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Novo: cada vez menos laranja, cada vez mais “vermelho-estamento”!

Não bastasse a polêmica envolvendo a Agenda 2030 da ONU que o Partido Novo resolveu abraçar, em São Paulo, mesmo tendo pontos de promoção do aborto, ideologia de gênero e outras bandeiras caras à dita esquerda pós-modernas e ao movimento revolucionário, agora, a agremiação liderada pelo presidenciável João Amoêdo resolveu se alinhar com a centro-esquerda e a esquerda radical.

O Novo, na realidade, assina um pacto pela “democracia” que tem como alvo direto a candidatura do presidenciável e deputado federal Jair Bolsobaro (PSL). Apenas isso não é dito abertamente. É uma desonestidade intelectual.

Mas a crítica que deve ser feita não se dá por isso. A questão central é que, na ânsia de atacar o que eles consideram uma ameaça à “democracia”, o Novo despreza algo básico: democracia aí nesse “pacto” é um vocábulo vazio, pois a visão que o campo da direita tem do que é democrático jamais vai se igualar às concepções de esquerda que apóiam, por exemplo, a ditadura de Nicolas Maduro na Venezuela.

O termo “democracia” no tal pacto é apenas um descolamento entre a linguagem e a realidade, pois na essência dos próprios partidos de esquerda isto significa maior intervenção estatal, hegemonia cultural e ideológica, coletivismos acima das liberdades individuais etc; ou seja: tudo aquilo que está em contraposição não apenas ao conservadorismo, mas ao próprio liberalismo clássico que faz o Novo vestir a carapuça de “liberdade com responsabilidade”.

Nada impede o Novo de Amoêdo ser um adversário de Bolsonaro. Seria até importante que a direita tivesse mais de uma via. Amoêdo é livre – e tem que ser – para fazer críticas ao programa de Bolsonaro, às ideias de Bolsonaro e até se colocar como uma opção diferenciada. Nada contra. É legítimo e democrático.

Porém, o Novo abre mão da disputa legítima no campo de ideias para se render a uma estratégia que, tendo em vista a posição de João Amoêdo na pesquisa (figurando ali com 1%), só favorece aos adversários com quem mais – em tese! – os liberais tem divergências.

A questão é simples: em um universo político conservador, a democracia permite a existência do debate com liberais e até com a esquerda. Todavia, em um universo político gramsciano ou marxista clássico, o Novo seria uma sigla a ser destruída, assim como qualquer visão conservadora.

Ou o Novo é formado por idiotas úteis, ou então não tem absolutamente nada de liberal, ao ponto de compreender que o papel aceita qualquer coisa, inclusive vocábulos puramente vazios para dá impressão de concordâncias. E assim se ter um pacto anti-bolsonarista custe o que custar.

O Novo cada vez mais se torna menos laranja e mais “vermelho-estamento”. Como confiar em uma sigla que – na primeira oportunidade – abre mão dos cernes de suas convicções, que dizia não abrir ao não coligar com ninguém, para então formar um pacto com PT, PSDB, Rede, PPS, PV, PSOL e PDT? E incluir nisso aí a defesa de valores como ética e respeito às diferenças.

Qual o respeito que o PT teve com a ética e com a coisa pública nesses últimos anos? Qual respeito essa gente teve com a diferença se bastava o mínimo sinal de discordância para suas militâncias colocarem nos outros os rótulos de fascistas, nazistas e outros “istas”? O Novo, na prática, se torna o adversário do eleitor que quer conquistar.

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11 Comentários

  1. Nota Oficial do Novo

    Sobre a matéria da Folha, o NOVO esclarece que foi convidado para apresentar as suas ideias em um evento do “Pacto pela Democracia”, movimento que reúne mais de 60 entidades – entre elas o Instituto Ethos e Transparência Internacional – além de partidos políticos que têm visões e ideologias diferentes.

    Mesmo não sendo signatário de tal Pacto, o NOVO não se furtará a defender suas ideias e valores onde quer que seja.
    Também não abrirá mão de participar de quaisquer eventos que valorizem a democracia, que incentivem o ato do livre pensar e onde seja dado espaço para o partido difundir livremente seus valores e objetivos, que são tão bem representados pelos seus pré-candidatos e por João Amoêdo, pré-candidato à Presidência da República.

    Partido NOVO 30

  2. Há algum tempo pressinto que a esquerda brasileira mais uma vez sofrerá uma mutação em prol da luta pelo poder, irão se distanciar da associação terminológica comunista/marxista justamente pelo repúdio demonstrado pela maior parte da população a estas ideologias. Eles provavelmente devem sequestrar o termo LIBERAL assim como fez a esquerda do Partido Democrata americano.

    Eu tive este insigth ao ver as bandeiras levantadas pelo LIVRES, seu repúdio ao Bolsonaro e a consequente aproximação deles com a esquerda. Agora vemos o MBL tirando fotos com o CangaCiro e o NOVO fazendo um pacto com os partidos de esquerda.

    O termo LIBERAL soa descolado, moderno, pra frente, sem discriminações, pode ser associado à liberdade e a democracia. Por outro lado eles irão estigmatizar o termo CONSERVADOR associando-o ao retrógrado, manutenção do status quo, repressão, falta de liberdade, opressão, inimigo do progresso e do moderno.

    Aguardemos…

  3. Novo continua sendo o único partido liberal no BR nesse momento, infelizmente inclusive.
    Estou gostando muito dos candidatos deles e de suas idéias, defendem sim o libertarianismo.

  4. Essa nota do Partido NOVO é um absurdo, como os partidos socialistas são a favor da democracia se os mesmos projetaram o maior esquema de poder da América latina, o Foro de São Paulo e ainda por cima apoiam regimes totalitários. Os socialistas não contentes, foram os responsáveis pelas ditadura da Venezuela, Bolívia e Nicarágua, todos os amiguinhos do Foro de São Paulo estão indo para a cadeia.
    A ideologia socialista é antidemocrática a própria história prova isso, onde teve socialismo não teve democracia e liberdade, porque o socialismo diz que o estado deve ser forte e extremamente intervencionista.

  5. essa defesa do bolsonaro é cega. bolsonaro é estatista, ultranacionalista e defende estado grande. e num estado grande, mesmo que se troquem as cabeças das estatais e comandos do establishment o que vai acontecer é que no segundo, terceiro e quarto escalão só tem esquerdista infiltrado. Então ou se defende estado MÍNIMO OU ZERO ou se está compactuando com a perpetuação das esquerdas no poder. Neste sentido, qualquer defesa de diminuição de estado é melhor que o bolsonaro.

  6. A matéria foi objetiva, o que podemos pensar de alguém hipotético que sobe no mesmo palco do PT para defender a honestidade e selo do patrimônio público ou de alguém que resolve defender a integridade dos homossexuais ao lado de bandeiras da Palestina e Irã. Aqueles que concordam com a postura do Novo, só tenho algo a dizer: são idiotas.

  7. Há muito tempo inventaram um “Partido Federalista” e eu gostei das idéias e fiz contato.

    Puro engano. Embora alguns tivessem um discurso muito bom, não era algo sincero. O objetivo não era a difusão de idéias a fim d INFORMAR e promover o debate. Qualquer debate foi, é e sempre será a ruina das canalhices da esquerda.

    Infelizmente a resposta que obtive do PFederalista foi que “devemos primeiro conquistar cargo (eleitos) e só depois fazermos as mudanças” …ora, quem nega aquilo que faz parecer que defende com o objetivo de eleger candidatos, já não presta pra nada. Quem nega o que pensa, não presta e não pensa aquilo que diz, mas aquilo que pratica.

    Enfim, o tal LIVRES que se unia ao PSL e o NOVO não são diferentes do tal Partido Federalista: O objetivo é o mesmo que aquele do surgimento do PSDB (os tucanos que sob as penas falsas são ABUTRES).

    Diga-me com quem andas e TE DIREI QUEM ÉS. …O NOVO nasce VELHO e não será difrente do PSDB: apenas um NOVO EMBUSTE.

  8. Que hipocrisia. Diferente e oposto do João Amoêdo, nenhum candidato fala em cortar dinheiro público para partidos, cortar verbas de gabinete, número de assessores, privilégios, reformas profundas, tudo que o país precisa para moralizar o uso do nosso dinheiro. Esses candidatos que silenciam sobre esses assuntos , sim, é que representam o estamento.

  9. Pessoal, creio que existe um pequeno erro ortográfico aqui:

    “liberal, ao ponto de compreender que o papel aceita qualquer coisa, inclusive vocábulos puramente vazios para dá impressão de concordâncias.”

    Deveria ser:

    “para dar impressão”

    Att.

  10. Bolsonaro, foi o primeiro a falar em estado minimo e em privatização e tem gente aqui dizendo que o cara é “estatista, ultranacionalista e defende estado grande”, não tem uma entrevista dele dizendo isso…agora pq ele declara que não vai vender a Petrobras pra china, diz que ele não vai privatizar, estão de brincadeira. sabemos que todo liberal é a favor do aborto, liberação de drogas, não estão nem ai pros costumes cristãos, só não falam abertamente, para não perder votos de conservadores. Aonde estava o João Amoedo nos governos Lula e Dilma?
    Pra min esta bem claro, em um debate, todos vão se unir para atacar Bolsonaro, espero que não vá em nenhum, pois vai ser um rodizio no ataque e sem direito de resposta. Em um segundo turno serão todos unidos contra Bolsonaro aguardem.

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