - ficha 2

 

Mayerling e Alex Ferrier são parte do Estado boliviano, apontado pelo deputado Tomás Monasterio do partido Unidade Democrata (UD), como operadores do ministro Juan Ramon Quintana.

Clãs do narcotráfico em Beni

Em 2017 foi descoberto pela polícia um loteamento do estado de Beni, feito por cinco famílias do narcotráfico. O estado foi dividido em cinco áreas pelos clãs. Estas famílias tornaram o tráfico internacional de drogas a única atividade comercial. Uma das famílias é Castedo Candia.

O deputado boliviano, Tomas Monasterio, um dos denunciantes do esquema, afirma que o MAS deixou de ser um partido para se tornar uma facção do crime organizado, um “cartel”, nas palavras dele mesmo, e que o partido transformou a Bolívia num narco-estado.

Cinco povoados foram totalmente tomados no município de Reyes: Magdalena, San Borja, San Ramón, Santa Ana del Yacuma e Guayaramerín.

A maior das famílias é Lima Lobo, cujo líder, Fabio Andrade Lima Lobo, foi detido no Brasil com 420 quilos de cocaína em outubro de 2017.

Guayaramerín da Bolívia, faz fronteira com a Guajará-Mirim do Brasil em Rondônia.

Em Santa Ana del Yacuma viveu um dos maiores narcotraficantes da história do crime: Roberto Suarez Gomez, que ficou conhecido como Rei da Cocaína, na época de Pablo Escobar. Gomez nasceu em 1932 em Santa Ana e morreu em 20 de julho do ano 2000.

Tanto o piloto quanto o dono do avião capturado no Paraguai, são naturais destes povoados.

O narcotráfico se apoderou do estado de Beni“, diz a jornalista Daniela Romero, em La Paz. As organizações do narcotráfico são compostas por bolivianos, colombianos, brasileiros e peruanos. O estado vive uma guerra semelhante a que vive o Rio de Janeiro.

Beni foi considerado pelas autoridades bolivianas, o principal ponto de estoque de cocaína purificada. Geralmente os carregamentos chegam de El Chapare, na Bolívia, e do Valle de los ríos Apurímac, Ene y Mantaro, no Peru, para envio posterior ao Brasil.

La carga arriba hasta Beni donde los narcos bolivianos se reabastecen de combustible, después se dirigen a Brasil, dejan la cocaína y regresan a Bolivia”, explica um chefe de polícia.

Se o Peru e El Chapare são os principais fornecedores, o Brasil é o principal cliente.

A operação mais comum é que as aeronaves aterrizem pela manhã em pistas clandestinas de grandes fazendas em Trinidad, capital do estado de Beni, descarreguem e voltem ao Peru. Isto acontece diariamente e a operação toda leva menos de 24 horas.

Sólo necesitan 1.000 metros para despegar y hacer su negocio”, afirma um oficial.

Nadie controla, supuestamente las avionetas son para transportar personas, pero en los aeropuertos se ven aeronaves que no tienen asientos en la parte de atrás”, diz um dos investigadores.

O ministro de Governo, Carlos Romero, que entrou em suspeição velada no caso Pedro Montenegro, assegurou em 2017: “Tenemos bastantes elementos, tenemos preparadas algunas acciones, pero todavía no podemos adelantar”.

Em Trinidad vivem Mayerling e Alex Ferrier, que são parte do Estado, apontados pelo deputado Tomás Monasterio.

Tomás afirma há anos que os clãs tem proteção das autoridades: “Estamos en plena investigación del tema, sabemos que hay encubrimiento y que esto debería estar investigando el Gobierno, la Policía y la Fiscalía

Ele chegou a afirmar que “No es normal que salgan de Beni avionetas todos los días rumbo a Brasil”.

O ex-comandante da Polícia em Beni também afirmou que dois juristas de instâncias políticas estão diretamente envolvidos na proteção aos clãs do narcotráfico no estado.

Edil Robles, procurador do estado de Beni, afirmou que não sabe mais quantos caso de narcotráfico investiga-se naquele estado pelo Ministério Público. É muita coisa.

Um ex-chefe de polícia do estado diz que “No tienen el personal suficiente ni la logística requerida ya que en época de lluvias sólo se puede ingresar (a algunos sectores) por aire”, ou seja, o efetivo policial não é suficiente para deter a operação do narcotráfico em Beni.

Em 2017, cada prefeitura do estado contava com 4 a 8 policiais.

O ministro de Governo, Carlos Romero, na época acusou a mídia: “De todas estas limitaciones los narcotraficantes están al tanto, saben cómo se desenvuelven los policías, mientras que ellos tienen todo de punta, coches, armas incluso medios de comunicación”, segundo ele, os efetivos policiais tinham autorização para utilizar até helicópteros no combate ao tráfico de drogas, e em seguida afirmou que estudava enviar mais policiais ao estado.

No dia 6 de maio, o mesmo ministro, Carlos Romero, intimidou o jornalista, Guider Arancibia, do El Deber, pela cobertura do caso Pedro Montenegro Paz, escândalo do narcotráfico internacional que estourou recentemente na Bolívia.

jornalista el deber

Não pode ser coincidência, diz o povo

O povo cansa. Não vê ações policiais e começa desconfiar das autoridades. É sempre assim que acontece, em qualquer lugar, e a Bolívia não é exceção.

A história começa com a prisão de Fabio Andrade Lima Lobo em outubro de 2011, que foi solto logo em seguida. O povo não gostou. Em outubro de 2012, a história se repetiu: preso e solto, sem delongas.

O narcotráfico se sentiu a vontade e aumentou o volume de atividades.

Em 2017 o mesmo Fabio Andrade foi preso, mas desta vez no Brasil, com 402 quilos de cocaína, e desta vez ficou preso de verdade. Isto colocou mais lenha na fogueira de revolta popular que já estava formada no país vizinho.

Foi esta revolta que fez o deputado Tomás Monasterio criar coragem e ir a público ainda em 2017, numa coletiva de imprensa pouco depois da prisão do narcotraficante no Brasil, no auge da insatisfação popular e denunciar os clãs de Beni.

Os jornalistas bolivianos sofrem intimidações o tempo todo, quando não vem do crime, vem das autoridades, por isso poucas matérias há sobre o assunto, eu sei porque conversei com alguns. A atitude do deputado Monasterio foi considerada um ato heroico naquele ano.

Em resposta à denúncia do deputado, Carmen Lima Lobo, mãe do narcotraficante, filiada ao MAS de Evo Morales, o ameaçou. Um áudio veio a público.

Carmen Lima Lobo - MAS

O caso explodiu: a denúncia de Tomás foi febre na Bolívia até o natal de 2017.

Se por um lado o povo comemorava a coragem de alguém expôs o fato publicamente, encarando o narcotráfico, e esperando uma resposta a altura das autoridades, por outro o que houve foi o oposto: silêncio. Não houve qualquer resposta em atos do estado.

A postura do estado boliviano custaria a reputação das lideranças em pouco tempo.

Um novo fato curioso surgia, como gasolina para apagar o fogo: a procura pela profissão de piloto de avião cresceu entre os jovens de 17 a 20 anos. Com o aumento da demanda, as escolas de pilotagem se multiplicaram. Um piloto do tráfico chegava a ganhar 20 mil dólares por um voo com carga de drogas em julho de 2018.

O ex-piloto, Omar Durán, afirmou categoricamente que 7 em cada 10 jovens pilotos bolivianos da iniciativa privada, estavam envolvidos com o narcotráfico.

As escolas de pilotos ficaram conhecidas como “paraíso dos narcotraficantes”.

A prática se espalhou tanto, ficou tão popular, que ganhou um apelido: narco-voos (narcovuelos).

Os pilotos tinham que deixar alguém de confiança, praticamente sequestrado, como garantia na mão dos clãs: se ele não voltasse para trabalhar outra vez, o amigo morria.

hace unos años aparecieron dos peruanos descuartizados y un brasileño. Se sabe que son crímenes de garantía, que el piloto fue y no volvió. Entonces, matan a la gente que se quedó como garantía”, afirmou Omar.

Com este fenômeno social, o povo aumentou a desconfiança das autoridades. Oras, os clãs já eram populares, ninguém investigava nada e a mídia não podia falar, mas o povo podia nas ruas: podia e falava.

Some-se o fato que incomodava os narcotraficantes: se na Bolívia nada acontecia, no exterior a história era outra. Muitos traficantes foram presos no Brasil, Argentina e Paraguai. As prisões no exterior, além de ser notícia, também representava prejuízo, afinal, aviões não são presentes que se dá no aniversário de crianças, são caros, a carga é cara, o piloto é caro, o ajudante é caro, o combustível é caro, enfim, o prejuízo é grande.

Alex Ferrier, o governador de Beni, também do MAS, entra na história nessa época: a população já tinha contra ele a suspeita de fraude nas eleições, somou-se o fato da cobrança do povo permanecer sem resposta. Como os aviões abasteciam naquele estado? Como o combustível de tantas aeronaves entrava e saía de Beni, sem o conhecimento do governador? Seria produzido dentro do próprio estado? As questões ganharam força entre o povo.

A situação ficou pior pro governador por outro motivo: ele apoiou Carmen Lima Lobo, a mãe do narcotraficante Fabio Andrade.

Carmen Lima Lobo - Alex Ferrier 2

Em 2017, Tomás Monastério dizia que o MAS havia se tornado uma facção criminosa.

EL MÁS HUELE A NARCOTRÁFICO!El hijo de una candidata a la subgobernación de Mamoré en el Beni por parte del partido de…

Publicado por Tomas Monasterio em Terça-feira, 17 de outubro de 2017

Em seguida, Susana Rivero Guzmán, feminista, ex-ministra e atual deputada do MAS, também entrou para lista de suspeitos populares: trocava confabulações com Ferrier e o teria ajudado na suposta fraude eleitoral.

Susana Rivero - Alex Ferrier 2

A situação ficou pior: traficantes começaram a patrocinar festas de ostentação em Beni. Sabem o que acontece hoje no Rio de Janeiro? É a mesma coisa, só que sem o funk.

O próximo nome a entrar na lista de suspeitos populares foi Mayerling Castedo. O motivo é óbvio: todos sabiam que o filho dela é narcotraficante e mesmo assim, ela permanecia na vida pública, na maior tranquilidade, pulando de cargo em cargo, e ocupando altas posições pelo MAS.

Sem contar é claro, o fato que aumentou a desconfiança do povo: Mayerling foi chefe de recursos humanos (Secretaria Departamental de Desarrollo Humano) na gestão Ferrier, assessora do governador.

Mayerling Castedo - Alex Ferrier 2

O povo inflamou: por que os traficantes, que todos já sabiam quem eram, permaneciam em liberdade? Inflamou mesmo.

Logo, mais um nome entrou para lista de suspeitos do povo: o tenente-coronel Cristhian Miguel Camara Arratia, amigão de Mayerling, funcionário de Alex Ferrier, piloto de helicóptero e diretor do Comitê de Operações de Emergência Departamental (COED), e portanto tem conhecimento de absolutamente todo espaço aéreo de Beni.

Mayerling Castedo - Christian Camara

Como Cristhian Camara não sabia nada do intenso tráfego aéreo do narcotráfico? Cego não é, e o povo questionou corretamente.

A seguir, um fato novo ganhou popularidade e jogou mais gasolina na fogueira: os pilotos precisavam pagar uma taxa ilegal para realizar voos em Beni. Todo mundo sabia, ninguém falava nada. O medo tomou conta de parte do judiciário, a corrupção comprou os outros, e o silencio imperou soberano.

Mas, quem receberia as taxas de voo? Podia ser qualquer um dos citados: Carmen, Susana, Mayerling, e principalmente Alex, o governador, ou Christian, o diretor do COED. Mas não foi assim. Um novo nome entrou para história, mais pesado que todos os anteriores: Juan Ramón Quintana, o ministro da Presidência de Evo Morales e também membro do MAS.

Por que o povo suspeitou dele e não dos anteriores? Por alguns motivos. O primeiro é que ele é o que há de comum entre todos os envolvidos: todos tem relações com ele.

Susana Rivero - Alex Ferrier

O segundo motivo é que ele já estava famoso por quatro denúncias e pelo apelido “Camion Quintana” (Caminhão Quintana). O ministro foi relacionado ao contrabando no ano de 2008.

César López, o presidente da Aduana em Pando na Bolívia, fronteira com o Acre no Brasil, denunciou em 2008, que 33 caminhões de contrabando haviam passado pela fronteira sem vistoria por ordem do ministro Quintana. Segundo López, os donos da mercadoria haviam se encontrado no Palacio Quemado com o ministro. Ele ligou duas vezes ao celular de César pedindo liberação dos caminhões no posto de controle aduaneiro, do quilômetro 19 em Pando.

Em setembro de 2008, Quintana foi denunciado pelo chamado “massacre de Porvenir”, em que morreram 13 pessoas. O caso não foi investigado. O jornalista brasileiro, Pitter Lucena, recebeu ameaças de morte por investigar o caso.

Em 2012, Juan Ramón foi acusado de conexão com o narcotraficante Maximiliano Dorado Munhoz Filho. Neste caso o ministro foi acusado junto de Jessica Jordan, diretora regional de Ademaf e na altura cônsul da Bolívia em Nova York. Jessica foi candidata do MAS ao governo de Beni, com o apoio de Evo Morales, além de ter vencido como Miss Bolívia.

Jessica Jordan - Evo Morales

Em novembro de 2012, outra denúncia relacionava o narcotraficante Mauro Vásquez ao ministro da Presidência.

Em 2016, Gabriela Zapata do MAS, ex-parceira de Evo Morales, envolveu Quintana no caso de tráfico de influência entre a empresa chinesa CAMC com o Estado boliviano. Em uma carta ela referiu-se ao ministro como “rei”.

“Hormonas Amazonicas” Quintana, foi outro apelido do ministro, ele afirmava em cartas que queria ter relações sexuais com Gabriela Zapata.

As denúncias envolvendo mulheres como Jessica Jordan e Gabriela Zapata, “compartilhadas” pelo ministro e pelo presidente, e que seriam usadas para cometer crimes.

Em janeiro de 2019, um jovem gravou um vídeo e postou no Youtube, denunciando as constantes ameaças do ministro.

No final, além da fama que já reunia o ministro pelo histórico de denúncias, dois fatos principais o tornaram suspeito popular: em primeiro lugar o “massacre de Porvenir”, dado que jamais fora investigado e isso soava como se Juan tivesse “licença para matar” e o que havia entre os pilotos que precisavam pagar as taxas ilegais em Beni? Medo de morrer se abrissem a boca. Oras, o matador conhecido era o ministro e não os demais. Carmen, Susana, Cristhian, Alex, podiam até criminosos, mas não assassinos, isto era exclusividade de Quintana.

Em segundo lugar porque ele era muito ativo na região de Beni, especialmente em Trinidad, onde supostamente teve dois filhos fora do casamento, com duas mulheres diferentes. Uma delas seria conhecida pelas iniciais R. R. R. e a outra C. L. M. R..

Suspeita-se que R. R. R. seja Romy Rojas Ribeira, que chama o ministro de carinhosamente de “Chefaço”, em selfies onde aparece feliz ao lado dele.

Romy Rojas Ribeira

Romy trabalha para o governo de Beni, funcionária de Alex.

Uma das duas mulheres, segundo a denúncia, trabalha com o controle de combustíveis. Isto responderia parte das questões sobre os aviões: de onde vem o combustível para as aeronaves?

O povo desconfia hoje, principalmente, de Juan Ramón Quintana.

O caso do avião capturado no Paraguai, que envolve Mayerling, é apenas mais um tijolo no muro desta investigação.

A questão que sobra é: quando as autoridades bolivianas vão começar a respeitar a população e levar os casos a sério?

Sobre o Colunista

Ricardo Roveran

Ricardo Roveran

Estudante de artes, filosofia e ciências. Jornalista, crítico de arte e escritor. Escrevo por amor e nas horas vagas salvo o mundo.

Twitter: @RicardoRoveran

6 Comentários

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  • Isso não é uma matéria, ela beira um dossiê. Parabéns Terça Livre e principalmente PARABÉNS Ricardo Roveram.

  • Parabéns, aqui na Bolivia nao temos jornalistas com a “capacidade” de fazer un trabalho assim… quasi todos tem aquilo secuestrado pelo medo.

  • Parabéns pela matéria, Ricardo Roveran.
    Não consigo entender como essa Lidia Lins ainda tem a cara de pau de chamar de Fake News. Aposto que nem ao menos se deu o trabalho de ler a matéria.
    Já foi provado que Fake News? Que parte? São vários fatos relatados, vários com provas concretas, públicas e notórias. Teu chilique só demostra que não sabe do que se trata a reportagem. Porque precisa sair tão ferrenhamente em defesa de narcotraficantes que nem do teu país é, dona Lidia Lins?

  • Em tempo, me deixe adivinhar algumas coisas, Lídia.

    Também é contra a reforma da previdência. Quer que o Brasil afunde. Não quer que o moro vá a Estoril, em Portugal, só por pirraça. Diz que respeita a democracia, mas prega Fora Bolsonaro.

    Quanto eu acertei?

  • Li toda a matéria e gostaria que todo jornalista também. Hoje a mídia esta tomada por vaidade e ideologias. Tornando o noticiário uma enxurrada de lixo. Parabéns por sua dedicação e profissionalismo! Que sirva de exemplo para outros tantos

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Guilherme Galvão VillaniGuilherme Galvão Villani

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Católica, produtora, doutora em artes da cena, professora e aikidoista.

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