Não perca as poucas peças para não perder o jogo

Por Allan Dos Santos

No calor de debate damos alguns golpes pesados e corremos o risco de igualar-nos moralmente aos nossos adversários. Algumas vezes esses golpes são compreensíveis e justificáveis, outras vezes são apenas compreensíveis, mas não justificáveis. Nestes casos, é importante reconhecer que a mão foi demasiadamente pesada, ou, entre tantas outras circunstâncias, que não era para sequer para usar a mão, fosse leve ou pesada.

Certa vez errei nas palavras usadas contra um rapaz ligado ao MBL, pedi desculpas pelas palavras usadas. Errei e aprendi com meu erro. Outras tantas vezes errei e ouvi do Prof. Olavo de Carvalho excelentes conselhos, quando imaginei que seria execrado. Assim é a vida de quem deixa o conforto do anonimato e envolve familiares, o próprio nome e a vida profissional para dar as caras nesta dura guerra cultural assimétrica que nos metemos. Entre erros e acertos, a certeza de termos poucas munições não nos dá o luxo de atirarmos para todos os lados, ou de terminamos o jogo com poucas peças e ficarmos vulneráveis a um xeque-mate, pois mesmo que o adversário sacrifique a Rainha, poderá ganhar o jogo sem muito esforço.

Se a direita brasileira quer ganhar este jogo, onde PT, PMDB e PSDB perdem peças todos os dias, não é diminuindo nossas peças que ganharemos o jogo. Resta-nos a paciência e que aliemo-nos ao tempo, que está a nosso favor. Basta ver o que ocorreu com a CNN nos EUA sem que Trump tivesse que mover um dedo, ou, para usar a imagem do xadrez que agora faço, sem perder nenhuma peça.

Aqueles que não caírem nos clichês de chamarem os discordantes de bolsomonions ou fabianos, saíram do jogo vitoriosos, qual snipers que não ficam em tiroteios com milícias, mas aguardam o tempo e a oportunidade certa para derrubar o Rei em um xeque-mate. Para isso, elevar o debate é fundamental. Pois é lá que somos, nós, o povo sofrido brasileiro, mais fortes e imbatíveis. Porém, sem um mea culpa de nossos erros e infelicidades, nunca teremos a aprovação para entrar no salão dos debates honestos e sinceros. E sem este ambiente, o debate sempre é feito ao modo de queda-de-braço, sem a nobreza do bom e velho combate do xadrez.