Banco Central reduz Selic para 5,50% e taxa atinge o menor valor da história

 


O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (18) reduzir a taxa Selic para 5,50%.

Com isso, a Selic está agora em novo piso da série histórica do Copom, iniciada em junho de 1996. Este é o menor valor já atingido pela taxa.

O presidente Jair Bolsonaro comemorou a redução:

Veja o comunicado na íntegra:

Em sua 225ª reunião, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 5,50% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

Indicadores de atividade econômica divulgados desde a reunião anterior do Copom sugerem retomada do processo de recuperação da economia brasileira. O cenário do Copom supõe que essa retomada ocorrerá em ritmo gradual;

No cenário externo, a provisão de estímulos monetários adicionais nas principais economias, em contexto de desaceleração econômica e de inflação abaixo das metas, tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes. Entretanto, o cenário segue incerto e os riscos associados a uma desaceleração mais intensa da economia global permanecem;

O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária;

As expectativas de inflação para 2019, 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,5%, 3,8%, 3,75% e 3,5%, respectivamente; e

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,3% para 2019 e 3,6% para 2020. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 5,00% a.a. e permanece nesse patamar até o final de 2020. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$/US$ 3,90 e permanece nesse patamar até o final de 2020. No cenário com juros constantes a 6,00% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 4,05*, as projeções situam-se em torno de 3,4% para 2019 e 3,6% para 2020. O cenário híbrido com taxa de câmbio constante e trajetória de juros da pesquisa Focus implica inflação em torno de 3,4% para 2019 e 3,8% para 2020.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, (i) o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) uma eventual frustração em relação à continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. O risco (ii) se intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário externo para economias emergentes.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros para 5,50% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2020.

O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Copom avalia que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia.  O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes. Em particular, o Comitê julga que avanços concretos nessa agenda são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva.

Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve ajuste no grau de estímulo monetário, com redução da taxa Selic em 0,50 ponto percentual. O Comitê avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo. O Copom reitera que a comunicação dessa avaliação não restringe sua próxima decisão e enfatiza que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (Presidente), Bruno Serra Fernandes, Carlos Viana de Carvalho, Carolina de Assis Barros, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco dias úteis encerrados na sexta-feira anterior à reunião do Copom.

Sobre o Colunista

Bruna de Pieri

Bruna de Pieri

Jornalista e católica.

5 Comentários

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  • Infelizmente ou não, esse não é o maior problema que atinge uma quantidade considerável da população. Os maiores problemas atualmente são o DESEMPREGO e a ESTAGNAÇÃO DA ECONOMIA. 😐

  • Só para constar Maria, a taxa celic não é uma questão microeconômica, ou seja, aquela coisa que sentimos em nosso dia a dia, ela é uma questão macroeconômica, taxa de juros baixo significa facilitar e incentivar a contração de empréstimos por parte das indústrias, o que significa mais investimento na economia o que a médio e longo prazo significa mais empregos e avanço da economia, enfim, mesmo não fazendo o menor sentido no nosso cotidiano essa medida visa justamente atacar esses males que você citou, lembrando que esses males são heranças de governos anteriores, é difícil concertar um estrago tão grande e não vai ser de um dia para o outro, nem mesmo em uma mandato de 4 anos que se conseguirá reverter plenamente a situação, porém, cada pequeno passo no sentido certo é bem melhor que continuar cavando o buraco em que já estamos.

  • @Alexandre Machado , eu sei muito bem o que significa isso a médio e longo prazo. ENTRETANTO, isso não muda o fato de que a questão do desemprego é URGENTE! Bolsonaro já foi alertado e parece que ele e a equipe econômica dele não estão dando muita bola para isso. Este ano será o 1º Natal que o Governo Bolsonaro irá fechar sem mudanças significativas no desemprego. Se ele não baixar o desemprego no mínimo, digamos uns 2 a 4% até o final do mandato dele, então ele e tudo o que ele representa estará perdido! O AVISO foi dado e o TEMPO está correndo: Tic, Tac, Tic, Tac…. 😉

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