Crítica do filme – Enemy of the State (Inimigo do Estado) - Terça Livre TV
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Crítica do filme – Enemy of the State (Inimigo do Estado)

O filme Enemy of the State foi lançado em 1998 e no Brasil chegou com o nome “Inimigo do Estado“.

O enredo é sobre um político que deseja passar uma lei de segurança no congresso americano. Esta lei implica em legalizar para a CIA, NSA e o FBI a vigilância dos lares, das ruas, dos comércios, de todos os lugares públicos e privados, secretamente. Enfim, trata-se da extinção da privacidade em nome da segurança. Um biólogo chamado Daniel Zavitz, dedicado a observação das aves filma acidentalmente um assassinato. O congressista discorda de um membro da NSA sobre a aprovação da lei e é assassinado ali mesmo no local. A agência descobre que o biólogo estava no local estudando animais e filmou o ocorrido e passa a persegui-lo em busca das provas antes que cheguem à mídia. Durante a fuga, ele joga as provas na sacola de compras do advogado Robert Clayton Dean que nada tem a ver com o assunto. Em fuga Zavitz morre e o alvo passa a ser Robert. A agência vira de cabeça para baixo a vida do advogado e o incrimina. Robert acaba conhecendo Edward Lyle (Brill) um ex-agente da NSA que se isolou por saber as atividades da agência e não concordar. Robert e Brill terão que provar quem são os verdadeiros criminosos para se libertarem de uma perseguição policial e tecnológica implacável.

O roteiro é lento até a metade do filme, demora para desenhar o cenário e apresentar os personagens. Da metade em diante o filme realmente começa e o ritmo a partir deste ponto é frenético. Não faltam informações para acompanhar o raciocínio linear. A leitura possível é sobre os limites da segurança em detrimento da liberdade, mas a forma como é apresentado não é nem um pouco honesto.

Há marxismo cultural pesado neste filme:

  • O congressista liberal que está contra a vigilância é dos democratas.
  • O chefe do sindicado é racista e italiano. O terrível homem branco ocidental odiado pela esquerda.
  • O jornalista que vai salvar o dia se chama “Lenin”, é ativista-pacifista e escreve para jornais de esquerda.
  • O agente do FBI se chama “Führer”, numa clara alusão a Hitler.
  • O casamento é primitivo – diz uma vendedora ao personagem Robert. É Marcuse puro.
  • Direitistas são maus.
  • Judeus são mau caráter.
  • EUA são acusados de ajudar o Oriente Médio contra a União Soviética.
  • Brill declara usa táticas de guerrilha comunista contra o FBI.

Nada disto é por acaso, estas informações estão declaradas e registradas nas falas dos personagens no próprio filme.

A fotografia é boa, inclusive as cenas de ação são exemplares com tomadas de câmera velozes e apenas cortes necessários. A música é o clássico orquestrado que apenas informa o estado de espírito, mas não emociona. A edição é competente e precisa, mas não faz milagre pois apenas a fotografia colabora.

O elenco varia entre o excelente e o muito fraco. Will Smith como o aguerrido Robert Clayton Dean foi fantástico. Gene Hackman como o experiente Edward Lyle (Brill) é incrível. A dupla de protagonistas tem uma sinergia convincente que faz parecer que se conhecem há anos. O resto do elenco todo é fraco.

A direção foi boa, mas pecou na música e o roteiro atrapalhou explorar a mensagem central. Como eu venho dizendo há muito tempo, o marxismo cultural deforma o arco narrativo e a curva dramática.

A produção contou com um orçamento de US$ 90 milhões e alcançou uma bilheteria de US$ 250 milhões que não chega a ser alta, mas é razoável. O filme foi indicado a 21 prêmios dos quais ganhou 5.

Uma nota 6,0 é suficiente. Os pontos positivos são para a fotografia, os dois protagonistas e o tema escolhido. Se não fosse a deformação do roteiro pela predileção ideológica, o desenvolvimento teria potência de um 1984 de George Orwell.

 

Trailer de Enemy of the State (Inimigo do Estado)

Fonte: Blog do Ricardo Rovervan

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