Entenda a reeleição de Maduro

Maduro - Lopez - Capriles
 


As eleições presidenciais da Venezuela aconteceram, efetivamente, em 20 de maio de 2018. Maduro tentava reeleição mesmo com crise econômica e reprovação global, e mesmo assim “foi reeleito“.

A votação deveria ter acontecido em 22 de abril do ano passado, mas foi adiada para maio após um pacto entre Maduro e a oposição.

Em 2018 a programação inicial era para que acontecessem em dezembro. A decisão de adiantar para abril foi motivo de disputa política no país. A oposição queria 10 de junho. A situação propunha 18 de março. Houve impasse e as negociações fracassaram. A Assembleia Nacional Constituinte era exclusivamente partidária do Governo. A oposição chegou a cogitar a retirada de seus candidatos do pleito.

Desta disputa de datas começaram a surgir as primeiras suspeitas de fraude.

Escassez de recursos, hiperinflação e descontentamento popular já eram fatores inegáveis e a oposição apostava nisso para derrotar a poderosa máquina criada por Maduro.

Alguns líderes da oposição fugiram do país com medo, outros estavam presos e impedidos de participar da corrida, principalmente os mais fortes opositores do ditador: Leopoldo Lopez, Henrique Capriles, Antonio Ledezma, Freddy Guevara , David Smolansky, María Corina Machado e Miguel Rodríguez Torres.

Os principais partidos políticos da oposição foram desqualificados após terem sido forçados a registar-se pela segunda vez em menos de um ano pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), por não participarem nas eleições municipais de 2017. Hitler fez algo parecido?

A oposição criou na época o movimento Somos Venezuela (Nós somos a Venezuela).

Segundo as pesquisas da época, Maduro liderava a corrida contra dois adversários: Henri Falcón, um chavista arrependido, o pastor evangélico, Javier Bertucci, e Reinaldo Quijada, que apoiou Hugo Chávez publicamente.

Maduro foi acusado pela oposição que uniu-se em torno do movimento de tentar legitimar uma ditadura.

O comitê eleitoral decidiu então mudar a data de 22 de abril para 20 de maio. Na véspera desta nova data as pesquisas apontavam vitória de Henri Falcón.

Falcón inesperadamente rompeu com a oposição.

Infelizmente, Falcon sucumbiu à tentação de participar e jogar o jogo da ditadura“, declarou Juan Pablo Guanipa, líder da primeira divisão da Justiça de Capriles.

Luis Romero, líder do partido de Falcón, disse que o melhor método eram as pesquisas e que os manifestos populares que causaram quase 130 mortes em 2017 eram ineficazes.

No processo eleitoral, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), encarregado de supervisionar as eleições também era (e ainda é) controlado por Maduro.

O governo bolivariano foi acusado de excluir candidatos da oposição, escolher candidatos, intimidar eleitores, comprar votos e oferecer comida àqueles que votarem no presidente.

Maduro disse em transmissão de vídeo pelo Facebook que o salário mínimo da Venezuela subiria 58% em 1º de março, para 392.646 bolívares por mês, ou 1,84 dólar, segundo o site DolarToday, que acompanha de perto a taxa do mercado negro. Ele também elevou em 67% o subsídio de passagens de comida dos venezuelanos para 915.000 bolívares por mês, o equivalente a US $ 4,29.

Em uma visita ao Delta Amacuro, Maduro entregou oito lanchas, nove ambulâncias e reabriu o Aeroporto “Antonio Díaz” Tucupita, entre outros anúncios, violando o artigo 223 da Lei Orgânica de Processos Eleitorais que proíbe o uso recursos estatais durante as campanhas eleitorais, bem como uma das prerrogativas do Acordo de Garantias Eleitorais assinado pelos candidatos presidenciais ao CNE.

Em 8 de maio, o ditador prometeu em campanha “casas, gasolina e trabalho” em Puerto Ayacucho.

“Todo que tiver um ‘Carnê da Pátria’ tem que ir votar em 20 de maio. … Eu estou pensando em dar um prêmio ao povo venezuelano que saia para votar com o ‘Carnê da Pátria’ estou pensando…”

— Presidente Nicolás Maduro, 28 de abril de 2018

Segundo o Datanalisis, Maduro tinha no máximo 32,2%, contra 45,8% de Falcón.

O ditador passou a acusar os Estados Unidos de conspiração para se apoderar do petróleo venezuelano.

Finalmente, em 20 de maio, as eleições aconteceram. Maduro “venceu” e foi “reeleito” numa disputa em que 54% da população se absteve de votar e que segundo o pesquisador Félix Seijas, Maduro obteve 1,7 milhão de votos a menos que na eleição anterior de 2013.

Em 2013 as eleições foram em março, na Venezuela.

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), fundado por Hugo Chávez, comporta-se como dono do país, promovendo a Revolução Bolivariana, inicialmente liderada pelo próprio Chávez.

Maduro afirmava praticar o “socialismo do século 21“, de Chávez.

Em 2017 ele mandou fechar 49 veículos de comunicação que não se alinhavam com o Governo. 13 juízes da sala constitucional do tribunal supremo de justiça (TSJ) foram trocados por magistrados simpáticos a ele. Até a CNN ele tirou do ar no país. Centenas de empresas foram estatizadas. Setores inteiros como cimento e aço, são controlados por seu Governo. Mercados municipais foram militarizados para tentar conter a inflação. Assustados, grandes grupos saíram do país. A GM, antes de sair teve uma fábrica tomada pelo estado.

Sobre o Colunista

Ricardo Roveran

Ricardo Roveran

Estudante de artes, filosofia e ciências. Jornalista, crítico de arte e escritor. Escrevo por amor e nas horas vagas salvo o mundo.

Twitter: @RicardoRoveran

Comente

Clique aqui para comentar

Colunistas

Juliana GurgelJuliana Gurgel

Católica, produtora, doutora em artes da cena, professora e aikidoista.

Paulo FernandoPaulo Fernando

Advogado, professor de Direito Constitucional e Eleitoral para concu...

Polibio BragaPolibio Braga

Políbio Braga é um jornalista e escritor brasileiro. Nascido em S...