Fechar ou não fechar? Eis a questão!

Por Italo Lorenzon

Rodrigo Constantino escreveu um comentário ao artigo-resposta que eu e Allan dos Santos publicamos hoje ao Carlos Andreazza. No comentário lê-se:

“Allan dos Santos e Italo Lorenzon, do canal Terça Livre, tentaram escrever uma resposta com argumentos. Digo tentaram porque as ofensas são visíveis, a começar pela tentativa de usar uma imagem de Andreazza no carnaval, que ele adora, como se isso pudesse de alguma forma depreciá-lo.”

Desde quando uma ofensa anula um argumento? Ademais, doer-se por causa de uma piada, uma ironia, que sequer compõe o corpo do texto é forçar demais a barra. Você é melhor que o Reinaldo Azevedo, Constantino!

 

Mas vamos ao diálogo que é o que interessa, certo? Constantino ficou assustado com a resposta que demos ao Andreazza a respeito do fechamento do Congresso. Recapitulemos: Bolsonaro defendeu o fechamendo do Congresso Nacional lá nos idos de 1990/2000. Andreazza tomou isso como prova de que Bolsonaro tem índole autoritária e incompatível, de raiz, com a democracia. Quando pontuamos que resguardar um conceito positivado de democracia não era nossa prioridade, nem da maioria dos brasileiros, Constantino daí supôs que desejávamos uma ditadura. Com Bolsonaro em seu topo, claro. Nada mais falso!

Apenas pontuamos que o sentimento de Bolsonaro era legítimo e não havia nada de obsceno nele. Não que estrategicamente a melhor saída seria, de realmente, dissolver o Congresso. Isso quem dirá serão os fatos e a situação concreta no futuro. Chamar de anti-democrático quem denuncia a inexistência da democracia (e, por consequência, de uma via democrática) faz tanto sentido quanto chamar de estuprador quem promove a castração química de estupradores.

Discussões estratégicas são de outra natureza. Mas antes que as abordemos preciso saber de Constantino o seguinte: quando é legítimo, na sua visão, dissolver um Congresso? Se a resposta for um categórico “Nunca”, fica difícil dialogar com quem adere “às instituições” como dogma.