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“O Escola Sem Partido não quer trocar uma ideologia por outra”, afirma professor

Escola Sem Partido - seminário
 


(José Roberto Azambuja – Jornalista)

O Escola Sem Partido não quer substituir a doutrinação ideológica de partidos de esquerda pela doutrinação de partidos de direita nas escolas”. A declaração foi feita pelo professor Bráulio Matos, durante o I Seminário do Escola Sem Partido (ESP) no Distrito Federal, realizado quinta-feira (06/06) à tarde, na Câmara dos Deputados. Segundo Matos, “o que nós queremos é que os alunos tenham acesso aos principais pontos de vista ideológicos, sem hegemonia ou imposição de nenhum partido”.

Um dos maiores apoiadores do movimento ESP, Matos defendeu a necessidade de “garantir o direito constitucional do aluno de ter acesso ao conhecimento de maneira ampla e plural, para que sua visão de mundo não fique restrita a apenas um ponto de vista”.

Bráulio Matos é professor aposentado e usou o exemplo de um colega de profissão que interrompeu a aula para fazer um churrasco em comemoração à vitória de Jair Bolsonaro nas eleições passadas. “O Escola Sem Partido posicionou-se contra a atitude e questionou o professor”, destacou Matos. “O docente não pode se aproveitar da presença cativa dos estudantes para promover suas crenças pessoais”, explicou.

Para demonstrar que as preocupações do Escola Sem Partido não são uma particularidade brasileira, Matos citou cinco autores dos Estados Unidos cujas obras denunciam a instrumentalização política registrada em escolas e universidades norte-americanas, onde está havendo doutrinação política e até a tentativa de manipulação da comunidade escolar em campanhas eleitorais: “Não estamos isolados nesta luta pela conscientização”.

Na mesma linha de pensamento do professor Bráulio Matos, o presidente do ESP, Miguel Nagib, afirmou que não deseja que os estudantes recebam nenhuma pregação anticomunista nas escolas. “O aluno tem o direito de aprender e de formar sua própria opinião. Eu não desejo de jeito nenhum que as escolas troquem uma opressão comunista por uma opressão anticomunista”, asseverou.

Para Nagib, o conceito de “doutrinação” se materializa quando há o abuso da liberdade de ensinar pelo professor em prejuízo do direito de aprender do estudante. “É preciso que o professor preste atenção para não confundir a liberdade de cátedra com a liberdade de expressão”.

SEMINÁRIO

O I Seminário do Escola Sem Partido no DF contou com a presença de dezenas de pessoas, a maioria pais e mães de alunos, sendo advogados, jornalistas, comerciantes, políticos e líderes comunitários. A maioria dos presentes concordou que o ESP é uma ideia que já faz parte da realidade brasileira, não só pelo grande número de denúncias de abusos cometidos em salas de aula, “mas também porque cada vez mais os pais e alunos estão conscientes de seus direitos”.

Diferentemente de eventos anteriores, em que o assunto “doutrinação ideológica” foi debatido, desta vez os trabalhos se desenvolveram sem brigas e confusões, possivelmente porque não esteve presente nenhum representante de sindicatos de professores ou de entidades que se apresentam como defensoras dos direitos humanos, cujos membros muitas vezes se dizem contrários ao movimento ESP.

ATIVISMO POLÍTICO

Um dos apoiadores presentes, o procurador Guilherme Schelb, destacou que os professores merecem respeito porque são instrumentos da transmissão do conhecimento. “A maioria dos professores é formada por profissionais conscientes de seus deveres, que exercem suas atividades de maneira correta e respeitosa com o aluno”, ressalvou. “Quem faz doutrinação ideológica não são educadores, são na verdade ativistas políticos travestidos de professor”.

Schelb afirmou que “os ativistas recebem muito mais influência do pensador de esquerda Saul Alinsky, do que do filósofo socialista Antônio Gramscy”. Para ele, se um professor usa sua liberdade de ensinar para divulgar apenas as suas ideologias, ele está na verdade violando o direito de liberdade de informação de seus alunos. “É preciso haver um equilíbrio aí“.

Durante o evento, foi colocado um vídeo gravado em um congresso do Partido dos Trabalhadores, no qual o ex-ministro José Dirceu afirma que o ESP é “a maior ameaça” enfrentada pela esquerda atualmente, porque é nas escolas que se conquistam “as mentes e os corações dos jovens”. O presidente do ESP afirmou que a declaração é uma prova inequívoca de que o Escola Sem Partido é um movimento muito útil à sociedade.

O QUE É O ESP

O Escola Sem Partido é um movimento político formado em sua maioria por pais e mães de alunos e ex-alunos de escolas públicas e particulares. De acordo com os seus apoiadores, a ideia básica é fazer valer os direitos dos alunos e os deveres dos professores, já assegurados pela Constituição Federal, e convencer o Parlamento a aprovar projetos que garantam a divulgação destes deveres em cartazes em todas as escolas do país.

Conforme seus idealizadores, o ESP não é assunto diretamente ligado à Educação, mas sim ao Direito. “A proposta consiste apenas na fixação de um pedaço de papel nas salas de aula, alertando sobre os deveres dos professores, deveres estes já constantes na legislação do Brasil”, justificou Miguel Nagib.

Propostas semelhantes já foram apresentadas em várias câmaras de vereadores e assembleias legislativas, desde a legislatura passada, além do Congresso Nacional. Este ano, a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) apresentou um projeto com este objetivo à Câmara Federal. A proposta conta também com o apoio de diversos outros parlamentares.

FILMAGEM NA ESCOLA

Presente no Seminário, Kicis disse que o objetivo é fazer com que todos fiquem cientes de que os professores não podem ofender, nem constranger alunos por causa de suas opiniões morais, religiosas ou políticas. Ela lembrou que “professores também não podem mobilizar os estudantes para manifestações, nem fazer propaganda político-partidária dentro de sala de aula, sob pretexto algum”.

Kicis observou ainda que a sala de aula é um local público e seu projeto traz a informação explícita de que o estudante pode, sim, filmar a “aula” em que o professor estiver fazendo propaganda partidária e usar isso em sua defesa.

O professor que não for ativista político não precisa ter medo, porque a sua liberdade de ensinar continuará garantida”, adiantou a deputada. “Nós só queremos é coibir os abusos dos militantes políticos”, concluiu.

Sobre o Colunista

Redação TL

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13 Comentários

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  • primeiro ponto, a direita não tem ideologia, a esquerda acusa a direita de ser “fascista e nazista” (essas sim ideologias) mas alguém já viu na direita bandeiras e símbolos fascistas e nazistas sendo usadas? Claro que não, em compensação na esquerda símbolos e bandeiras comunistas tem aos montes.

    segundo ponto, o escola sem partido não impende ninguém de estudar os intelectuais de esquerda ou direita, ao contrário, deve-se estudar e muito os dois lados, oq as pessoas de bem querem é que professor pare de ficar perseguindo alunos que não comunga a sua ideologia, e adivinhem quem não aceita isso? a ESQUERDA, quem são os fascistas?

    terceiro ponto, escola não é lugar para manifestação política, seja de qualquer lado, direita, esquerda ou centro, escola é lugar para ESTUDAR essas correntes políticas e entende-las para que cada um tira a sua conclusão, mas esse é o ponto chave da questão para a esquerda, eles usam e abusam das escolas e universidades como centro de engenharia social marxista, por isso não estão nem um pouco feliz com essa lei, pois acabaria com a farra deles de levar políticos e palestrantes de esquerda para esses centros e perder seu curral eleitoral

  • Sempre leio a proposta da Escola Sem Partido e não encontro algumas respostas como: qual a preocupação desse ideário com a qualidade da educação? Que avanço ela traz na relação ensino/aprendizagem? Com a qualificação dos professores? Com as condições de trabalho dos professores? Com as relações humanas na educação? Enfim, quem pode responder a essas questões. Conheço escola, onde não há papel higiênico, água potável, merenda escolar para os alunos … isso é regra na maioria das escolas brasileiras. Será que o professor que trabalha nessas escolas assim tem tempo disponível para doutrinar seus alunos? Onde estão as evidências científicas dessa doutrinação. Não sou doutrinador, não petista. Simplesmente, gostaria de ver a educação brasileira em outro nível.

  • Dificilmente o projeto foi escrito por alguém com uma mínima vivência em Educação, dado que: i) texto é retórico (dado que a legislação não altera em nada) ii) gasto de energia em questões que não são centrais para a Educação iii) evidência de bolhas sociais na sociedade dividida que ainda acha que vive na Guerra Fria.

  • Sim trocar a educação pela imbecilidade de Amen e aleluia.
    Porquê eh so i quê imbecil de igreja sabe.
    Se eh que sabe alguma coisa.
    AMEN IRMÃOS

  • Existe ou não existe transparência na administração Pública? Pois é, os órgãos públicos não disponibilizam os documentos para consulta, conforme a Lei de transparência, Lei de Arquivo, Lei de Protocolo e muitas outras leis que podem ser encontradas nos manuais de operação do Arquivo Nacional http://arquivonacional.gov.br/br/gestao-de-documentos.html que tem como chefe o ministro Sérgio Moro.
    Bem, vocês sabiam que O Sistema Eletrônico de Informações (SEI), desenvolvido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), é uma ferramenta de gestão de documentos e processos eletrônicos, e tem como objetivo promover a eficiência administrativa.O SEI integra o Processo Eletrônico Nacional (PEN), uma iniciativa conjunta de órgãos e entidades de diversas esferas da administração pública, com o intuito de construir uma infraestrutura pública de processos e documentos administrativos eletrônico. O cumprimento dessa determinação do SEI, entre outras, com auditorias anuais da aplicação do sistema, faria com que o Brasil saltasse para Ranking dos países minimamente sérios.

  • Todos os jornalistas e especialistas, na matéria, se aculturaram nas escolas sem partido, e só foram se tornar “partidários” após sua formação. Começaram pela sua família, a destruindo com ideologia insana de direitos contra a educação dada pelos pais. De serem cobrados de suas inversões de valores, ética e moral, caminhando pela loucuras ideológica socialista, que não tem nenhum lugar neste mundo como uma vitória da vida da população/nação. Todas foram e são criadas nas inúmeras mortes dos discordantes uma mairotia dominada pelo medo da minoria cruel, impondo sua “vontade da maldade”

  • Direita não tem ideologia? Engraçado. A direita conservadora tem posicionamento contrário a tudo que a esquerda diz. Tem várias regras morais sobre o que acha certo e errado. Não aceita diversidade. E isso não é ideologia e não tão tentando impor isso… Ok…
    Só me confirma uma coisa.
    É ingenuidade ou malandragem?

  • O ideal seria que as escolas e faculdades voltassem a ser como no meu tempo. No final dos anos 80, um professor da extinta matéria Estudo do Problemas Brasileiros fez a classe se dividir em grupos para fazer trabalhos sobre as diferentes doutrinas econômicas. O meu trabalho foi justamente sobre o Socialismo de Karl Marx. Mas também tinha grupos de falaram sobre Max Weber, Adam Smith… Não tinha essa do professor dizer que isso ou aquilo era melhor Os alunos descobriam sozinhos.

  • Sim, Alessandro, a esquerda USA a escola. Quem leu a “Pedagogia do Oprimido” daquele velho inútil que destruiu a educação no Brasil sabe que ali ele afirma que o papel do professor NÃO É transmitir conhecimentos, mas viabilizar caminhos para que o aluno faça uma “revolução libertadora” (tal qual os seus exemplo citados no livro, Fidel, Mao Tse Tung, Lênin). Em suma, uma revolução marxista. É exatamente o que muitos professores fazem hoje em dia, ficam tentando fazer a cabeça dos alunos à esquerda. Os maiores exemplos estão nas universidades públicas. Bolsonaro deveria PRIVATIZAR todas elas para desmantelar esses sovietes esquerdistas.

  • Não existe “doutrinação anticomunista”.
    Existe a VERDADE contra a MENTIRA.
    Ademais, conservadorismo não é ideologia, mas pelo contrário, a ausência de uma.

    Por fim, e antes que me xinguem, sou a favor do Escola sem Partido, desde que TODOS os pontos de vista sejam realmente “postos à mesa” nas salas de aula.

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Católica, produtora, doutora em artes da cena, professora e aikidoista.

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