CPMI começa audiências discutindo conceito de fake news



Agência Brasil

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito de fake news começou ontem (22/10) uma série de audiências públicas para ouvir pesquisadores e autoridades sobre como o fenômeno pode ser definido e quais as suas características. O objetivo é delinear o problema de modo que os parlamentares possam dar as respostas a ele.

A relatora da comissão, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), explicou que o tema foi escolhido para balizar os trabalhos do colegiado. “A ideia de que iniciássemos o trabalho com audiência que debatesse o conceito de fake news foi justamente para que pudéssemos iniciar buscando chegar a pontos de unidade que nos levasse à compreensão de como o fenômeno ocorre e como podemos combatê-lo”, declarou.

O professor de comunicação da Universidade Federal da Bahia e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD), Wilson Gomes, caracterizou fake news como uma prática própria do mundo digital que teria aparecido em 2016, tendo como marco as eleições presidenciais dos Estados Unidos. No processo, a atuação da empresa Cambridge Analytica – que utilizou dados de dezenas de milhões de eleitores para direcionar conteúdos pró-Trump – foi revelada há dois anos e originou investigações pelo Parlamento daquele país.

A disseminação de conteúdos forjados, continuou o acadêmico, apareceu em um contexto de extrema polarização política impulsionada pela atuação de “grupos de extrema-direita” nas redes sociais. Ela se beneficia da conectividade intensa das pessoas, que chamou de “hiperconexão”, e tem como aspectos fundamentais a alta velocidade da viralização dos conteúdos e seu alcance transnacional.

“Chama-se fake porque são forjadas, falsificações, alterações, fabricações e invenções de fatos. Pode pegar um fato verdadeiro e distorcê-lo, fato meio verdadeiro meio falso. Pode inventar um fato. O problema não está somente em ser fake, mas no caráter maligno, para destruir reputações. Não é parte do jornalismo, é parte da política, daquela que chamam de política suja”, delimitou o pesquisador.

O presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Daniel Bramatti, relatou que a organização e seu projeto de checagem Comprova evita utilizar o termo fake news. Isso porque ele não abarcaria a complexidade do problema uma vez que trata de fenômenos diferentes, como sátira, conteúdo com erros factuais ou mensagem com intenção de gerar dano.

Outra inadequação do termo estaria relacionada ao seu uso por políticos para criticar veículos e notícias que desagradam. “O termo foi sequestrado pelos políticos, principalmente pelos autoritários. Chamam de fake news tudo o que o desagrada. Não usamos [o termo] pra evitar essa confusão que alguns políticos estão fazendo”, comentou.

O advogado Walter Capanema definiu fake news como “desinformação com intenção de prejudicar alguém”. Nas disputas eleitorais, acrescentou, a prática pode ter mais de um elemento. Pode ter tanto um sentido negativo, para prejudicar um candidato, quanto positivo, para fortalecer a imagem de um concorrente no pleito.

O comandante do Comando de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro, general Guido Amin Naves, creditou o surgimento das fake news à explosão do uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). Ele destacou que a profusão dessas mensagens está relacionada às facilidades de produção e difusão destes por qualquer um.

Naves alertou que o debate sobre o combate às fake news deve considerar as novas formas utilizadas para esse tipo de material. Ele citou o caso do que vem sendo chamado de deep fake (ou conteúdo profundamente falso, em tradução livre).

Nesse universo estão vídeos e áudios adulterados, em que uma imagem de um indivíduo ou personalidade pode pronunciar um discurso de forma fabricada. “Hoje ver e ouvir não é mais crer. Estamos na era da pós-verdade onde a prevalência do fato cede espaço à prevalência da intenção de quem dissemina”, opinou.

Novas audiências serão realizadas nas próximas semanas para abordar outros aspectos do problema, bem como agentes relacionados a supostas práticas de desinformação nas eleições de 2018, um dos objetos da comissão. Segundo a relatora, Lídice da Mata (PSB-BA), já há mais de 80 requerimentos aprovados convidando os mais diversos agentes para oitivas no colegiado.

Sobre o Colunista

Ricardo Roveran

Ricardo Roveran

Estudante de artes, filosofia e ciências. Jornalista, crítico de arte e escritor. Escrevo por amor e nas horas vagas salvo o mundo.

Twitter: @RicardoRoveran

9 Comentários

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  • Fake News é qualquer conteúdo de direita ou conservador aos quais a esquerda abominam!!
    Não interessa se for verdade ou se for liberdade de expressão !!
    Canalhas e mais canalha quem assinou esse lixo, né Major Olímpio ??
    O termo surgiu na entrevista do arrumo mostrando que a CNN despeja notícias falsas e a chamou de Fake News e a esquerda se apropriou !!

  • Fake News é qualquer conteúdo de direita ou conservador aos quais a esquerda abominam!!
    Não interessa se for verdade ou se for liberdade de expressão !!
    Canalhas e mais canalha quem assinou esse lixo, né Major Olímpio ??
    O termo surgiu na coletiva de imprensa do Trump mostrando que a CNN despeja notícias falsas e a chamou de Fake News e a esquerda se apropriou !!

  • Lembrando-se de que PUNIR e/ou CRIMINALIZAR Fake News NÃO É CENSURA, heim!? Liberdade de expressão é uma coisa, agora criar, espalhar, disseminar, compartilhar MENTIRAS é outra coisa completamente diferente e, no futuro, quem for PEGO vai se dar mal. Há dezenas de projetos para punir Fake News e esses políticos de Brasília com certeza aprovarão alguma coisa. É só uma QUESTÃO DE TEMPO… 😉 KKKKKKKKKKKKKKKKKK! 😀

  • A CPMI é uma realidade. Os conservadores não podem mais atuar como se ela ainda fosse uma ideia.
    Ficar falando, apenas, que ela visa desestabilizar o governo não adianta mais.
    É de extrema importância, portanto, que os conservadores atuem em todos os flancos que já estejam em confronto.
    Devemos nos utilizar da própria CPMI. Devem atuar como se a ideia de abrir uma CPMI tivesse partido da própria direita.
    Aprofundar, por exemplo, o caso de Patrícia Campos Mello que proferiu fake news ao publicar mentiras de que “empresários” teriam bancado uma campanha de disparo de notícias.
    Ou o caso do Ricardo Noblat, quando divulgou uma foto falsa de duas manifestantes que pediam a aprovação da reforma da Previdência e do pacote anti-crime.
    Ainda de Mônica Bergamo, que espalhou fake news de que Bolsonaro teria se escondido no banheiro para escapar de xingamentos.
    Não esquecer de Oscar Vilhena, que espalhou fake news sobre uma mentirosa defesa de Bolsonaro de esterilização forçada.
    Ah… tem o O Google que confirmou um pagamento para promover um site que propagava fake news….

  • Atualmente, Fake News Digitais estão enquadrados e tipificados no Direito Criminal como “CRIMES CONTRA A HONRA” (Calúnia, Injúria, Difamação) e a condenação pode chegar à indenizações de R$ 40.000,00, fora despesas com advogados, sucumbências, taxas judiciais etc. Aprovando-se novas leis que PUNEM e CRIMINALIZAM especificamente Fake News Digitais, o Judiciário terá mais instrumentos jurídicos para atuar, fora a possibilidade de condenar por PRISÃO! Mentirosos, fiquem espertos! 😉 KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK! 😀

    https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2019-01-11/carla-zambelli-vaquinha.html

  • Fake News ? Porque esta americanização ?
    Continua sendo a boa e velha mentira.
    E quem faz da mentira a matéria prima de suas atividades é a esquerdalha.
    Se tornaram tão bons nisso , que elegeram um analfabeto , alcoólatra , tarado sexual e egocêntrico terminal para presidente, e pior de tudo , dizem que foi o melhor presidente do Brasil.
    Deus quando fez o mundo , fez muitas coisas certas , mas fez uma coisa errada muito importante . Quando alguém dissesse uma mentira , deveria cair duro , preto e morto para trás por causa disto. A vantagem é que não haveria esquerdas nem comunismo em todo mundo.
    Mas Deus , na sua infinita bondade fez as cobras venenosas , os jacarés , as aguas vivas que matam só pelo contato , e porque não os esquerdalhas também ? Todos os outros problemas foram resolvidos com a inteligência , mas Deus na sua infinita sabedoria , sabe que a inteligência contra eles não funciona e espera o dia que vamos apelar para a ignorância e resolver este problema . É um desafio que exige coragem que poucos tem.

  • @Sergio Moldura , não, muito pelo contrário, são VOCÊS! Vocês são CAMPEÕES em espalhar Fake News na Internet e Redes Sociais. Estão espalhando tanto que vocês estão sendo reconhecidos pela alcunha de “O GOVERNO DAS FAKE NEWS”! 😉 KKKKKKKKKKKKKKKK! 😀

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