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China impede políticos pró-democracia de Hong Kong de se elegerem

China
 


Quase um mês após o governo chinês impor uma nova lei de segurança nacional à Hong Kong, as autoridades da cidade tomaram medidas agressivas contra a oposição pró-democracia. Na última quinta-feira (30/8), 12 candidatos foram impedidos de participar das eleições legislativas de setembro.

O governo disse que os candidatos não estavam aptos a concorrer porque defendiam a independência da cidade, solicitavam intervenção de governos estrangeiros ou se opunham à nova lei de “segurança nacional”.

A medida foi tomada um dia depois de a polícia prender quatro ativistas pró-democracia, acusados de postar mensagens pró-independência em redes sociais.

Um dos candidatos desqualificados, Joshua Wong, de 23 anos, que ganhou destaque durante os protestos de 2014, escreveu uma série de tweets afirmando que “Pequim mostra total desprezo pela vontade de Hong Kong, atropela o último pilar da autonomia da cidade e tenta manter a política da cidade sob seu firme domínio”.

Outro, o advogado Dennis Kwok, é membro fundador do partido Civic, considerado membro do pró-democracia de Hong Kong. “Hoje estamos vendo os resultados da opressão implacável que este regime está começando”, disse ele, acusando o governo de “tentar levar o medo e a opressão em nossos corações”.

Chris Patten, o último governador britânico de Hong Kong, disse que a mudança foi “um ultrajante expurgo político dos democratas de Hong Kong”“Obviamente, agora é ilegal acreditar na democracia, embora tenha sido isso que Pequim prometeu durante e após a declaração conjunta [sino-britânica de 1984]. Este é o tipo de comportamento que você esperaria em um Estado dominante”, disse ele.

Kenneth Chan Ka-lok, cientista político da Universidade Batista de Hong Kong, disse que as desqualificações violam os direitos humanos e políticos dos candidatos e constituem “uma forma excessiva de manipulação eleitoral para remover candidatos que o Estado não consegue tolerar”.

Dominic Raab, o secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, disse que estava claro que os candidatos foram barrados por causa de suas opiniões políticas, “minando a integridade de ‘um país, dois sistemas’, os direitos e liberdades garantidos na declaração conjunta e nos princípios básicos da lei de Hong Kong”.

As eleições para o conselho legislativo de Hong Kong estão marcadas para setembro, mas, de acordo com relatos da mídia local, elas podem ser adiadas por um ano. Ativistas temem que as autoridades possam usar a pandemia do coronavírus como pretexto para impedir que os candidatos pró-democracia alcancem a maioria.

“Isso pode significar o fim da oposição dentro do sistema, pois as leis eleitorais podem ser totalmente reescritas para tornar impossível ou irrelevante que a oposição se candidate novamente”, disse Leung, professor da escola de jornalismo e comunicação da Universidade Chinesa de Hong Kong.

“Claramente, o Partido Comunista Chinês decidiu aproveitar a oportunidade da próxima eleição para mostrar ao povo de Hong Kong e ao resto do mundo que eles redesenharam todo o jogo”, disse Kenneth Chan Ka-lok, cientista político da Hong Kong Baptist University e ex-legislador pró-democracia.

“Não é mais um país, dois sistemas”, disse ele, referindo-se ao sistema acordado antes da transferência de Hong Kong do domínio colonial britânico, que pretendia garantir à cidade uma autonomia substancial até 2047. “Se o regime não conseguir suportar os moderados… estamos avançando muito rapidamente em direção a um sistema de partido único em Hong Kong.”

Com informações, The Guardian

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