Os tiranos que possuem em comum a mente revolucionária... - Terça Livre TV
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Os tiranos que possuem em comum a mente revolucionária…

Como já citei aqui no facebook, em algumas postagens, caiu em minhas mãos um livro chamado Tiranos de Antonio Ghirelli. O autor, que eu não conhecia, é um jornalista e roteirista italiano (pelo que pesquisei) com um vasto conhecimento.

Em que pese eu ter uma série de divergências com alguns de seus pontos de vista e até da falta de precisão ao narrar fatos envolvendo Hitler, Mussolini, Stalin, Lênin, Pol Pot e outros, ele fez um bom trabalho ao comparar as consequências de uma mentalidade revolucionária e separar a avaliação dos regimes totalitários pelos seus cernes ideológicos e suas táticas, pontuando as diferenças e as semelhanças.

Na questão da precisão é que, mesmo que o livro viesse a ganhar bem mais página, acho que melhora o julgamento do leitor se ele definisse melhor alguns atores históricos, saindo um pouco da classificação “direita” e “esquerda”.

Todavia, quando opina de forma mais analítica após apresentar os fatos, Ghirelli mostra a tendência às centralizações por meio do poder coercitivo estatal, limitando liberdades individuais em um Estado que massacra o próprio povo e se utiliza – por meio de seus líderes ou líder – justificativas ideológicas apoiadas em um pensamento pseudo-científico. Foi assim com a “engenharia-social” de Mussolini e o “deus-Estado”, com o questão racial de Hitler ou com a visão da economia como uma infraestrutura no regime soviético, por exemplo.

Ghirelli chama atenção para uma reflexão importante: quanto melhores os meios tecnológicos e maior a possibilidade de comunicação de massa dentro de uma “bolha ideológica” que se impõe pela hegemonia, maior será o número daqueles que aplaudirão e incentivarão o carrasco sem compreender que os próprios pescoços estão em jogo, pois serão – como explica Ghirelli – conduzidos por “slogans”, “chavões” e um vocabulário que não mais dialoga com a razão, mas com os sentimentos e paixões, dissociando-se da realidade na busca de vender um Estado que tudo pode.

A figura do Estado vira um “mecanismo de controle” onipotente que é “vendido” como corretor de todas as injustiças e capaz de produzir um “paraíso na terra” caso esteja nas mãos certas. Obviamente, as mãos certas será sempre a de um líder carismático e populista que domina esses slogans, chavões e sentimentos e os empurra em uma espécie de “psicologia das massas”.

Antonio Ghirelli coloca que as técnicas de dominação passam a ser mais eficazes quanto mais se dominar os meios culturais, produzindo um discurso único em várias frentes que se complementam em um objetivo final que é escondido. Aos meios é entregue apenas às partes. O todo – que será o produto final a ser obtido pelas ideologias promovidas – fica nos gabinetes dos que pensam o processo.

Não raro, todos esses que se apoiam nas ideologias e estão em poder de comando, pensam em um domínio global expansivo. Ainda que não use o nome, ao analisar as mentalidades revolucionárias do passado, ele enxerga ali o globalismo que substitui a ordem espontânea das culturas, tradições, religiões e tudo aquilo que constitui a identidade de um povo. Com o sentimento implantado, quem falar contra ele é inimigo a ser combatido. Com o tempo – como já colocou Hannah Arendt – se banaliza o mal e todo ato que antes seria denunciado como um terror pela própria auto-consciência, se lava na causa.

As consequências drásticas disso se perpetua por gerações como feridas abertas mesmo quando esses regimes caem. Há sempre o risco do revisionismo da própria ideologia, que permanece com o mesmo objetivo, mas só muda as táticas. Isso se dá no interior de algumas pessoas de gerações posteriores àqueles eventos.

De certa forma, a autora Tania Crasnianski mostra isso em uma “futura geração”, quando analisa os comportamentos e crenças de filhos de nazistas que eram crianças quando o nefasto regime de Hitler caiu. Diante dos fatos expostos, a relação de proximidade com pessoas que executavam o mal sem nenhum peso na consciência – e ainda eram vistos como bons pais, bons profissionais e bons maridos ou esposas, pois se lavavam na ideologia como quem limpa as botas no tapete antes de entrar em casa – fizeram essas vidas sofrerem um impacto drástico.

Alguns filhos de nazistas se negam a aceitar o que os pais fizeram e, diante disso, buscam justificativas que ainda fazem com que creiam que a ideologia tinha boas intenções, mas foi deturpada ou perdeu o rumo no caminho. Outros, se converteram ao judaísmo por culpa, mesmo sem terem participado do mal, pois eram apenas crianças. Crasnianski mostra a consequência disso no indivíduo e nos leva a um choque. Confesso que muitas vezes parei o livro para ficar refletindo no comportamento das pessoas ali descritas. Quem tiver o mínimo de sensibilidade percebe o quanto é doloroso.

O Dr. Lyle Rossiter, em A Mente Esquerdista, tem um estudo que mostra as consequências de uma educação revolucionária em crianças e adolescentes. Do ponto de vista da psiquiatria, ele mostra o quanto isso corrompe o ser e a capacidade de contemplar o mundo e tirar as próprias conclusões, pois tudo passa a ser visto de um único prisma ideológico. Rossiter – por ser um cientista – mostra como a mente vai sendo moldada. Em alguns estados, reflete uma personalidade beligerante que avalia como inimigo tudo aquilo que é meramente discordante.

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