‘Estamos sim em último lugar’, afirma o ministro da Educação sobre Pisa 2018



“O Brasil está sim em último lugar”, afirmou o ministro da Educação, Abraham Weintraub durante coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (3) sobre os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), referentes a 2018.

O Pisa 2018 foi aplicado em 79 países e regiões a 600 mil estudantes de 15 anos. No Brasil, cerca de 10,7 mil estudantes de 638 escolas fizeram as provas. O relatório foi divulgado ainda hoje.

“Foram 79 países avaliados. O Brasil ficou, na América do Sul, em último lugar em matemática. Todos os outros países ficaram na frente. A Argentina ficou empatada, mas empatada em último. Em Ciências, também ficou em último lugar, empatado com a Argentina e também com o Peru. Não tem o que discutir, o número é absoluto. E em leitura, o Brasil não ficou em último: ficou na frente também da Argentina e do Peru. E Só.”, afirmou o ministro, que pediu aos jornalistas compromisso com a verdade para divulgar os dados.

De acordo com ele, os péssimos resultados obtidos devem-se à técnica aplicada pelo governo do PT durante todos estes anos. “Não dá nem para atribuir ao Temer, que ficou muito pouco no poder”, afirma.

O ministro também frisou que o Brasil investe em educação básica e ensino médio, em dólares, a mesma quantia que os países da América do Sul e fica, ainda assim, em último lugar. “Porque a técnica é errada. O objetivo não é ensinar, o objetivo é outro e o resultado: Estamos sim em último lugar”, declarou.

Ele destacou que o país segue estagnado desde 2009. “Não houve progresso, estatisticamente, a despeito do que já foi investido, estamos de lado”.

Abraham também reforçou que o governo atual nada tem a ver com o resultado do Pisa e pediu para que os jornalistas colocassem isso no jornal.

O ministro foi enfático ao pedir compromisso da imprensa com a verdade. “Briguem aí com o redator, coloquem isso nas matérias”. E pediu para que parassem de mentir ao dizer que ele errou na divulgação dos dados. Ele ainda firmou o compromisso de que o resultado do Pisa de 2019 é por sua conta.

Os dados

As pontuações obtidas pelos estudantes colocam o Brasil no nível 2 em leitura, no nível 1 em matemática e também no nível 1 em ciências, em uma escala que vai até 6.

Pelos critérios da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) , o nível 2 é considerado o mínimo adequado.

Ao todo, quase metade, 43,2% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível 2 nas três disciplinas avaliadas. Na outra ponta, apenas 2,5% ficaram nos níveis 5 e 6 em pelo menos uma das disciplinas.

O Brasil ficou abaixo das médias dos países da OCDE. Em leitura, os 37 países membros do grupo, composto por exemplo, por Canadá, Finlândia, Japão e Chile, obtiveram 487 pontos em leitura, 489, em matemática e 489, em ciências.

Como na avaliação 35 pontos equivalem a um ano de estudos, o Brasil está a pouco mais de dois anos atrás desses países. Na OCDE, 15,7% dos estudantes estão nos níveis 5 e 6 em pelo menos uma disciplina e 13,4% estão abaixo no nível 2.

O desempenho na avaliação posicionou o Brasil no 57ª lugar entre os 77 países e regiões com notas disponíveis em leitura, na 70ª posição em matemática e na 64º posição em ciências, junto com Peru e Argentina, em um ranking com 78 países.

China e Singapura lideram os rankings das três disciplinas. O Brasil, nos três fica atrás de países latino americanos como Costa Rica, Chile e México. Supera, no entanto, Colômbia e Peru em leitura e a Argentina em leitura e matemática.

Apesar de participar do relatório, os resultados do Vietnã não são comparáveis, de acordo com a OCDE e, por isso não fazem parte do ranking, e a Espanha não teve os resultados de leitura divulgados.

Leitura

O Pisa é aplicado a cada três anos e, a cada edição, a ênfase é em uma das disciplinas. Nessa edição, o foco é em leitura.

Em 2009, último ano, em que o foco foi em leitura, o Brasil obteve 412 pontos. De acordo com a OCDE, o Brasil não apresentou grandes saltos desde esse ano.

“Depois de 2009, na matemática, assim como na leitura e na ciência, o desempenho médio pareceu flutuar em torno de uma tendência estável”, diz o relatório.

Matemática e ciências

Após queda na última avaliação, em 2015, a nota dos estudantes brasileiros em matemática voltou a crescer, mas apenas um a cada três estudantes, 32%, teve o desempenho mínimo – nível 2 ou superior. Entre os países da OCDE, três a cada quatro estudantes, 76%, obtiveram esse resultado.

Apenas 1% dos brasileiros está no nível 5 ou 6 em matemática. A média da OCDE é 11%. Esses alunos podem resolver situações complexas matematicamente.

Em ciências 45% dos estudantes brasileiros estão pelo menos no nível 2 e 1% está entre os melhores. Entre os países da OCDE, essas porcentagens são respectivamente, 78% e 7%. As informações são da Agência Brasil.

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