Luis VilarNotícias

O Enem lacrou! Eis a cereja de um bolo antigo que mostra o tamanho do desafio…

Como posto no linguajar pós-moderno: a prova do Enem “lacrou”. Todavia, como mais do que rotineiro neste país, entre lacrações a perder de vista, o óbvio ululante posto pelo filósofo Olavo de Carvalho salta na cara: inteligência é algo que quanto mais se perde menos sente falta.

Neste sentido, nem dá mais para dizer que o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) é uma prova “doutrinadora” para produzir “lavagem cerebral”. Ele não é o ponto de partida. É o ponto de chegada.

Meus caros, a tragédia no sistema educacional brasileiro já foi feita. O que ocorre com o Enem, e não apenas com essa edição, é que ele é a ponta de um iceberg; e o que está submerso, ainda que tenha se tornado visível, é o resultado de longos anos de ocupação dos meios culturais por parte de uma intelectualidade orgânica progressista, dentro da estratégia gramsciana.

Muitos desta parcela de intelectualidade falante, tamanha a distância entre o plano inicial e o agora, já nem mais enxergam para além de onde se encontram, tamanho o reduzido horizonte de consciência que possuem devido a doutrinação que já sofreram.

O Enem é a cereja do bolo de uma decadência moral e intelectual em um ambiente onde se finge que se ensina e se finge que se aprende, com exceções evidentemente. O Ensino Médio tomou o Enem como meta e aplica uma base curricular que despreza o que de melhor foi produzido no conhecimento universal, seja no campo da História, da Literatura, da Filosofia etc.

Essas são informações tão essenciais para ampliar o horizonte de garotas e garotos, educar o imaginário, possibilitar a liberdade e o conhecimento pleno da realidade na qual estão inseridos…

Não bastasse isso, questões como a do “dialeto gay”, que já é reflexo da agenda política assumida pelos governos, apenas atestam o que já vem sendo condicionado em salas de aula.

Exemplo: a prova disso é a própria elaboração da questão em si, que já sabendo da incapacidade de muitos interpretarem o texto, traz como alternativas de respostas as frases curtas, que cobra muito pouco raciocínio, para induzir ao “lacre” sem muita dificuldade.

Como bem colocou o professor Rodrigo Gurgel em 2015: “O Enem não é um exame, não é uma prova. Não…É um exercício de submissão ideológica. É o primeiro exercicio de submissão ideológica antes da entrada na universidade, onde a submissão ideológica se complementará. O governo não quer saber a opinião do estudante. Não…Quer apenas que o estudante concorde com a ideologia que o próprio governo defende, esina e estimula. Se isso não é uma forma de totalitarismo, então o que é?”.

Perfeito!

Com base na reflexão de Gurgel, ainda diria: o governo não quer saber a opinião do estudante porque o governo central quer ser o TODO. O deus-moderno, a máquina em que todos se submetem a ele. Tudo pelo Estado, para o Estado e com o Estado. Sem ponto de divergência, sem discussão.

Se você não concorda, és um retrógrado, ora bolas. Isto quando não és xingado de coisa pior, esvaziando xingamentos de seus reais sentidos para simplesmente silenciar o crítico diante do constrangimento imposto.

No Enem, a coletivização e a massificação encontra seu ápice, onde todos, conduzidos a marcar um X na alternativa certa, desprezam o verdadeiro conhecimento em favor do “lacre” que lhes rouba a sabedoria, lhes furta a real filosofia, o saber a História… e impõe a agenda política de uma ideolgia secular.

Benito Mussolini teria orgasmos múltiplos diante de tal estratégia.

É que o Enem é o previsível fruto de um ambiente de decadência intelectual. O Ensino Médio se voltou a ele reduzindo a grade curricular da maneira mais tacanha possível. Indagem se um aluno/estudante sai da escola tendo lido o básico da Literatura Brasileira… Serão raros os que dirão sim e realmente conhecerão. É um milagre formar um leitor estudioso em nossas escolas.

Tudo virou conteúdo mastigado: o resumo do resumo cujo principal fica de fora. Apostilas ao invés de livros realmente importantes. Recortes que favorecem a uma visão ideológica em aulas superdinâmicas em universos lúdicos que contrastam – sobretudo a educação pública – com a qualidade das estruturas físicas das escolas. Tudo é feito pra dar errado. Esta é a sensação que fica.

No fim, é como fazer um bolo de qualquer jeito porque o que vale mesmo é a cereja: o resultado final que interessa aos engenheiros-sociais dessa intelectualidade orgânica que sacrifica as futuras gerações. Como reverter isso? Fácil diagnósticar. Difícil consertar.

O Enem não é doutrinador. Uma prova por si só não tem competência para isso. Ele é o coroar de um sistema falido, onde pouco do verdadeiro conhecimento universal produzido é aproveitado por conta do julgo progressista ideológco que tomou toda cadeia educacional. E cadeia aqui tem duplo sentido. Muitos professores até possuem boa vontade, mas são tragados pelo sistema, enquanto enfrentam muitas dificuldades. Uma delas: a ausência de autoridade, como temos visto nas agressões sofridas em sala de aula. Detalhar todas levariam laudas e mais laudas.

Os bons professores também são vítimas ao passo que buscam, como podem, exercer o sacerdócio. Sei que há bons professores. Os bem intencionados e que se dedicam, creio que formam a maioria.

Pensando no Enem nesses dias lembrei de uma citação de Winston Churchill. Dita em outro contexto, mas que pode ser adatada. Colocava Churchill, que ainda há um grupo de pessoas, que “combatem lentamente (…) mas cujos nomes nunca serão conhecidos, cujos feitos nunca serão lembrados (…) mas se todos nos esforçarmos, sem fraquejar em nossa fé nem no cumprimento do dever, nossa época será libertada a sombria maldição”.

Temos vistos pessoas assim, que abrem mão do crédito do aplauso fácil e enfrentam guerras culturais e de narrativas contra os que fazem das salas de aula laboratórios de militância política-ideológica. Não é fácil. Que saibamos ouvi-los, sobretudo pais e mães, pois é o bem mais precioso que está em jogo: nossos filhos.

PS: perdoem-me se houver erros de digitação. Diante da pressa que o tema me cobra, optei por escrever do celular. Vejo esta como uma reflexão urgente.

Tags
Ver mais

Artigos relacionados

10 Comentários

  1. Allan seu P.S. veio a calhar. Alguns erros de digitação dificultam sobremaneira a compreensão do texto. Nada como um P.S. que tem como o exemplo um caráter redentor.

  2. Os erros de digitação são insignificantes diante da beleza do texto que transmite de forma clara e assustadora a gravidade da situação. Com exemplos dentro de casa, vendo acontecer na própria família não consegui ver a gravidade da situação. Com os filhos mais velhos tendo sido cooptados pelo Sistema, não falam comigo, vejo o mais novo lutar contra a doutrinação.

  3. Bom dia, isso sim é favorecer uma classe, é importante aos héteros ter que saber coisas que não os interessam, ou não são obrigados a saber, como a questão diz que é uma linguagem secreta dos gays, como podemos querer que os que não são gays saibam? Se eu fosse estudante e tivesse sido prejudicado por essa questão entraria na justiça.

  4. Isso demonstra a debilidade da educação brasileira. Chegamos ao fundo do poço. Quanto tempo levaremos para termos condições de competir com os países mais a anexados em educação? Será necessária uma formulação radical nos curriculum dos ensinos básico e médio, com a máxima urgência.

  5. Sem comentários… Me enoja a situação dantesca em que chegamos e fica a pergunta: – Como fomos subjugados e demoramos tanto a acordar ? Porquê se deixou este “polvo” estender seus tentáculos por tantos anos e em todas as direções? Porquê? Porquê?… Agora o trabalho é de tal monta, que mesmo Hércules pensaria duas vezes em se meter nesta “encrenca”…, mas e aí? E nossos filhos e netos??? O negócio é “vestir a farda e ir para a guerra – [do bem, é claro]”, invertermos a guerra cultural com valores e exemplos de garra, coragem, retidão, respeito, justiça e altruísmo… e que possamos cada vez mais tomarmos espaço na arte, música, literatura, meios de comunicação, enfim…, resgatando nossas tradições, estimulando o livre pensar, apresentar um mundo novo para estas gerações que não mais enxergaram que um teto baixo, logo acima de suas cabecinhas danificadas… , mas acima de tudo, que tomemos conta de nossos próprios lares, pois o “polvo” é imenso e seus tentáculos estão programados para crescer sempre… Que Deus nos ilumine, guie e proteja nesta nobre missão. Meu cordial abraço e muito obrigado!

  6. Pobres criaturas com seus olhos vesgos. Pobres estudantes doutrinados…
    Pobre tempo não glorioso, insalubre, vergonhoso
    Pobre sistema corrupto e afanador dos verdadeiros direitos da vida em humanismo cristão
    Pobre sonâmbulos!!!
    Que venha o novo tempo restaurar todos os valores da criação na Criatura do Criador!
    Família, paz, amor, ordem… Deus
    … Haverão de ser e fortalecer.

  7. Só para fazer um pequeno acréscimo aos demais comentários que foram feitos, isto é, o que podemos classificar de estagnação educacional, provocada por uma ala militante, a qual eu denomino comunista. Em 2016, salve engano, foi divulgado o resultado de um estudo que avaliou o conhecimento de alunos do atual sistema de ensino com aqueles de 30 anos atrás, e para suspreza, são mais burros, desculpem a expressão. Hoje em dia temos candidatos a Dr. da USP que escrevem em suas teses a palavra você com (ss). Poupem- me deste vasto rastro de “conhecimento” que nos é oferecido.

  8. A solução para isso é jogar o ensino público no descrédito, torná-lo uma espécie de SUS, enquanto cursos livres e bons se espalham. Cursos bons, de preço acessível, perfeito para quem quer ensinar de verdade e para quem quer aprender de verdade. O TL Cursos, TL Academia, são exemplos do que estou falando.

    Temos que brigar por menos regulamentação no setor, das profissões, ou dos cursos pelo menos, e brigar pelo ensino domiciliar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Close