Luis VilarNotícias

Bolsonaro e uma entrevista de fato relevante: aquela que mostra o que está em jogo!

Aguardei o resultado das eleições para postar, neste espaço, um texto sobre uma das mais relevantes entrevistas que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) concedeu. Falo aqui do mérito de Allan dos Santos por ter conseguido extrair da conversa que teve com o presidente a forma como esse enxerga o Brasil no cenário atual.

Muitas entrevistas foram feitas com Bolsonaro, não raro caiam na mesmice de falar do regime militar e de pautas tidas como polêmicas que abasteciam o coro de uma imprensa de valores progressistas. Distanciavam-se, portanto, de conseguir traduzir como de fato o candidato enxergava o Brasil e o que esperava para o futuro.

Poucas entrevistas de Bolsonaro mostraram isso. Durante o pleito, friso duas: uma concedida ao youtuber Nando Moura e outra a Allan dos Santos, que foi a mais recente. Como jornalista, digo: é constrangedor que isto não tenha sido comum nos veículos de comunicação, pois – depois de longos tempos – tivemos uma eleição com, de fato, dois projetos de país.

De um lado o de Fernando Haddad, com proselitismo e pautas perigosas como o controle de mídia. Do outro, Bolsonaro que, em que pese ter pontos que podem ser criticados, apresentou em seu programa de governo mais acertos na defesa às liberdades, entre elfas, a econômica e a busca por relações internacionais sem o viés ideológico.

É uma entrevista de mais de 15 minutos, mas com falas de extrema relevância que devem ser guardados até mesmo para ser vigilante em relação ao próximo governo. Se há governo, tem que haver vigilância. Allan dos Santos resgatou questões graves que nunca foram exploradas pelos tidos como “adversários” tradicionais do PT, como o PSDB, por exemplo. A razão disso sabemos: a bolha ideológica montada a partir da estratégia das tesouras.

Na linha central do que Bolsonaro fala, se entende – por exemplo – a visão de Paulo Guedes (futuro ministro) em relação ao Mercosul. Não é prioridade, porque ali se fez o viés ideológico por meio dos “sócios” do Foro de São Paulo, onde o país virou uma anão diplomático e se tornou o cofre das republiquetas para a esquerdização da América Latina. Que o diga o BNDES… Se você ainda acha que essas coisas não estão interligadas, reveja seus conceitos.

A entrevista é tão irrefutável que ainda mostra José Dirceu confirmando os planos do Foro de São Paulo, em uma edição muito bem feita. Não por acaso, nessas eleições, o mesmo Dirceu – condenado por seus atos nefastos – ousou falar em ir além de ganhar uma eleição, mas tomar o poder. “A condição para a América Latina avançar é (…) a consolidação do Mercosul”, diz Dirceu.

Bolsonaro ainda destaca o papel das Farcs nesse processo. “É um risco que o Brasil ainda corre”, pontou o presidente eleito, que na época ainda era candidato. Na entrevista, também é exposto o papel de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) como um dos responsáveis pelo andamento desse processo.

É preciso entender a distinção clara entre os dois projetos que estavam em jogo, mesmo depois do processo eleitoral passado. Afinal, a ocupação dos meios culturais – dentro da estratégia gramsciana – ainda existe e, como bem frisa o filósofo Olavo de Carvalho, a eleição foi trocar a cereja do bolo.

Há muito por fazer e nem tudo é política.

O próprio Bolsonaro chama atenção para isso ao falar da imprensa, que é uma das vozes da intelectualidade orgânica. Estar acordado para o que é esse sistema, diante da eleição de um presidente antissistema, é de fundamental importância. Isto não significa, obviamente, apoiar o governo em tudo. Pois governos cometem erros e precisam ser vigiados.

Todavia, como muito bem colocou Bolsonaro, o que estava em jogo não era apenas a questão da economia, mas a liberdade de uma forma geral, incluindo a liberdade de imprensa, razão pela qual o futuro governo enfrentará duas oposições: uma mais crítica na cobrança pelas promessas feitas e pela melhoria do país; e uma que quer o “quanto pior, melhor” para poder, em cima do caos político, reverter a derrota que agora sofreram. Esta segunda oposição contará com boa parte dos meios culturais.

É disso que Bolsonaro fala, por exemplo, quando falou da Folha de São Paulo recentemente e da questão das verbas governamentais publicitárias. Estas alimentavam linhas ideológicas favoráveis ao estamento.

O que o governo federal tem que adotar é critérios técnicos, um deles a audiência, para o uso dessas verbas naquilo que for publicidade de utilidade pública do governo, já que estas verbas existem. Bolsonaro até já falou isso em declarações. O ideal seria que imprensa alguma fosse refém de governo, seja este qual for.

A imprensa livre realmente se dá quanto o mais longe do governo possível, já que seu papel é vigilante no sentido de, com honestidade intelectual, reconhecer acertos e criticar erros. E aí, tanto faz a linha ideológica dos governantes.

A entrevista feita por Allan dos Santos é tão densa que deve ser vista e revista em muitos momentos. Graças a Deus ela fica aí para a História. Quem ainda não assistiu, que veja.

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4 Comentários

  1. Ah… como eu gostaria que todos enxergassem isso… que enxergassem quão necessário é abrir a mente e sair da caixa dessa ideologia de esquerda! Se livrar dessa prisão que é o socialismo comunismo. Eu ainda sonho…

  2. Um dos critérios para os gastos em comunicação pode ser um percentual máximo do gasto em relação ao faturamento total da rede. Por exemplo, 3%.

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