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DIA DO ÍNDIO QUE NÃO É CANIBAL

Allan Dos Santos
19 de Abril de 2017

Uma criança sendo enterrada pela própria tribo.

Exceto pelos dentes, cabelo, genitais, unhas e ossos — que são colocados do lado de fora da aldeia dos Tupinambás como alerta —, tudo vira refeição. A tribo canibal que habitava no litoral sudeste do país. Dom Pero Fernandes de Sardinha foi comido vivo junto com 90 tripulantes da sua embarcação na praia do litoral de Alagoas pelos índios caetés em 16 de junho de 1556. Ainda hoje, em pleno século XXI, a tribo kulina, que vive na cidade de Envira, Amazonas, comeu – sim, canibalismo mesmo – Océlio Alves de Carvalho, de 21 anos, deficiente intelectual, em Fevereiro de 2009. O corpo dele foi esquartejado e encontrado por familiares, sem órgãos e vísceras, perto da aldeia na época. A polícia informou ter ouvido uma testemunha, que afirmou ter visto os índios comerem órgãos da vítima. Os representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) chegaram ao local no dia seguinte ao sepultamento, e sendo procurada pela imprensa para comentar o caso, não quis se pronunciar.

Segundo o laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) de Envira, a morte foi provocada pela quantidade de facadas no corpo da vítima, que tinha cerca de 60 marcas, seguida de esquartejamento. “Os órgãos foram assados em uma espécie de ritual na aldeia. Não foram encontrados o coração, cérebro, fígado e outros pedaços do corpo”, disse o sargento José Carlos Correia da Silva, da Polícia Militar, e que também responde pela delegacia da cidade.

Ainda de acordo com ele, os índios suspeitos foram identificados apenas pelos nomes civis que usam no convívio social. “São índios civilizados (IMAGINE SE NÃO FOSSEM). Não sabemos os nomes indígenas, apenas como são chamados na cidade”, disse o sargento.

A prática canibal das tribos aruaques e tupinambás é conhecida por qualquer historiador e sociólogo honesto.

Carne humana era bem mais que um petisco para os antropófagos brasileiros. O canibalismo, na cultura desses povos, envolvia cerimônias que evocavam o sobrenatural. “Eles acreditavam que o indivíduo ganha força pela assimilação de outros, poderosos e perigosos, sejam guerreiros inimigos, sejam parentes mortos”, afirma o historiador John Monteiro, da Unicamp.

Hans Staden, por ser alemão, foi poupado pelos tupinambás que o capturaram em Ubatuba (litoral de São Paulo) em 1549. Prisioneiro dos índios, ele presenciou rituais antropofágicos e seu relato – ilustrado pelo contemporâneo belga Théodore de Bry – é o mais detalhado já feito sobre os canibais brasileiros.

No ritual tupinambá, segundo os relatos do alemão, a vítima nunca era morta na mesma hora que chegava à aldeia. A preparação para sua degustação podia levar dias, até meses. Na chegada, o inimigo era levado para uma cabana só com mulheres e crianças. Elas o agrediam e cantavam canções de vingança. Depois, penas cinzentas eram coladas ao seu corpo e suas sobrancelhas eram raspadas. Amarrado no centro da aldeia, ele tinha à sua volta uma roda com todos os índios, que cantavam e dançavam por horas. A partir daí, o prisioneiro era tratado como rei. Davam-lhe uma mulher para servi-lo. Se ela tivesse um filho dessa relação, os índios o criariam até a idade adulta – para então dar-lhe o mesmo destino do pai. A tribo convidava amigos de outras aldeias para participar do banquete. O ritual em si começava quando as vasilhas estavam cheias de uma beberagem à base de raízes fortes e todos os convivas estavam presentes. O prisioneiro participava da farra da taba, que atravessava a noite com danças e bebida farta. Enquanto isso, em uma das cabanas, era pendurado o tacape que daria o golpe fatal no pobre coitado.

No dia seguinte, nada de curtir a ressaca na rede: os índios construíam uma cabana só para o inimigo morrer. Lá, ele passaria a noite bem vigiado. De madrugada, os algozes entravam na cabana para cantar e dançar em volta do prisioneiro até o nascer do Sol. Então, eles derrubavam a cabana e faziam uma fogueira a dois passos dele. Todos se pintavam com uma tinta cinza. O cacique pegava o tacape e golpeava o prisioneiro na nuca. As mulheres levavam o morto para o fogo, raspavam-lhe toda a pele e tapavam-lhe o ânus com um pau, para que nada escapasse por ali.

Depois da raspagem, um dos homens da tribo fazia as vezes de açougueiro:cortava as pernas do defunto acima dos joelhos e os braços rente ao tronco. Chegavam, então, 4 mulheres que pegavam um pedaço cada uma e corriam com eles em volta das cabanas, cantando e gritando – era o ponto alto da festa, quando toda a tribo entrava em êxtase. Então chegava a hora de assar a carne e reparti-la entre os convidados. Os miúdos, assim como a cabeça, eram dados às mulheres, que preparavam com eles uma sopa, servida só a elas e às crianças.

Não se sabe exatamente quantos grupos indígenas praticavam a antropofagia. O hábito durou até o século 17 – embora há relatos de tribos que assim o fazem até hoje, como no caso de 2009 – quando a catequização acabou com ele nos territórios controlados pelos colonizadores. Até hoje os ianomâmis conservam o hábito de comer cinzas de cadáver, como forma de homenagear um amigo morto.

Em 21/12/2015 houve uma matéria da Folha de São Paulo sobre INFANTICÍDIO que é praticado até hoje na Amazônia. Então, fica aqui minha pergunta: o problema era a COLONIZAÇÃO mesmo?

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