Notícias

Extremistas islâmicos estão tentando apressar a vinda do Mahdi

Publicado no National Review por JOEL C. ROSENBERG* – 11/09/2015

Subestimar a natureza e a gravidade do mal é arriscar ser por ele surpreendido.

Há catorze anos – em 11 de setembro de 2001 –, os Estados Unidos foram pegos de surpresa pelas forças do islã radical. Antes de 11 de Setembro, os líderes americanos, com razão, entendiam que a vasta maioria dos muçulmanos do mundo era geralmente de pessoas comprometidas com a paz e que não representavam uma ameaça à nossa segurança. Mas eles fracassaram a entender o que estava se passando, ainda mais no que diz respeito à teologia, ideologia política e estratégia operacional de homens como Osama Bin Laden.

Os resultados foram devastadores. Os ataques contra o World Trade Center, contra o Pentágono, e em Shanksville, na Pensilvânia, mataram cerca de 3.000 americanos, juntamente com pessoas de 93 outras nações, no ataque furtivo mais devastador desde que fomos surpreendidos pelos japoneses em Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941.

Hoje, o presidente Obama e membros de seu governo ainda se recusam a usar o termo “islamismo radical”, mesmo que o rei da Jordânia Abdullah II, um descendente direto do Profeta Maomé, admita candidamente que o Ocidente está engajado em uma “terceira guerra mundial” contra terrorismo islâmico. Abdullah acrescenta que, em seu cerne, “este é um problema muçulmano. Precisamos assumir a responsabilidade. Nós precisamos nos levantar e dizer o que é certo e o que é errado.”

O rei está certo. A ameaça do islamismo radical para os EUA e aliados é grave e permanente.

Dito isso, há uma mudança dramática em curso no mundo muçulmano. A ameaça mais séria que enfrentamos no Oriente Médio e norte da África não é mais o islã radical, mas islã apocalíptico.

Nós não estamos enfrentando apenas um, mas dois regimes regionais, cujos governantes são movidos não apenas por ideologia política violenta, ou por teologia extremista, mas por uma escatologia apocalíptica, genocida, ou uma teologia do fim dos tempos.

A primeira é a República Islâmica do Irã. O segundo é o Estado Islâmico, ou ISIS. Os líderes do primeiro são xiitas. Já os últimos são sunitas. Ambos acreditam que estamos vivendo no fim dos dias, como previsto em suas antigas profecias. Ambos acreditam que a qualquer momento o seu messias, o Mahdi, será revelado na Terra e estabelecerá seu reino islâmico global, impondo a todos a Lei Sharia. Ambos acreditam que Jesus vai voltar, não como o Salvador ou o Filho de Deus, mas como um soldado de Mahdi, e que ele forçará os não-muçulmanos a escolherem entre a conversão ou a morte.

Além do mais, ambos acreditam que o Mahdi virá somente quando o mundo estiver mergulhado em caos e carnificina. Eles apoiam abertamente, e não simplesmente atacar, mas varrer do mapa os Estados Unidos e Israel. Irã e ISIS estão ambos ansiosos para apressar a vinda do Mahdi. Ambos acreditam que o Dia do Juízo Final chegará em breve, quando serão ​​tanto recompensados por suas ações como condenados ao inferno por toda a eternidade. E ambos enfrentam relativamente uma tímida oposição internacional. Consequentemente, ambos acreditam que Alá está do seu lado, que o vento sopra a seu favor, e que a vitória é tão segura como iminente.

Alguns no Ocidente tiveram conhecimento das crenças apocalípticas dentro do Irã através dos discursos do então presidente Mahmoud Ahmadinejad. Mas o Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, tem defendido por muito tempo crenças semelhantes e as expressadas abertamente.

“A vinda do Imã Zaman [outro nome para o Mahdi] é a promessa definida por Alá”, declarou o Aiatolá em 2014. “A caravana da humanidade a partir do Dia da Criação vem se movendo. . . ao tempo da vinda do Imã Mahdi. A espera da Sua Vinda é uma espera que traz esperança e é poderosa, proverá uma maior abertura à sociedade islâmica.”

Mas ele acrescenta que a “batalha” para estabelecer o reino do Mahdi “só terminará quando a sociedade [islâmica] puder se livrar do fronte de opressores, que tem a América como sua liderança.”

Ainda recentemente, em 18 julho de 2015 – apenas quatro dias depois de o presidente Obama enaltecer o seu acordo nuclear com o Irã como uma grande conquista para a paz e a segurança no mundo – Khamenei reafirmou publicamente seu velho objetivo político de destruir os EUA e Israel. “Os slogans da nação iraniana sobre o Dia de Al-Quds [Jerusalém] mostram qual sua posição a respeito”, disse ele em um discurso. “Os slogans ‘Morte a Israel’ e ‘Morte à América’ ressoaram por todo o país, e não se limitam a Teerã e a outras grandes cidades. O país inteiro está unido em prol deste grande movimento.”

“Mesmo depois de assinarmos esse acordo, nossa política para os arrogantes EUA não vai mudar”, acrescentou.

Mesmo o presidente iraniano Hassan Rohani, amplamente aclamado no Ocidente como um “moderado”, exortou os iranianos a agirem com base nessa política. “Dizendo ‘Morte à América’ é fácil”, disse ele quando disputando as eleições em 2013. “Precisamos expressar ‘morte à América’ com ação.”

Consideremos, também, as palavras dos vários líderes do ISIS.

“Realizamos jihad aqui [no Iraque], enquanto os nossos olhos estão voltados para al-Quds”, declarou Abu Musab Zarqawi, o líder da al-Qaeda no Iraque, a divisão al-Qaeda que se transformou em ISIS. “Nós lutamos aqui, enquanto nosso objetivo é Roma, com boas expectativas a respeito de Alá que ele nos faça as chaves para as profecias de boas novas e decretos divinos.”

“O Mahdi virá a qualquer dia desses”, Abu Ayyub al-Masri, líder do ISIS depois da morte de Zarqawi, tem constantemente dito ao seu povo, para que eles recrutem novos seguidores, com a promessa de se tornarem combatentes gloriosos na história das Horas Finais.

“Nossa última mensagem é para os americanos”, Abu Bakr al-Baghdadi, outro líder do ISIS, declarou em uma gravação de áudio em 21 de janeiro de 2014. “Em breve estaremos em confronto direto, e os filhos do islã estão preparados para tal dia.”

No verão de 2014, Baghdadi, um apóstolo fervoroso da escatologia apocalíptica sunita, havia declarado oficialmente o califado, preparando o terreno para o retorno do Mahdi. “Apressem-se, Ó muçulmanos, para o seu califado”, disse ele em julho de 2014. “Este é o meu conselho para vocês. Se vocês se dedicarem a ele vocês conquistarão Roma e serão os donos do mundo, se Alá quiser.” A partir das suas leituras das profecias sunitas do fim dos tempos, Baghdadi viu Roma não apenas como o centro histórico da cristandade, mas como um símbolo das potências ocidentais apóstatas, lideradas pelos Estados Unidos, que em breve seriam subjugadas por forças muçulmanas.

“Vamos conquistar a sua Roma, quebrar suas cruzes, e escravizar suas mulheres”, prometeu um porta-voz oficial do ISIS na Dabiq, a revista online do Estado Islâmico, que leva o nome da cidade síria onde os sunitas acreditam que uma das batalhas finais da história irá ocorrer.

Enquanto os líderes iranianos e o ISIS compartilham de crenças escatológicas semelhantes, eles não são de modo algum a mesma coisa. Na verdade, cada um considera o outro “infiel”. Eles estão em guerra um contra o outro no Iraque e na Síria.

Eles também buscam estratégias muito diferentes. Os líderes do ISIS estão focados no desenvolvimento da infraestrutura territorial, financeira e administrativa necessárias para construir o califado. Os líderes do Irã estão focados no desenvolvimento das capacidades científicas, tecnológicas e financeiras que precisam para construir uma bomba nuclear. Os líderes do ISIS acreditam em cometer genocídio hoje, e, para isso, simples espadas e AK-47 bastam. Os líderes do Irã estão se preparando para cometer o genocídio em outro momento e por isso estão investindo enormes somas de tempo e dinheiro em seu programa nuclear.

No curto prazo, o ISIS é mais perigoso porque já iniciou a sua hecatombe jihadista – roubando, matando, destruindo, escravizando, estuprando, torturando, e decapitando cristãos, muçulmanos e outros. Já no longo prazo, os líderes do Irã são mais perigosos. Devido às inúmeras brechas do recente acordo nuclear, eles serão capazes de esperar o momento propício e, no tempo de sua escolha, construirão um arsenal nuclear capaz de matar milhões de pessoas em questão de minutos.

Os líderes iranianos e do ISIS não estão sozinho em seu fascínio com este tema do fim dos tempos. Tal interesse habita profundamente o mundo muçulmano. De acordo com um relatório de 2012 pelo Pew Research Center, “na maioria dos países do Oriente Médio e Norte da África, Sul da Ásia e no Sudeste Asiático, a maioria dos muçulmanos acreditam que vão viver para ver o retorno do Mahdi.” No Egito, 40% dos muçulmanos acreditam que verão, em vida, a vinda do Mahdi. Na Jordânia, é 41%; entre os palestinos, 46%; no Iraque, um impressionante 72%.

Um grande número de muçulmanos também acreditam que Jesus retornará à Terra na batalha final por Jerusalém. De acordo com o Pew, 29% dos muçulmanos na Jordânia acreditam que isso acontecerá; no Egito, 39%; entre os palestinos, 46%; no Iraque, 64%.

Nem todos os muçulmanos que possuem esses pontos de vista também acreditam em lançar ataques genocidas contra o ocidente. No entanto, isso significa que o universo de muçulmanos dos quais aqueles que seguem o islã apocalíptico podem recrutar é amplo e crescente.

Enquanto a ameaça do islamismo radical continua a ser elevada e séria, a maior ameaça para os Estados Unidos, Israel, e os nossos aliados árabes é agora representada pelas forças do islã apocalíptico, aqueles que não procuram simplesmente nos atacar, mas nos aniquilar, a fim de apressar a vinda do messias. Será que os candidatos à Presidência dos EUA e seus congressistas  compreendem a natureza dessa ameaça? Se compreendem, eles deveriam explicar como farão para contê-la, antes que seja tarde demais.

*Joel C. Rosenberg é o autor best-seller de romances, incluindo o “The Twelfth Imam” (Tyndale, 2013) e “The Third Target” (2015), e de livros de não-ficção sobre o Irã, ISIS, e outras questões do Oriente Médio.

Ver mais

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Close