Checamos: lançamento do plano contra violência de Moro não foi vazio

evento Bolsonaro Moro 2
 


Em matéria divulgada pela Revista Crusoé, hoje (29/8), há a insinuação de que o evento para o lançamento do plano contra violência do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, foi um fiasco.

crusoé

O jornalista não contou uma mentira, literalmente.

O título da matéria diz: “Cadeiras são retiradas no lançamento de plano contra violência de Moro“, o que induz o leitor a concluir que o evento teria sido um fracasso de público.

Como não existe uma definição precisa de “fake news“, com a aprovação da lei de ontem, o jornalista poderia ser acusado e pegar uma pena maior que o dobro de um homicídio culposo.

Cadeiras foram retiradas? Foram.

O evento foi um fracasso? Não, embora a matéria assim insinue.

Sabemos que jornalismo é dizer o que está fora do cotidiano, se um avião decola, isto acontece todos os dias. Se um avião pousa, isto acontece todos os dias, é corriqueiro e não é notícia. Mas se um avião cai, isto é notícia. O episódio recente do sequestro do ônibus no Rio de Janeiro é exemplo disto: o trânsito comum do transporte público não é notícia, mas quando um ônibus é sequestrado, isto é, obviamente, notícia.

Assim, seguindo o critério e de forma competente, ressalto, o jornalista da Crusoé noticiou como lhe aprouve. E embora a nota não seja favorável ao governo e muito menos conduza o leitor à conclusão correta, dado que o número de cadeiras é irrelevante ao leitor quando comparado ao interesse real da sociedade no evento, ainda assim, dentro do jornalismo isso é comum, faz parte do jogo.

Carlos Drummond de Andrade que nasceu em 1902 e cursou Farmácia, fundou um veículo chamado “A Revista” em 1925, aos 23 de anos idade aproximadamente, afirmava que o jornalismo é uma forma de literatura. Isto equivale dizer que o jornalista trabalha o entendimento do leitor através do intervalo subjetivo, ou seja, que ele pode dar a entender algo, induzir o leitor. O jornalismo tem esse poder e Drummond estava irremediavelmente certo, tanto que, em 1927, ano seguinte, ele entrou para o “Diário de Minas” onde permaneceu até 1929, e, no ano seguinte se tornou redator de três jornais simultaneamente: o “Minas Gerais”, o “Estado de Minas” e o “Diário da Tarde”. Este mestre deixou o jornalismo só em 1969, aos 67 anos de idade e uma carreira de pelo menos 46 anos.

Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Rubem Braga e outros grandes nomes do jornalismo também ingressaram cedo na profissão  e fizeram suas carreiras pela literatura, entendendo o poder que o jornalismo tem de levar o leitor a crer em algo, como o próprio jornalista da Crusoé agora fez.

Assim pergunto: será punido com a mesma ferocidade que um homicida? Será ele perseguido pela classe política?

Não sou nenhum fã da Crusoé, mas eles foram há pouco tempo os protagonistas de uma briga de cachorro grande contra o Supremo Tribunal Federal (STF), o amigo do amigo do pai de alguém parece que ficou ofendido com uma publicação e mandou censurar o veículo.

O jornalismo tem seu jargão, e nele existe a “barriga“, que acontece quando um jornalista se empolga com uma grande novidade e acaba cometendo um erro, gerando uma matéria com informação falsa ou imprecisa, no calor que a velocidade que um “furo” exige. O sujeito acredita que está diante de um furo, na crista da onda, e comete um erro pela ânsia de sair na frente. Acontece, paciência, vida que segue e os exemplos disso são incontáveis.

O evento foi um fiasco, como leva a crer a matéria? Nem de brincadeira, as imagens que recebi aqui comprovam:

Agora perguntem se concordamos que um evento comum como este no jornalismo seja punido com mais rigor que um homicídio. A resposta será um claro e irrevogável NÃO.

Sobre o Colunista

Ricardo Roveran

Ricardo Roveran

Estudante de artes, filosofia e ciências. Jornalista, crítico de arte e escritor. Escrevo por amor e nas horas vagas salvo o mundo.

Twitter: @RicardoRoveran

13 Comentários

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  • Parabéns continue na linha da verdade e do bom senso, os idiotas e abutres das notícias semelhantes a eles mesmos terão carreiras curtas!

  • É HILARIO ver vocês querendo dar uma de Agência Anti Fake News ou Fact -cheking, sendo que VOCÊS MESMO já foram PEGOS EM FLAGRANTE criando e espalhando Fake News. Além do mais, se vocês tivessem pego uma Mídia Corporativa de grande circulação (ao invés de um blog pequeno) criando Fake News seria mais relevante. 😉 KKKKKKKKKKKKKKKKK! 😀

  • Xô globosta.
    Tem seus tentáculos, vivem de suborno.
    Para os párias da Nação existe o Art. 142__Fuzilação!
    São desnecessários. Pobres lambedores, vive parecendo pombo no parque, esperando chegar as migalhas.

  • Pelo que vejo a Maria é seguidora do ANTAgonista, seria interessante a Maria dar o exemplo de momento o Terça Livre fez fake news, pois é, é por causa de pessoas como a Maria que os isentões e a esquerda ganham munição.

  • Devemos tomar cuidado: a globo pensa em querer apagar a luz da razão e do pensamento.
    Cuidado!

    Tem imitadores baratos.

  • @David , o Antagonista, TAMBÉM é um blog pequeno e/ou mídia “alternativa”, não vale a pena, já que o Terça Livre TAMBÉM é. Só vale a pena quando vocês pegarem uma GRANDE MÍDIA soltando Fake News pois, afinal, vocês querem se firmar como superiores a tais mídia, não é mesmo? 😉 KKKKKKKKKKKKKK! 😀

  • Maria, pelo que você dá a entender, fake news só pode receber esse rótulo se divulgado por alguma mídia alternativa, pois se não, que tal a Folha de São Paulo imputando valores absurdos a imóveis de Jair Bolsonaro, ou então publicando sobre suposto esquema de robôs relacionado à mesma pessoa, ou então a Globo (em geral, portal, jornal escrito e Tv) alardeando sobre queimadas e não informando que no mesmo site onde eles buscaram dados para falar sobre ¨aumento de queimadas¨ estava escrito que as queimadas estão ABAIXO da média dos últimos 15 ANOS, ou então sobre TODA MÍDIA MAIN STREAM falando 24 horas por dia sobre o tal Queiroz sem citar que na mesma lista de onde tiraram o nome dele, constavam mais de uma dezena de nomes acima, enfim, para ESQUERDOPATAS como você (e para de mentir sobre anarquia, já está feio demais) fake news é o que você quer que seja, não tem a menor relação com a realidade, procure se tratar, o Lula ta preso, a esquerda só dá vexame e você patéticamente defende quem te rouba, pense um pouco acima, se não lutarmos por nós não adianta pensar que alguém o fará.

  • @Alexandre Machado , eu não disse isso. Eu disse que não vale a pena para vocês desmascarem Fake News de blogs pequenos iguais a vocês. É possível desmascarar Fake News de Mídias Grandes e deixar elas no chinelo? Claro que é possível! Exemplos: casos como da Escola de Educação Base, Eike Batista, Gravida de Taubaté, Professora Joana Darc Félix, Bel Pesce e por aí vai! O problema é vocês serem os primeiros a descobrir e desmascarar isso. 😉 KKKKKKKKKKKKKKKKK! 😀

  • Sergio MORO: honesto, erudito, JOVEM, culto, sábio e inteligente. Com trabalho ao extremo ROBUSTO. E corajoso.
    Dallagnol: idem.
    O resto é papo furado!!!! Furadíssimo.
    PT muito ao contrário. Além de ter um mau gosto cultural e artístico enorme.

    A imagem de Moro não foi “ construída” como herói. Isso aconteceu naturalmente, como se dá com gente co-ra-jo-sa como o Ministro Moro.
    Sr. Moro É herói!

  • Lamentável essa tentativa de justificar a imoralidade da manipulação jornalística! Quem lê uma poesia está ciente de que pode estar sendo manipulado emocionalmente. Mas quem lê uma reportagem quer informação e comentários honestos, imparciais e, nunca, uma manipulação. Isso é DESONESTIDADE!

  • O Terça Livre está se tornando a Carta Capital da direita.
    Só espero não estar na folha de pagamento do governo como estava a Carta.

  • Realmente a Revista Cruzoé/Antagonista andam um pouco estranhos. Digo isso com tranquilidade, pois sou assinante. Em certos momentos, tenho a impressão de estar diante de um texto da Folha de SP ou mesmo do Brasil 247. Triste isso, mas faz parte da liberdade de imprensa.

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