OEA inicia auditoria do resultado da eleição na Bolívia

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Agência Brasil

Oposição não reconhece medida

Uma missão de especialistas da Organização dos Estados Americanos (OEA) começou, ontem (31/10), uma auditoria do resultado da eleição para presidente da República na Bolívia. A auditoria, realizada por 30 especialistas de diversos países, deve levar, no máximo, 12 dias para ser concluída. A intenção é verificar se houve manipulação de dados e fraude em favor do partido Movimento ao Socialismo (MAS), do atual presidente Evo Morales.

Na quarta-feira (30/10), dez dias após as eleições e nove dias de protestos em todo o país, com dois mortos e cerca de 160 feridos, o governo da Bolívia e a OEA fecharam um acordo para a realização da auditoria da votação realizada no dia 20 de outubro. A oposição, liderada pelo candidato Carlos Mesa, principal opositor de Evo Morales nas eleições, não reconhece a medida, e afirma que os termos foram definidos unilateralmente, sem a presença de representantes da oposição e da sociedade civil.

A auditoria acordada entre a OEA e o candidato do MAS não consultou o país nem nossas condições, principalmente as de ignorar os resultados dos cálculos feitos pelo TSE (Tribunal Supremo Eleitoral) e a participação necessária de representantes da sociedade civil no processo. Não aceitamos a auditoria nos termos atuais, acordados unilateralmente”, diz o comunicado do partido Comunidade Cristã.

O governo boliviano, em comunicado transmitido pelo ministro da Comunicação, Manuel Canelas, pediu ontem (30) a Carlos Mesa, do partido Comunidade Cidadã (CC), para expor as condições necessárias para que acate o processo de auditoria. “Nós pedimos à Comunidade Cidadã, pedimos ao senhor Carlos Mesa, que nos enviem quais são as condições para acompanhar e apoiar o processo de auditoria”, disse Canelas.

Estamos abertos na medida em que queremos encontrar soluções, estamos confiantes de que eles nos enviarão suas condições“, acrescentou.

O chanceler boliviano, Diego Pary, disse que a auditoria permitirá sanar qualquer dúvida que possa haver sobre a credibilidade da apuração. “Temos certeza absoluta de que o processo foi desenvolvido com toda a transparência e será a auditoria que finalmente certificará como o processo foi desenvolvido e qual é o resultado deste trabalho“.

Entenda

O sistema de contagem rápida de votos do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) da Bolívia antecipou um segundo turno entre Morales e Mesa na noite das eleições, no dia 20 de outubro. No entanto, após a temporária suspensão das apurações, que suscitou suspeitas e reclamações, o TSE anunciou uma mudança de tendência e finalmente declarou a vitória de Morales no primeiro turno com 47,08% dos votos, contra 36,51% de Mesa.

A lei boliviana atribui a vitória no primeiro turno com mais de 50% dos votos ou com 40% e uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre o segundo.

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Ricardo Roveran

Ricardo Roveran

Estudante de artes, filosofia e ciências. Jornalista, crítico de arte e escritor. Escrevo por amor e nas horas vagas salvo o mundo.

Twitter: @RicardoRoveran

3 Comentários

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  • O socialismo só vence assim, ROUBANDO! Auditoria que só tem um lado? Manipulam as eleições, manipulam a auditoria das eleições…manipulam tudo a seu favor! Quando a população da Bolívia vai tomar uma atitude???? E as forças armadas? Assim eles estão entregues ao socialismo eterno…

  • A população da Bolívia está nas ruas. Ninguém trabalha há 9 dias, estão sem possibilidade de comprar comida, abastecer os carros, escolas fechadas, greve geral… Incrível como pouco ou nada se divulga a respeito.

  • Não adianta fazer auditoria na contagem dos votos, tem que fazer auditoria nos eleitores.
    Não é nazismo e nem fascismo da minha parte , mas uma grande parcela da população acha que um presidente ou governador ou prefeito vai inventar uma formula para sustenta-los sem que tenham que trabalhar. Seu trabalho é bem repetitivo e não traz prazer nenhum prazer na vida , muito pelo contrario. Felicidade é trabalhar toda vida , gostando do que faz , sem se sentir aborrecido um dia que seja. Será que um pobre e miserável vai ter chance de viver assim ?
    Então acreditam em qualquer populista e demagogo , porque não tem nada a perder , por que já não tem nada , e se de repente aparece algo inesperado pela frente , como um Bolsa Família , já é um baita lucro
    Então a pobreza e miséria condena o povo de um pais que seus filhos vivam em mais pobreza e miséria.
    Podem contar os votos quantas vezes quiserem , mas não muda nada .
    Solução ? Se tiver uma que com certeza funciona , não deixe de escrever aqui no Terça Livre.

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Alexandre Pacheco é Professor de Direito na FGV, Advogado, Palestra...

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