ArtigosRicardo Roveran

Crítica do filme – The Theory of Everything (A Teoria de Tudo)

O filme “The Theory of Everything” sobre Stephen Hawking foi lançado em 2014. No Brasil chegou com o nome “A Teoria de Tudo“.

O enredo é baseado no livro “Travelling to Infinity: My Life with Stephen” de Jane Hawking (no Brasil o livro se chama “A Teoria de Tudo: A Extraordinária História de Jane e Stephen Hawking“) e conta a trajetória de Hawking, desde o final de sua adolescência até a conferência nos EUA, logo após a separação com Jane, passando pela manifestação de sua doença degenerativa, sua admissão na Universidade de Cambridge, seu casamento com Jane, seus filhos, as dificuldades do casal, a ajuda que receberam dos cristãos, a elaboração de suas teorias e a admissão de que estavam erradas, o lançamento de seus livros, a evolução de sua popularidade, enfim, todos os fatos aparentemente mais relevantes constam nesta linha narrativa.

O roteiro tem velocidade média e não deixa faltar informações para um raciocínio linear. Há algumas mensagens trabalhadas no decorrer do longa que competem em relevância, entre conteúdo político de esquerda, ativismo ateísta, um bom humor mesmo com sua doença que traduzido significa que é possível ser alegre mesmo em grandes adversidades e em tempo integral uma maciça insistência na inexistência de Deus que quando somada à alegria de Hawking em sua enfermidade, significam dizer que Deus é desnecessário, além de tudo.

O filme pode ser resumido numa manifestação de desprezo à figura de Deus, entre as citações políticas e ativismo encontram-se:

  • Logo de início Hawking posiciona-se a favor do desarmamento nuclear
  • Questionado sobre ter alguma crença, afirma: “Cosmologia é uma espécie de religião para ateus inteligentes.
  • Ele chama Deus de “ditador celestial
  • Novamente questionado, profere: “Um físico não pode permitir que seus cálculos sejam atrapalhados pela crença em um criador sobrenatural.
  • A narrativa faz questão de pontuar que além de ateu, Hawking é socialista

Curiosamente a película retrata sua obra como uma sucessão de fracassos teóricos, nos quais ele mesmo admite estar errado e reformula suas próprias teses.

A fotografia é um trabalho muito bom da metade para frente, nos momentos em que indica profunda introspecção, pois no início transmite apenas a alegria e leveza de um jovem promissor. A música é meramente técnica, mas competente. A edição é precisa e me parece ter sido um trabalho oneroso, principalmente da metade para frente.

O elenco possui duas personalidades fortes que merecem elogios: Eddie Redmayne foi ótimo como Stephen Hawking e Felicity Jones sensacional como Jane Hawking. Todos os demais também foram bons e não há deméritos neste time.

A direção consistiu na orquestra deste conglomerado confuso de história do autor com ativismo político, que não soou bem. Inclusive sua atuação como físico não ficou clara, mas suas preferências políticas sim, o que é inadmissível. Poderia ter sido muito melhor, retratando um cientista ao invés de um ativista.

Jane Hawking fez afirmações contrárias ao filme em sua entrevista ao site português Sábado: segundo ela, Stephen tornou-se tirano após o lançamento de seu livro “Uma breve história do tempo“, era preciso lembra-lo que de ele não era um deus, declarou que fora mais enfermeira do que mulher e que diferente do filme, ele jamais lhe disse sequer obrigado.

Ainda na entrevista para o site, disse Jane que suas intenções com o livro eram abordar a vida de pessoas com doenças degenerativas e ter a chance de contar sua história, com receio de que alguém contasse outra versão, diferente da verdade. Isto é relevante pois o filme faz questão de pontuar que Stephen é um socialista, enquanto Jane na entrevista ressalta que suas amizades após a fama envenenaram-lhe a cabeça.

A produção contou com um orçamento baixo de US$ 15 milhões e alcançou uma bilheteria pífia de US$ 98,4 milhões. Foi indicado à 146 prêmios, dos quais ganhou 25 e entre eles 1 Oscar para Eddie Redmayne, que realmente fez um excelente trabalho de atuação.

Uma nota 6,5 é generosa: o resultado é confuso.

Trailer de The Theory of Everything ( A Teoria de Tudo )

Fonte: Blog do Ricardo Rovervan

Tags
Ver mais

Ricardo Roveran

Aquariano bonitão. Estudante de artes, filosofia e ciências. Jornalista, crítico de arte e escritor. Escreve por amor e nas horas vagas salva o mundo.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Close