Felipe Folgosi para o Terça Livre: carreira, mercado e valor estético na arte

felipe folgosi


O Terça Livre conversou nesta terça-feira (28/1), com o ator e roteirista, Felipe Folgosi, sobre carreira, mercado da arte e valor estético de obras culturais no Brasil.

Felipe nos contou como despertou o talento logo na infância, estudou e foi parar no meio artístico, jornada que permanece até o presente. Entre 1993 e 2019, esteve em 23 programas de televisão para grandes emissoras como Rede Globo, Record, Bandeirantes, SBT, Universal e HBO, participou de 6 filmes no cinema, 14 peças de teatro, publicou 7 obras como autor literário e participou de 6 obras no mundo dos quadrinhos, das quais 4 foi autor e 2 roteirista.

Aos sete anos de idade os pais lhe deram de presente o Robinson Crusoe é um romance escrito por Daniel Defoe, com tradução de Monteiro Lobato no Brasil, o que ajudou a formar o imaginário e despertar a curiosidade que o conduziria pelo caminho.

Na adolescência foi trabalhar em uma locadora por prazer: o garoto queria apenas assistir os filmes. “Foi minha primeira faculdade de cinema“, nos contou, nostálgico.

Aos 17 anos, em 1993, atuando em comerciais de TV, recebeu uma proposta para participar de um teste para o seriado Sex Appeal da Globo. “Foi meu primeiro trabalho na televisão, foi todo um aprendizado muito grande.

Como autor, ganhou em 2000 o “Concurso Nacional de Dramaturgia” promovido pelo Ministério da Cultura com a peça “Um Outro Dia“. Em 2014, estreou como roteirista de histórias em quadrinhos, com a graphic novel “Aurora“, publicada pelo Instituto HQ e financiada no site Catarse. Em 2017 publicou uma outra história também pelo Instituto HQ e novamente financiada no Catarse. Ambos os projetos surgiram de roteiros de filmes que não chegaram a ser produzidos. Ainda em 2017, coproduziu o documentário Traço Livre – O Quadrinho Independente no Brasil.

Mercado da arte

Sobre a arte enquanto produto cultural, visto sob a ótica de negócios, focamos a conversa mais no cinema e Folgosi trouxe informações relevantes, traçando um paralelo entre o mercado americano e o brasileiro.

Ele ressaltou que o idioma inglês é muito mais falado no mundo do que o português e portanto as produções dos EUA espalham-se com maior facilidade.

Ainda comparando o desempenho de mercados de outros países, lembrou o panorama no início, no cinema mudo, quando norte-americanos e alemães competiam de igual.

O ator também relembrou os sucessos de bilheteria brasileiros que surgiram da década de 60 em diante.

Além disso, ele trouxe à tona uma importante questão: os fundos de investimentos americanos para a arte, prática que o brasileiro não cultiva.

Acerca do cinema nacional contemporâneo, Felipe abordou o mau uso das leis de incentivo, como desvios de verbas e o tempo que leva para uma boa obra encontrar o espaço no ambiente cultural do país.

Valor estético

Abordando a questão do valor estético dos produtos culturais da atualidade, Felipe relembrou os conceitos gregos do bom, do belo e do justo, e de como estes mesmos conceitos formam um conjunto, citou o pensamento do filósofo e escritor inglês, Roger Scruton e do neuropsiquiatra austríaco, Viktor Frankl.

Folgosi trafegou pelas mudanças e problemas que a arte contemporânea trouxe como a relativização de fundamentos que transformaram boa parte das obras em meras narrativas vazias ou inapreensíveis.

Política no Brasil

Felipe, que declarou publicamente o apoio ao presidente, Jair Bolsonaro, falou um pouco das consequências que recaíram sobre si.

Eu sou contra essa cultura que promove a morte“, disse sobre a corrupção e seus desdobramentos, completando o raciocínio com uma citação de Santo Agostinho.

Além disso, ele também ressaltou os resultados positivos alcançados em 2019, primeiro ano da gestão Bolsonaro, mas foi enfático ao afirmar que se ele errar, o criticará com o mesmo rigor que o enalteceu.

Por enquanto continuo acreditando no governo porque a gente está vendo resultados e acho mais resultados a gente vai ver, enfim já tem gente falando que o país vá crescer 2,5% este ano, e até 3%“, afirmou.

Futuro: uma ideia de vanguarda para os quadrinhos

O que vem pela frente? O autor prepara uma adaptação para os quadrinhos dos roteiros que desenvolveu no passado para o cinema. Trata-se de uma ideia que é reflexo das últimas fases da sétima arte, enquanto as editoras Marvel e DC Comics apostaram em levar às telas as histórias em quadrinhos, Folgosi aposta em transformar em HQ os próprios roteiros.

É como fosse um filme, mas é quadrinho“, explicou.

Trata-se da história de um brasileiro, lutador de artes marciais e artista plástico, que mora nos Estados Unidos e que, distante de sua família e cultura, busca a própria identidade.

É um homem procurando um propósito“, disse sobre o objetivo.

O financiamento da obra será, mais uma vez coletivo. Felipe usará a plataforma Catarse e oferecerá prêmios inovadores, como por exemplo o doador poderá se tornar um personagem desenhado na história, além dos brindes habituais como livros e etc.

O lançamento da campanha está previsto para fevereiro, ou no máximo março deste ano.

É possível acompanhar o trabalho dele nas redes sociais: no Instagram @Felipe_Folgosi, no Youtube com o canal Felipe Folgosi, mas especialmente pela página no Facebook, HqAurora.

Confira a entrevista completa

 

Sobre o Colunista

Ricardo Roveran

Ricardo Roveran

Estudante de artes, filosofia e ciências. Jornalista, crítico de arte e escritor. Escrevo por amor e nas horas vagas salvo o mundo.

Twitter: @RicardoRoveran

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