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O dilema da grande mídia: o que fazer com Olavo de Carvalho?

olavo de carvalho
 


A chamada “grande mídia” míngua em relevância e credibilidade a olhos vistos, e parece fazê-lo em tal ritmo que logo perderá também o direito derradeiro de usar o adjetivo “grande” ao seu lado, mesmo que entre aspas simbólicas e irônicas. Lembro-me da madrugada em que colaboradores deste canal (eu incluso) acompanhavam a apuração das eleições americanas de 2016. Naquele dia se consolidaria uma vitória da mídia alternativa por sobre os fabricantes de narrativas cuja preocupação principal consiste em ativismo e engenharia social. Naquele dia no Brasil falharam quase todos (por haver sido, mais uma vez, meros tradutores da CNN), ao passo que acertaram – com precisão – Filipe Martins e o Terça Livre. O motivo pelo qual sabíamos que todos os grandes meios quebrariam a cara era o de sempre: enquanto o “jornalismo” que praticavam consistia basicamente em mentir para o povo acerca do que o próprio povo pensa, ama e quer, no desejo de fazer cada cidadão sentir-se sozinho numa bolha artificial de constrangimento por abraçar opiniões que em verdade não são nada “extremas”, mas universalmente populares e freqüentemente apenas sinônimo de bom-senso, a missão do Terça Livre e congêneres era transparente: contar ao povo os fatos (tão precisamente quanto possível) e ser sincero quanto a suas próprias inclinações ideológicas, especialmente na hora de emitir opiniões.

O descarrilhamento da credibilidade dos meios tradicionais era inevitável, uma vez que no panorama cultural brasileiro a influência de Olavo de Carvalho se tornava cada vez maior. A atual geração conservadora – especialmente sua parcela mais jovem – deve muitíssimo de sua existência e de sua força ao autor de A Nova Era e a Revolução Cultural, cuja voz foi solitária por quase duas décadas.

E esta é a razão pela qual os referidos meios hoje enfrentam um trágico dilema. Durante anos investiram na espiral do silêncio para marginalizar Olavo de Carvalho. A palavra de ordem era não falar dele, para que sumisse do horizonte imaginativo do brasileiro e se tornasse uma “não-pessoa” na distopia estalinista que tentavam emular. Agora se vêem entre dois caminhos igualmente desastrosos: o primeiro é insistir na espiral do silêncio, que já se mostrou tática quase estéril devido aos recursos comunicativos atuais, mas que tem ao menos a vantagem de caminhar em terreno já trilhado; a segunda, que ora vemos ser implementada, é reverter o próprio trabalho de décadas e voltar todas as baterias midiáticas contra o filósofo e contra qualquer um que se encontre no governo Bolsonaro – ou próximo dele – e abrace suas idéias, como Filipe Martins, Ernesto Araújo (cujo discurso inaugural foi absolutamente primoroso), Ricardo Vélez, o próprio Allan dos Santos, etc.

Nesta segunda tática, a meta é visivelmente constranger o presidente e fazê-lo alienar-se de suas companhias mais olavianas, na esperança de fazer restar no governo apenas a influência pragmática militar (cujo patriotismo anti-globalista é visto com incômodo, mas como mal menor) e o liberalismo econômico da equipe de Paulo Guedes. Claramente viram que a alma deste governo, aquilo que lhe dá conexão com o povo, solidez de propósito e ânimo político é seu conservadorismo assumido e politicamente incorreto. É contra isso que lutam, copiando o esforço da mídia americana de procurar, desde o início, expurgar do governo Trump o máximo possível de integrantes conservadores e deixá-lo cercado unicamente por neocons bushistas, entendidos como mal menor ou como oposição controlada.

Esta tática tem como desvantagem óbvia a de reverter tudo que antes fora ganho com a espiral do silêncio, pois as recentes matérias, repletas de imprecisões, são logo acompanhadas de desmentidos, correções e esclarecimentos online, e delas só resulta a divulgação involuntária da pessoa de Olavo, de sua obra e de seus alunos. Em suma, tal como a clara de ovo, quanto mais batem em Olavo, mais ele cresce.

Longe de querer dar sugestões à Folha e semelhantes meios sobre como sair desta queda livre em parafuso (suspense: se é que há saída), prefiro apenas analisar esta simpática situação junto ao leitor, comprar uma cadeira de praia e acessar meu estoque infindável de pipocas de microondas, enquanto assisto ao estatelamento já mil vezes anunciado.

Sobre o Colunista

Luiz Astorga

Luiz Astorga

Luiz Astorga é professor, tradutor e doutor em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Chile.

20 Comentários

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  • Concordo com Olavo de Carvalho…e mais…Presidente Bolsonaro deve ouvi-li como um assessor próximo…vai lhe fazer bem e ao seu governo… ..
    .

  • Rafael Alexandre, não é verdade a sua questão, mas, procure a fonte primária para se informar. Abraços.

  • Recuperar o estrago que fizeram com minha cabeça na escola,está sendo uma luta terrível, Terça Livre,Olavo são duas das ferramentas que estou usando, grato pela contribuição que vocês fazem a mim,bom trabalho e fiquem com Deus

  • Olavo semeou o conhecimento, e a internet divulgou, está aí o resultado. Seguidores de Olavo não são exatamente conservadores e retrógrados como a mídia expõe, são apenas pessoas que lutam por um país mais justo e enxergam além da notícia que a mídia induz seu leitor a acreditar que é verdade.

  • Caro Luiz Astorga,
    Sendo você Doutor em Filosofo,
    Já que você defende tanto Olavo de Carvalho,
    Coloco para você uma questão importante e pertinente a sua área de especialização:

    Albert Einstein plagiou H. Lorentz e Poincaré, como diz Olavo de Carvalho com convicção inconteste?

  • O professor em uns dos seus últimos vídeos que esta pensando em desistir de falar sobre filosofia politica no Brasil, então essa tática não e tão ineficiente assim, sentar-se e comer pipoca vai fazer o Prof. Olavo desistir e ai sim estaremos todos fudidos!

  • Caro Luiz Astorga,
    Em um texto anterior seu, com título “SOBRE O PROCESSO MOVIDO CONTRA O CANAL PORTA DOS FUNDOS” você parece pregar que o Estado deve atuar como um Regulador Moral da Sociedade.

    Você no final escreve:

    “PS: O adjetivo “Livre” em “Terça Livre” não exalta a faculdade do livre arbítrio em si, que o liberalismo trata como sinônimo de liberdade, mas a condição de liberdade em seu sentido mais pleno e verdadeiro: o de um livre arbítrio que, aperfeiçoado pelo conhecimento da verdade e pela prática da virtude, torna-se desimpedido para escolher o bem.”

    E de onde poderia vir este “conhecimento da verdade” que você afirma que deve aperfeiçoar o livre arbítrio? Como o Estado faria para apropriar esta verdade absoluta em um mecanismo capaz de regular moralmente a sociedade?

  • Olavo de Carvalho é só mais um João de Deus da vida, os dias dele estão contados quanto mais pessoas enxergam o mal que ele faz mais desmascarado ele é. Claro ele sempre terá aquele 1% de radicais que idolatram ele. Digamos que ele não é de todo inútil ao fazer contraposição ideológica ao petismo.

  • Parabéns pelo texto.
    Aos Comunistas que vêm visitar a página … Lamento, mas o Olavo de Carvalho já alcançou em vida o resultado esperado: revelar o Sofisma chamado Socialismo.

    “Conhecerei a verdade e a verdade vos libertará”. Jo. 8,32

    Brasil Acima de Tudo, Deus acima de todos !

    Quem não gosta do Verde e Amarelo, siga para China, Cuba ou então, aqui ao lado, a Venezuela.

  • Vivi pra ver você, Astorga, passar de conservador com bom senso para mais um reaça inconsequente. Deve estar com a grana curta pra colaborar com este pasquim de quinta da reaçada.

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