Não existe discurso de ódio, existe discurso criminoso

Claudia Wild - Colunista


A esquerda, em sua eterna busca do lindo paraíso stalinista pós-moderno, procura sempre criar mecanismos de controle. Dentre eles, o mais agressivo, efetivo e vitorioso, é, sem dúvida, o controle semântico, capaz de moldar e subverter a ordem saudável do pensamento humano, seus valores e, consequentemente, seus julgamentos.

Neste sentido, são inúmeras as criações dos nossos “democráticos” marxistas, na sanha de doutrinar, censurar e impor uma nova visão de mundo. Obviamente, a princípio, apresentam um nobre objetivo para uma nobilíssima causa, fundado em inquestionáveis e louváveis virtudes morais. Entretanto, o disfarce é posto apenas para afastar o questionamento dos absurdos que apresentam.

São incontáveis exemplos. A famigerada ideologia de gênero é um deles. Essa ideologia não passa de uma construção absurda que quer porque quer tentar convencer a todos que um homem vestido de mulher trata-se, na verdade, de uma mulher, pois ele assim se sente e vice-versa. Ora, o sexo biológico é imutável e, por mais que o indivíduo não se identifique com ele, continuará a mantê-lo até o último dia de sua vida. O nome científico e correto para a situação é disforia sexual, em que há um desconforto com o sexo de nascimento e uma identificação maior com o sexo oposto. Trata-se de um transtorno/distúrbio da ordem do desenvolvimento sexual, assim catalogado nos anais médicos. Com a apresentação da nova teoria, a “ideologia de gênero”, querem aposentar postulados genéticos imutáveis para dar lugar a uma construção social para a vigência de novos paradigmas.

Outro exemplo, dizer que no Brasil existe uma “cultura do estupro”. Uma falácia sem fim, pois é só darmos uma olhada como a tal “cultura” é vista dentro do universo prisional brasileiro. Um crime que não encontra perdão nem mesmo entre criminosos. O que há no Brasil é a cultura da impunidade que permite que TODOS os crimes sejam praticados, e os seus autores não sejam punidos por suas ações. Com a repetição do embuste, querem, mais uma vez, fiscalizar e dirigir o comportamento humano em prol de suas pautas ideológicas.

Todavia, a mais preocupante inovação semântica do momento é o tal “discurso de ódio”. Nele, poderá ser colocada toda e qualquer manifestação que desagrade à patota dita progressista. O discurso de ódio é a nova ferramenta para calar os cidadãos, calar o senso comum e aprofundarem no politicamente correto. Discurso de ódio não existe. Existem discursos criminosos, discursos que extrapolam no direito de manifestação, e que são devidamente tipificados em lei, que podem trazer crimes variados, tais quais os crimes contra a honra: calúnia, injúria, difamação, que se vislumbram no ataque punível feito contra a honra subjetiva ou objetiva da pessoa. Temos ainda o crime de ameaça, que é ameaçar alguém, por palavras, gestos, ou outros meios, de lhe causar um mal injusto e grave. Outro caso de exposição criminosa é o discurso que incentiva a prática de um crime. Enfim, são inúmeros casos em que poderemos encontrar esse tipo de manifestação delituosa. A intenção é jogar todo e qualquer discurso que desagrade ao politicamente correto (e a agenda progressista) na conta do lacônico discurso de ódio. Assim, poderão controlar o que pode ser dito, escrito e circula na sociedade. Traduzindo em uma única palavra: censura. Trata-se da porca e velha censura com roupinha nova, perfumada e adaptada às necessidades do “novo mundo” que querem criar – tentaram diversas vezes – e que nunca acaba bem.

Ora! Quem extrapola em sua manifestação ou opinião – partindo para a prática delituosa – deve responder por isso, e ponto. A discordância com a vertente politicamente correta ainda não pode ser considerada um crime. A aceitação pacífica da existência onipresente do “discurso de ódio” será um enorme passo para a regulamentação e até mesmo tipificação deste bizarro delito em construção. A ferramenta é perigosa e, caso não seja contida em breve, poderá criminalizar toda e quaisquer opiniões contrárias às dos controladores sociais. Conforme foi noticiado, a ONU promete, por meio de um “Pacto Migratório” a ser firmado entre nações, a regulamentarão e, portanto, a criminalização de críticas e opiniões contrárias à imigração. Segundo ela, ONU, o discurso de ódio será ampliado para que migrantes não sejam discriminados. Vejam que sempre aparece uma proteção nobre e para justificar o controle. Todavia, o que está em jogo é uma nova engenharia geopolítica para que o Ocidente viva uma onda migratória sem precedentes, e que tudo seja feito, de preferência, sem críticas ou opiniões contrárias: o sonho de todo déspota marxista. O paradoxal é que, para a ‘humanista e bondosa’ esquerda, não há maledicência e nem ódio em seus raivosos discursos. O “ódio do bem” é permitido, ignorado e não passa de uma reles opiniãozinha, não é?

É importante que não aceitemos tais imposições, pois delas virão a mais ferrenha censura. As redes sociais já mostram a tendência da criminalização da opinião com suas respectivas sanções, julgamentos sumários e cumprimento das penas impostas pelos justiceiros sociais. O autoritário pensamento marxista nunca admitiu a liberdade de expressão e a democracia. A partir dessas duas premissas, resta a eles recorrerem a todo tipo de inovação para atingirem seus conhecidos fins. A guerra semântica é a primeira guerra a ser vencida. Dela dependerá nosso sucesso na manutenção da nossa liberdade de expressão, nos simulacros de democracia que vivemos.

Sobre o Colunista

Claudia Wild

Claudia Wild

Mineira, mãe do Thomas e bacharela em Direito pela UFMG.

50 Comentários

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  • Esqueceu o “feminicídio”, Cláudia.
    Não se mata uma mulher pelo simples fato de ser mulher!!
    Todo HOMICÍDIO (causar a morte de um ser HUMANO), assim como todo crime, tem uma motivação qualquer, nem que seja uma doença mental.
    Ou será que já criaram a “Mulher sapiens” e eu não fiquei sabendo?

  • O problema é que a ONU tem interferido em muitos países e seus legislativos tem aprovado leis que corroboram as determinações da entidade, é prioridade da nova legislatura brasileira, voltada para a direita, rever pautas já assentadas sobre esses perogosos temas.
    Parabéns, seus textos são sensacionais…

  • Parabéns Cláudia, por nós contemplar com mais um belo texto, ganhamos mais um presente magnífico ao tê-la, expondo suas ideias tão necessárias para nós leitores e expectadores dos rumos que tomam a nossa nação.

  • Parabéns pelo texto brilhante, Cláudia.

    É o q tento explicar para as pessoas que acreditam nesse discurso raso de ‘cultura do estupro’, ‘discurso de ódio’ e ‘ideologia de gênero’. O

  • O controle da narrativa nunca foi tão urgente. Não aceitar a novilíngua e sua prática também é uma das formas de combater, sempre corrigindo a forma, mais ou menos igual um perfil que tem nas redes sociais que é ‘caneta desesquerdizadora’ ou algo parecido.

  • Parabéns a Cláudia pela qualidade de análise e do texto. Muito bom ler textos lúcidos e apoiados na verdade e realidade de vida.
    Parabéns ao Terça, por mais esta aquisição.
    Passo a passo agregando valor e força de opinião neste contexto jornalístico tão carente dos atributos supra mencionados.

  • Estamos juntos Claudia.
    como sempre um brilhante texto.
    Não podem calar a voz, de quem
    luta por liberdade.
    Beijosssssssssssss

  • Com certeza todos nós devemos ficar atentos a qualquer tipo de censura… Só que o que vimos e muitas vezes sentimos a muito tempo, foi a censura que a PETRALHADA estava aplicando em todas as mídias, setores públicos federais, estaduais e municipais, em concursos para qualquer instituição do nosso país, nas escolas e universidades públicas e se expandindo para o setor privado,…enfim, estávamos sendo censurados e a grande maioria dos brasileiros não estáva prestando atenção a isso…ainda bem que os brasileiros acordaram… se a PETRALHADA vai incomodar? Vai sim!…. mas não estaremos mais atrelados aos seus grilhões, mas esperamos que com essa experiência nefasta por qual o governo do PT nos fez passar por 16 anos, tenha servido para os Brasileiros aprenderem a prestar atenção na política do nosso País, escolher melhor quem vai nos representar no governo, aprender a votar….

  • Excelente texto, belo resumo de tempos difíceis no qual passamos. FELIZ POR VÊ-LA NO TERÇA LIVRE!

  • Parabéns Cláudia Wild, a nossa mineirinha de São Gotardo. Nesse texto a Cláudia abordou com muita propriedade a distorção semântica que a esquerda faz para auterar o sentido de palavras, frases e muitas vezes pensamentos, de modo tentar criminalizar todos aqueles que discordam do controle que eles entam impor às maiorias, através do uso das minorias. Com muita objetividade a Claudia mostra como eles tentam criminalizar e catalogar como ódio a cultura construida ao longo de séculos/milénios, quando essa não acolhe as novas propostas divisionistas da esquerda.

  • Claudia, conte sempre comigo. Sou seu seguidor no Facebook e vou repassar tudo que vc postar e eu tiver conhecimento. Indignado com a censura que sofre. Abraços

  • Parabéns, Claudia, você é uma jornalista muito informativa para ter um Brasil em andamento. Temos que pedir o impeachment do STF, a renúncia desses ministros porque não podemos ter um Brasil decente com ditadores-ministros como aqueles que são capazes de libertar bandidos. A população terá que se manifestar e derrubá-los, caso contrário eles ganharam e nosso presidente, Jair Messias Bolsonaro, não conseguirá comandar o nosso Brasil, por isso está na mão do povo brasileiro tomar este galo imediatamente do comando da super corte do Brasil.

  • Parabéns Cláudia Wild pelo texto maravilhoso e verdadeiro. Tem outras palavras imbecilizantes como feminicidio que é usada, inclusive na mídia, que na minha opinião é ridícula

  • Putz… sabe aquela sensação de ter perdido dois minutos de sua vida ao ler um texto com tantas falácias e digressões seletivas. A autora peca pelo mesmo mal que vê no outro, no diferente, pois age da mesma forma, acreditando ser uma pessoa melhor pelo simples fato de pensar e acreditar em algo diferente do seu adverso. Remete-me aos tempos das lutas entre cristãos e muçulmanos, cada um acreditando ser melhor que o outro por ter Deus ou Alah (respectivamente) ao seu lado. Uma humana que não consegue perceber sua mísera e limitada existência humana como a de qualquer outro ser semelhante a ela !!!

  • Claudia, o seu discurso é um discurso de ódio.
    Não se encontra qualquer fundamentação nele que não seja uma fundamentação num ódio a pessoas de esquerda.

    Sei texto me lembro muito uma frase de Carl Gustav Jung onde ele diz:

    “Não percebe você que o fato de ter uma trave no seu olho faz você perceber um cisco no olho do seu irmão e que o fato de você ter uma trave no seu olho faz, logo, você desenvolver a teoria de que todos os ciscos são traves?”

    Esta frase se aplica muito bem a você. Todo o seu discurso é idêntico ao discurso estremando de esquerda só que refletido em um espelho.

    Você fala em controle semântico. Mas quem esta tentando fazer controle semântico é você no seu texto.
    Isto fica claríssimo quando você fala em gênero. O que é gênero para você? gênero é a mesma coisa que sexo biológico? parece que você pensa assim.

    Para você gênero e sexo biológico são a mesma coisa. Mas você que impor para todo mundo isto?

    Para mim sexo é uma coisa e gênero é outra?

    É você quem esta fixando de forma rígida o significado destas coisas, como se estas coisas não pudessem evoluir e atingir novas significações.

    Tudo é uma questão de contextualização.

    Você usa a palavra gênero como sinônimo de sexo. Mas quando se fala de ideologia de gênero este termo ganha outra significação.

    Então tente entender as idéias!!!! Não fique se apegando ao nomina simplesmente. Porque esta atitude deixa o discurso rasteiro.

    Existe “discurso de ódio” sim ele é real.
    Existe a problemática do gênero além do sexo biológico. Ideologias de gênero discutem esta problemática que você demoniza e demonizar as coisas é discurso de ódio sim!!!!

    Escuta este áudio com um texto de Exupery:

    https://www.youtube.com/watch?v=8vjx7pYrpO4

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