Choque de Energia Cara



Ao contrário do discurso, caminhamos para os preços de energia elétrica mais caros do mundo

Por Guilherme Galvão Villani

O Ministro da Economia usa a retórica de um “choque de energia barata” no setor de gás mas o Ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque não apresentou propostas concretas para reduzir estruturalmente o preço do principal insumo energético residencial e comercial, a energia elétrica. Ao contrário, quem procura a opção de energia solar, investindo do próprio bolso, agora pagará mais caro.

Já somos o país com o 3º preço mais alto de energia elétrica considerando o critério de paridade de poder de compra.

A  “taxação do sol” proposta pela ANEEL recentemente e as suas repercussões tanto na mídia como no meio político apenas reforçam o desconhecimento sobre complexidade do assunto e a inépcia do governo em enfrentar os verdadeiros problemas do sistema elétrico nacional.

Não estou colocando “culpa” no governo atual. Mas não reconhecer as distorções criadas pelo governo FHC – Lula – Dilma – Temer e não enfrentar poderosos interesses econômicos do setor é simplesmente manter a trajetória crescente de encarecimento do insumo mais básico da economia. Muito acima da inflação oficial – IPCA.

Em artigo publicado há um ano atrás – Setor Elétrico Brasileiro: Esquizofrenia de Mercado – descrevi como chegamos a esta tragédia anunciada.

Um ano depois estamos em situação igual ou pior. Os reservatórios (baterias do sistema) não se recuperaram, enfrentamos um início de período úmido pior que em 2018 e dado a recuperação da economia estamos com uma trajetória crescente do consumo, o que exigirá produção de energia cara por meio das termoelétricas a óleo. BANDEIRA VERMELHA.

Como sempre, o culpado será São Pedro… o bode expiatório preferido dos últimos presidentes.

Os “debates” promovidos pelo Ministério de Minas e Energia via Grupos de Trabalho contam com a participação de “representantes de empresas, associações e demais interessados no setor”

Leia-se: fazem debates entre os agentes econômicos com a ausência de órgãos de defesa do consumidor, universidades ou institutos como o ILUMINA.

“Taxação do Sol” – Não é bem assim

O Presidente Bolsonaro é uma pessoa sensível a este drama brasileiro (alto custo de energia)  e reagiu à sua maneira:

“Tá certo que eles entendem. Taxar o sol, ô pessoal, já vai para o deboche. Vai haver uma grande reunião do setor com o Bento (Albuquerque, ministro de Minas e Energia) na quinta-feira (dia 7/11). Devemos estimular o consumo sem qualquer taxação”

E aqui vai minha pergunta ao presidente:

Como o senhor foi pego desprevenido depois de 1 ano sobre um assunto altamente “debatido” no MME e os principais interessados em desacelerar o crescimento da energia solar no Brasil ????

Reconheço que os usuários de energia fotovoltaica devem pagar para usar o sistema de distribuição e transmissão e até impostos para vender seu excedente de energia.

Mas a verdade é que existe um grande conflito de interesses entre as distribuidoras de energia e os consumidores que investem em energia solar para auto consumo.

Como nós, consumidores residenciais e comerciais cativos (ligados a uma distribuidora) é quem majoritariamente garantimos a contratação de longo prazo da oferta futura via projetos de longa maturação (concessões de 30 anos), estimular a fotovoltaica virou um “problema” para empresas do setor e seus negócios bilionários.

Caso as distribuidoras sejam obrigadas a fazer contratos de compra energia futura e não terem para quem vender, elas perdem dinheiro. Caso um bom pagador coloque energia fotovoltaica em sua casa ou comércio, ela concentra consumidores inadimplentes na sua base de arrecadação.

Vira um problema para o Estado também, visto que os impostos médios sobre a energia consumido é da ordem de 30%

Um exemplo da CELPA  que se aplica ao resto do Brasil

 

O vídeo do Instituto Ilumina ajuda a entender os “conflitos com o sol” na questão energética brasileira

 

HÁ SOLUÇÃO?

O afegão médio brasileiro já achou sua. E um novo problema para as distribuidoras.

VÍDEO: ENERGIA SOLAR NÃO SEJA OTÁRIO NÃO HOMOLOGUE AUTO CONSUMO – Mais de 600 mil visualizações

Certa vez ao ser questionado sobre a necessidade energia nuclear – se não me engano em um Roda Viva – Enéas Carneiro cravou que o Brasil não precisava de produção de energia nuclear, pois era o “Império do Sol” e o futuro estava na energia renovável.

Infelizmente também somos o Império dos monopólios, oligopólios, impostos e de um Estado que pouco faz pelo contribuinte.

Então caros leitores, não se iludam. E procurem suas soluções caseiras, porque até hoje governo nenhum foi capaz de fazer uma coordenação correta e gestão de conflitos justa no setor elétrico.

É só olhar para sua conta de energia elétrica, ano após ano.

 

 

 

FONTES:

http://www.mme.gov.br/web/guest/pagina-inicial/outras-noticas/-/asset_publisher/32hLrOzMKwWb/content/ministro-defende-modernizacao-do-setor-eletrico-como-trabalho-conjunto-do-governo-e-legislativohttps://www.midiamax.com.br/brasil/2019/apos-criticas-a-aneel-bolsonaro-diz-que-quer-estimular-energia-solar-sem-taxar-usuario http://www.absolar.org.br/noticia/noticias-externas/mudanca-regulatoria-na-geracao-distribuida-solar-fotovoltaica-e-prematura-no-brasil-alerta-absolar.html https://www.ilumina.org.br/risco-hidrologico-uma-licenca-poetica-artigo-de-edvaldo-santana-no-valor/

Sobre o Colunista

Guilherme Galvão Villani

Guilherme Galvão Villani

Mariliense. Gosto pela Administração, Contabilidade e Finanças. Atua em Mercados de Capitais. Agente Autônomo de Investimentos.

6 Comentários

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  • Obrigado por trazer o tema. Estou preocupadíssimo.
    Nossa empresa está sufocada pelos altos preços de luz, o custo é tão alto que basta nosso hotel ter ocupação superior a 80% que a conta de luz ultrapassa – sim, ULTRAPASSA – a folha-funcionários-líquida-no-mês. —> não conseguimos já faz três anos sequer contratar para o verão porque até o verão está enforcado: a taxa de água é alta, gás é alto e os impostos então, nem comento.

  • O que a ANEEL propõe é o fim dos subsídios indiretos a energia solar, me parece razoável que seja cobrada pelo uso do sistema de distribuição e pela estabilidade da rede elétrica que é fornecida pela Usinas hidrelétricas. O caminho pelo qual o MME está andando é o oposto do proposto pelo Bolsonaro. Na minha opinião, o ministro bento defende mais Brasilia e menos Brasil, uma vez que não apenas vai manter a ideia falida que é o MRE e ainda vai criar um negócio chamado lastro energia, que nada mais é que um grupo de tecnicosburocratas de Brasilia calcular quanto cada usina merece receber independente de produção, todos os consumidores terão de pagar e será difícil comprovar. O MME será o maior centro de Lobby do Brasil.

  • Por aí Márcio… Ao invés de incentivarem o uso da solar como uma complementação do consumo, principalmente para estabelecimentos comerciais (que funcionam durante o dia), criam todo tipo de dificuldade para a energia solar.

    Deveriam contratar usinas por potência e manter o sistema equilibrado via reservatórios, mas o interesse do Mercado Livre na volatilidade de preços é gritante…

    Transformamos um sistema estável em um emaranhado de hipótese computacional que só gera insegurança. Inflação galopante em energia para sempre enquanto não mexerem no que realmente interessa…

  • Como é que o Ministro Paulo Guedes quer dar um “choque de energia barata” se o Estado não investe adequadamente em Geração de Energia Elétrica em grande escala (Hidroelétricas e/ou Usinas Atômicas)? Não se cria matéria/energia do nada, pelo menos é isso que me lembro das aulas de Física e Química. 😉 KKKKKKKKKKKKKK! 😀

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