O personagem Dória

Quando Dória doa seu salário para um hospital católico, ninguém em sã consciência diria que isso é uma má ação em si, mas ao saber que ele também doa o dinheiro que não é dele, mas do povo (o dinheiro público, que de público não tem nada) para a parada gay que vê as freirinhas deste hospital como bruxas emergindo do inferno, pode razoavelmente compreender que ele não passa de uma publicidade, um personagem. E de personagens, que de tanto serem moldados, quase nunca são repugnantes, convenhamos que estamos fartos.

O Dória quer comprar a direita conservadora pela conta bancária e pela estima pública — e certamente conseguirá certo êxito, pois a “direita liberal” possui mais meios de ação e agentes culturais que os conservadores.

E mesmo desmascarar este comportamento ambíguo não é o suficiente, pois a massa pensa mais no “santo dinheirinho” que na gravidade e no impacto que gera a imoralidade. Basta a economia voltar a respirar e a massa não se preocupará tanto com paradas gays. É preciso expormos não o personagem Dória, mas o homem real que quase nunca aparece. Afinal, é o Aécio real que causou a repugnância da massa, não o personagem Aécio.

Verdade seja dita: Dória incomoda até alguns do PSDB e o próprio partido poderá servir-nos estrategicamente, forçando-o a agir mais como o personagem que eles querem que o que o povo quer ver.

Aguardemos, prudentemente, sem histerias, algum movimento equivocado do PSDB. Pois isso ajudará mais a vermos o Dória real que o personagem.

Allan Dos Santos