ArtigosProf. Paulo Fernando

O almirante negro integralista

João Cândido Felisberto nasceu em Encruzilhada do Sul (RS) no dia 24 de junho de 1880, filho dos ex-escravos João Felisberto Cândido e Inácia Felisberto.

Ainda menor de idade, lutou na Revolução Federalista, em 1893, sob o comando do general Pinheiro Machado. Em seguida apresentou-se na Companhia de Artífices Militares e Menores Aprendizes, no Arsenal de Guerra de Porto Alegre, com uma recomendação de atenção especial, escrita por um amigo da família, o capitão de fragata Alexandrino de Alencar, futuro ministro da Marinha. Desse modo, numa época em que a maioria dos aprendizes era recrutada pela polícia e em que eram admitidos menores de idade nas forças armadas, alistou-se na Marinha do Brasil em 1894. E em 10 de dezembro de 1895 ingressou como grumete no quartel de Villegagnon, no Rio de Janeiro. Entre a Escola de Aprendizes no Rio Grande do Sul e a vida nos navios, aprendeu a ler, escrever, contar e a operar diversas técnicas de navegação. Em 1909, como vinha acontecendo com muitos outros marinheiros desde o ano anterior, foi enviado pelo governo brasileiro à Grã-Bretanha para acompanhar o final da construção de navios de guerra naquele país.

Durante muito tempo, a história oficial, procurou minimizar a importância de líderes de causas populares, de forma que as gerações atuais pouco ou nada sabem a respeito de João Cândido, líder da Revolta da Chibata, que, em 1910, mobilizou marinheiros contra os castigos físicos que lhes eram impostos.

 O mais incrível é descobrir uma página do PCO Partido da Causa Operária (https://www.facebook.com/groups/271844816352156/about/) um grupo de coletivos que visa discutir a temática dos negros usurpando a figura heroica do marinheiro João Cândido.

Em 15 de novembro de 1910, tomara posse na presidência da República o Marechal Hermes da Fonseca, depois de derrotar o jurista Rui Barbosa, que encabeçava a oposição na campanha eleitoral. Mesmo sem alcançar a vitória nas urnas, a campanha, denominada “civilista”, resultou no acirramento da insatisfação com os métodos arbitrários de governo. O primeiro governo golpista republicano, em um de seus primeiros atos, já havia abolido o uso da chibata na Armada. Não obstante, a chibata ainda permanecia em vigor, a critério dos oficiais. Num contingente de maioria negra, centenas de marujos continuavam tendo seus corpos retalhados, como nos tempos da escravidão. João Cândido liderou os marujos brasileiros, descontentes com os baixos soldos, com a alimentação ruim e, principalmente, com os humilhantes castigos corporais, cresceu o clima de tensão.

Os acontecimentos se precipitaram quando, na semana da posse do marechal Hermes da Fonseca na presidência da República em 1910, o marinheiro Marcelino Rodrigues de Meneses foi punido com 250 chibatadas, aplicadas na presença de toda a tripulação do encouraçado Minas Gerais, nau capitânia da Marinha de Guerra brasileira.

Os marinheiros revoltados dirigiram um ultimato ao Presidente Hermes da Fonseca, afirmando:

 “Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros, não podemos mais suportar a escravidão na Marinha brasileira…” do seio daqueles humildes marinheiros surgiu à voz que protestou: “É a última vez! Isto vai acabar!”.

A maioria dos marinheiros que sobreviveram à repressão governamental foi forçada a embarcar num navio em direção ao Amazonas, para trabalhar na produção da borracha. João Cândido, juntamente com aqueles poucos que não foram enviados para o Amazonas, foi aprisionado numa prisão subterrânea na ilha das Cobras, lá permanecendo por 18 meses, na época não foi anistiado.

Em 1933 João Cândido ingressou na Ação Integralista Brasileira e tornou-se o líder provincial do núcleo da Gamboa, no Rio de Janeiro. Em entrevista gravada em 1968 para o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, declarou a amizade fraterna com o escritor Plínio Salgado e o orgulho de ter sido integralista. Banido da Marinha, jamais conseguiu um emprego fixo. Sofreu graves privações. Até a sua morte em 1969, aos 89 anos, João Cândido viveu precariamente, trabalhando como estivador e descarregando peixes na Praça XV, no centro do Rio de Janeiro.

Em 22 de novembro de 2007, por ocasião da comemoração dos 97 anos da Revolta da Chibata, foi inaugurada uma estátua em sua homenagem nos jardins do Museu da República, antigo palácio do Catete, bombardeado durante a rebelião. Dois anos depois, a estátua foi transferida para a praça XV. Em 24 de julho de 2008, foi anistiado post-mortem.

Em singela homenagem do PRONA o então deputado Elimar Máximo Damasceno de SP apresentou o PL que incluía o seu nome nos Heróis da Pátria, infelizmente a proposição foi arquivada.

Resta saber se o Partido da Causa Operária utiliza a figura do marinheiro João Cândido por má-fé ou por profunda ignorância.

*Texto adaptado do discurso redigido por mim para o Deputado Elimar Máximo Damasceno PRONA/SP de quem fui Chefe de Gabinete.

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Um Comentário

  1. Eles não conhecem nada do Brasil, todo revolucionário odeia seu país, povo, cultura e tradição. Ainda tem gente que acredita nesses partidos totalitários, o comunismo foi uma das maiores desgraças que já surgiu na face da terra, está ideologia matou pelo menos 100 milhões de pessoas de diversas etnias, raças e culturas ao redor do mundo. Os comunistas desenvolveram os mais cruéis métodos de perseguição e repressão política.

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