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Glenn auxiliou e orientou diretamente grupo criminoso que invadiu celulares de autoridades, segundo MPF

 


“Glenn Greenwald, de forma livre, consciente e voluntária, auxiliou, incentivou e orientou, de maneira direta, o grupo criminoso durante a prática delitiva”, diz a peça processual do Ministério Público Federal de Brasília que denunciou o jornalista do The Intercept Brasil por invasão de celulares de autoridades.

Além de Greenwald, outras seis pessoas também foram citadas no âmbito da Operação Spoofing, que apura a invasão criminosa aos telefones.

São apontados indícios dos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e interceptação telefônica ilegal. A denúncia foi assinada pelo procurador da República Wellington Divino de Oliveira.

Vale ressaltar que o jornalista não chegou a ser investigado pela Polícia Federal (PF) devido a uma liminar concedida em agosto do ano passado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Greenwald não fosse investigado ou responsabilizado por receber, obter ou publicar informações de interesse jornalístico.

O pedido de liminar havia sido feito pelo partido Rede Sustentabilidade. Desde junho do ano passado, o Intercept tem publicado mensagens trocadas por autoridades da República, obtidas de maneira ilegal. Glenn alega ter obtido o material de uma “fonte anônima”.

O procurador Divino de Oliveira ressalta que, em respeito a tal decisão, não houve investigação contra Greenwald, mas que ainda assim resolveu denunciá-lo, após ter sido encontrado em um computador na casa de Luiz Henrique Molição, acusado de ser um dos hackers invasores de celulares de autoridades, um áudio em que o jornalista orienta a destruição de mensagens, segundo a acusação.

Diálogo

A peça expõe um diálogo entre Glenn e o hacker Luiz Molição e o procurador afirma que “Molição deixa claro que ainda estão incorrendo na prática delituosa e realizando o monitoramento ilegal das comunicações telefônicas de
diversas contas do aplicativo Telegram”:

GLENN GREENWALD: Tudo bom?
LUIZ MOLIÇÃO: Então, é… a gente… eu tava discutindo com o
grupo, eu queria falar com você um assunto.
GLENN GREENWALD (Gleen): Hã?
MOLIÇÃO: É… como tá agora, tá saindo muita notícia sobre isso,
a gente Chegou… nós chegamos à conclusão que eles tão fazendo
um jogo pra tentar desmoralizar o que tá acontecendo.
GLENN GREENWALD: Uhum.
MOLIÇÃO: Igual, o que aconteceu com o Danilo Gentilli, é… o
MBL, o Holiday, a gente pegou outubro do ano passado. Eles tão
começando a falar disso agora.
GLENN GREENWALD: Pegou o quê?
MOLIÇÃO: A gente puxou o Telegram deles ano passado. Eles tão
falando disso agora.
GLENN GREENWALD: Ah, sim sim.
MOLIÇÃO: Então, tudo o que eles, que já aconteceu…
GLENN GREENWALD: Ah sim.
MOLIÇÃO: Eles tão puxando pra agora.
GLENN GREENWALD: Eu vi isso que alguém publicou alguma
coisa falando que o Holiday e MBL “foi hackeado”.
MOLIÇÃO: Isso. Eles tão usando isso agora. Então, a gente crê
que é um jogo que eles tão fazendo.
GLENN GREENWALD: Mas com com… qual motivo?
MOLIÇÃO: Porque é… como agora tá vindo também notícia do…
dos ata… dos ataques ao Moro, ao MPF, já, já tão pre… prevendo
que vai acontecer alguma coisa.
GLENN GREENWALD: Com certeza, mas eu, isso depende… a a
dificuldade é entender o motivo com que eles tão tentando…
porque… que que estamos pensando é que quando publicamos,
obviamente, todo mundo “vou” utomaticamente pensar que “essa
material” é enganação como por exemplo tudo o que aconteceu
“no semana” passada com Moro.
MOLIÇÃO: Sim.
GLENN GREENWALD: E nós vamos deixar muito claro que
nós recebemos tudo muito antes disso, e não tem nada a ver com
isso, entendeu?
MOLIÇÃO: Uhum. Mas o que acontece? O que eles tão falando
também é que o celular, ele foi hackeado. Não! O que a gente faz é
pegar o Cloud do Telegram. A gente não pegou nada do celular.
GLENN GREENWALD: Entendi. Então, eu sei, eu sei. Mas, é
possível que tenha um “outro pessoa” fazendo isso?
MOLIÇÃO: É provável.
GLENN GREENWALD: Isso é uma coin… é é… é uma coin… é
uma coincidência que…no tempo que estamos prontos para
publicar que isso está acontecendo eram outras pessoas.
MOLIÇÃO: Sim, mas igual a gente falou, nosso perfil não é de é…
fazer… chamar atenção.
GLENN GREENWALD: Eu sei, eu sei , eu sei disso. Então, tem
duas opções obviamente são: um, tem “outro pessoas” tentando
hackear ou hackeando eles, ou o outro é que elas tão mentindo.
Mas eu não posso entender o motivo para mentir.
MOLIÇÃO: Uhum.
GLENN GREENWALD: Porque, por exemplo, se eles
soubessem que… alguém está preparando de publicar ou que, ou
pior ainda, que nós “estamos pronto” para publicar, “eles ia”
pra Tribunal, pegam um ordem do Judiciário proibindo
qualquer publicação ou reportagens com esse material, mas
ainda ninguém fez isso. Então, isso está me deixando a
impressão que eles não sabem quem tem “essa material”.

MOLIÇÃO: Não, saber eles sabem.
GLENN GREENWALD: Porque… oi?
MOLIÇÃO: O Deltan, ele sabe que pegaram. Tanto que ele…
GLENN GREENWALD: Ele sabe que alguém pegou, mas ele
não sabe quem tem.
MOLIÇÃO: Sim, isso é certo, eles não sabem quem pegou.
GLENN GREENWALD: Então, então, para mim que não estou
entendendo é o motivo, o motivo desse jogo. Para fingir com essa
é… ou por que por que eles tão plantando “essas artigos” sobre
como Moro e “Dalton” e MBL está sendo hackeado? Eu não
entendo o motivo. Entendeu?
MOLIÇÃO: Sim.
GLENN GREENWALD: Mas é uma coincidência grande. Eu…
isso é, tem “um chance” muito grande que tem uma conexão com
tudo, tudo disso, mas… nós estamos trabalhando muito o mais
rápido possível para publicar, ah… três artigos no mesmo tempo
que vai ser muito explosivo, e… isso vai acontecer muito logo.

MOLIÇÃO: Sim. A gente também queria saber a sua opinião a
respeito de algo. Como, assim que você publicar os artigos, todo
mundo vai excluir as conversas, todo mudo vai excluir o
Telegram, a gente queria saber se você, o que você recomenda
fazer. A gente tem alguns nomes separados, a gente pegar esse
final de semana já puxar a conversa de todo mundo ou deixar
quieto por um tempo. Porque as… tem tem pessoas que tem um número antigo, ou seja, nem tem mais o número, que dá pra puxar as conversas que tem.

GLENN GREENWALD: Sim. Olha, nós vamos, por que que vai
acontecer? É que com certeza eles vão tentar acusar a gente que
nós participamos na, na no hack. Eles vão tentar acusar que
“nós formam” parte dessa ah… tentativa de hackear. Eles vão
com certeza acusar. Então para mim, mantendo as conversas,
são as provas que você só falou com a gente depois você tinha
tudo. Isso é muito importante para nós como jornalistas para
mostrar que nossa fonte só falou com a gente depois que ele já
tinha tudo.
MOLIÇÃO: Sim.

De acordo com o processo, as falas identificadas em vermelho (nesta matéria em negrito) demonstram alguns elementos importantes: a) o grupo efetuou a invasão de dispositivos informáticos de diversas pessoas, como Danilo Gentili, Fernando Holiday e outros integrantes do MBL ainda no ano de 2018; b) GLENN GREENWALD recebeu o material “hackeado” das contas pertencente ao Procurador da República Deltan Dallagnol, sabia que o grupo não havia encerrado a atividade criminosa e permanecia realizando condutas de invasões de dispositivos informáticos e o monitoramento ilegal de comunicações e buscou criar uma narrativa de “proteção à fonte” que incentivou a continuidade delitiva.

“Na continuação da conversa existe uma aparente confusão entre os interlocutores. MOLIÇÃO é claro ao indicar que quer saber a opinião do jornalista quanto a realizar o “download” das mensagens salvas nas “nuvens” de contas do Telegram que o grupo ainda controlava e que ainda não tinha sido realizada a exportação dos dados”, aponta o procurador.

Você pode ler à íntegra do documento aqui.

 

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