“O partido não se preocupa com isso”, diz Gleisi Hoffmann sobre caso Celso Daniel



O Partido dos Trabalhadores não se preocupa com o caso obscuro do assassinato do também petista, Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André, São Paulo. Essa foi a declaração da presidente do partido, Gleisi Hoffmann, após o meu questionamento durante entrevista.

Nesta segunda-feira (16), a deputada Gleisi Hoffmann e o ex-candidato à presidência da República, Fernando Haddad (PT), concederam entrevista coletiva durante passagem por Belo Horizonte. Foi durante essa coletiva que, embora eu estivesse no meio de jornalistas da grande mídia e cercada por deputados petistas, decidi perguntar aos socialistas sobre um dos crimes mais misteriosos da nossa história envolvendo políticos.

Diante dos defensores de Lula, citei o empenho do PT em descobrir os mandantes do assassinato da ex-vereadora, Marielle Franco (PSOL), e questionei se o partido também se empenhava em desvendar os mandantes da morte de Celso Daniel (PT). Os olhares sobre mim pareciam produzir “vodus mentais”, quase pude sentir as agulhas espetando minhas costas. A tensão, que era já alta naquele instante, iria piorar. Terminei perguntando como o PT reagiu à acusação de Marcos Valério de que o líder maior do partido, Luiz Inácio Lula da Silva, seria o mandante do assassinato do companheiro ex-prefeito.

“O partido não se preocupa com isso”, disse a presidente do PT.

Hoffmann não respondeu a minha pergunta sobre a comparação entre a luta pelo caso Marielle e o desprezo por Celso Daniel, mas afirmou: “não reconhecemos aquilo – a acusação de que Lula mandou matar Celso – e nós temos plena consciência de que o caso Celso Daniel está sendo investigado e está em processo e vai ter a sua finalização pela justiça. O partido não se preocupa com isso”.

O auge do nervosismo diante de minha pergunta, porém, foi quando Fernando Haddad pediu a palavra depois de passar alguns minutos me encarando enquanto Gleisi me respondia. Entre outras coisas, o autor do livro “Em Defesa do Socialismo”, questionou se eu honrava meu diploma após a incômoda pergunta. Eu conseguia imaginar balões de pensamentos sobre sua cabeça – Alguém se esqueceu de aparelhar a coletiva? Quem deixou uma jornalista que não é de esquerda exercer sua liberdade de imprensa justo nesta coletiva?

Recebi cutucões de outros jornalistas e mãos “carinhosas”, de sei lá quem, que tocaram meu braço para que eu parasse de questionar os santos comunistas. 

As gaguejadas e a falta de coerência nas falas de Haddad foram constrangedoras. O petista sequer conseguia manter uma linha de raciocínio, e terminou o discurso desconexo com o famoso “e o Queiroz”?

Assista na íntegra:

Em delação, o empresário Marcos Valério afirmou que o mandante do assassinato de Celso Daniel foi Luiz Inácio Lula da Silva, um dos fundadores do Foro de São Paulo, condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

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