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Bate Papo com o Professor Rodrigo Jungmann: Bright e o Marxismo cultural

No dia 03 de janeiro, logo na primeira semana do ano, tive a honra de receber o Professor Rodrigo Jungmann, para bebermos de suas fontes. O tema foi o filme Bright e o marxismo cultural presente na obra.

Jungmann é professor de filosofia e latim na Universidade Federal de Pernambuco e doutor em filosofia pela Universidade da Califórnia. Além de ser um intelectual de respeito com vasta formação acadêmica, é hoje um dos maiores especialistas no assunto Islã. Trata-se de um sujeito humilde, de uma simpatia ímpar e sua fama se deu após enfrentar a militância esquerdista na universidade, vencer o embate e tornar-se um dos heróis da direita.

De início apresentei o panorama geral do filme, focando nas mensagens contidas na narrativa, com todos os elementos de marxismo cultural que já havia enumerado quando escrevi a crítica: a presença constante dos símbolos muçulmanos associados aos signos comunistas numa semiótica nítida e incontestável, a comparação com os mexicanos, a diversidade combatida por um estereótipo dos elfos apresentados como brancos e capitalistas malvados, o desarmamento civil como solução para violência urbana, entre outros que no final confluem para o argumento político da esquerda: a maioria pacífica contra a minoria terrorista.

O professor então acrescentou observações como a compartimentação da civilização em grupos coletivos, numa distopia sintomática do pensamento marxista. Explicou que a esquerda valoriza o coletivo em detrimento do indivíduo, subtraindo sua personalidade e substituindo-a por um estereótipo sócio-cultural. Apresentou analogias com outras obras como o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley e traçou paralelos com a realidade, exemplificando com o tratamento dado pela esquerda às minorias. Rodrigo também explicou como este fenômeno surgiu, desde a luta de classes ter falhado historicamente na expectativa dos comunistas, de que os operários lutariam contra a burguesia, o que não aconteceu, passando pela migração do conceito para outras linhas onde o modelo “opressor contra oprimido” pudesse ser aplicado, até o atual status quo.

A seguir questionei-o sobre o argumento central do filme: a maioria pacífica do Islã contra a minoria terrorista. Explanou Jungmann com auxílio de fatos, que apesar das obras do terrorismo tratarem-se realmente de autoria de minorias, no entanto o respaldo da parcela majoritária não é negado. Entre os fatos apresentados, o caso da comunidade muçulmana de New Jersey que publicamente comemorou o ataque às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. O professor citou o Pew Research Center, como instituição de respeito em referência às pesquisas comportamentais, como lastro de suas afirmações.

Abordando a pauta política dos refugiados, nos trouxe uma perspectiva econômica que difere da visão midiática e da abordagem militante marxista. Também nos falou acerca dos processos de formação de terroristas, com enfoque nas diferenças entre os discursos e as práticas das comunidades muçulmanas em regiões do Oriente Médio e sobre a história não contada da escravidão, da qual o Islã precede todos os eventos históricos recentes dos últimos dois séculos e ainda sobre como o Islã tomou boa parte da Europa em suas disputas de território passadas.

Após toda aula que nos deu, ainda respondeu perguntas como a influência de Sayyid Qutb, as posições do Papa Francisco, refutou outros argumentos migratórios e por fim sobre a relação entre o Islã e a Revolução Industrial.

Foi uma grande satisfação receber este guerreiro intelectual em um produtivo bate papo esclarecedor com alguém que não só é dono de um extenso currículo acadêmico, como de um conhecimento extraordinário sobre o tema do Islã, uma dedicação contínua no combate do marxismo cultural e ainda de uma simpatia tremenda.

Bate Papo com Professor Rodrigo Jungmann: Bright e o Marxismo cultural

Fonte: Blog do Ricardo Rovervan

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Ricardo Roveran

Aquariano bonitão. Estudante de artes, filosofia e ciências. Jornalista, crítico de arte e escritor. Escreve por amor e nas horas vagas salva o mundo.

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