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Ovacionado pelo público, “O Jardim das Aflições” é lançado no Recife

Por Fernando de Castro.

(Equipe de O Jardim das Aflições no palco do São Luiz – Foto: Fernando de Castro)

Na noite desta última quarta-feira (28), o documentário O Jardim das Aflições, foi lançado no Festival Audiovisual Cine PE, concorrendo na categoria de longa-metragem. O evento ocorreu no Cinema São Luiz, localizado no centro da cidade do Recife e contou com a presença de quase mil pessoas na Casa, que aplaudiram de forma efusiva o anúncio e os discursos dos produtores da obra.

O longa, cujo nome é homônimo ao livro do filósofo Olavo de Carvalho, aborda pontos localizados na obra literária lançada no ano 2000 e conta com narração do próprio escritor em entrevista ao jornalista Wagner Carelli.

No festival, também foram exibidos os curtas pernambucanos Almas Secas (Elvis Miranda), Marina e o Passarinho Perdido (Marcos França), Soberanos da Resistência (Marcus Cunha), O Ex-Mágico (Olímpio Costa e Mauricio Nunes) e o curta paranaense, Luiza (Caio Baú). No entanto, O Jardim das Aflições (Josias Teófilo), foi o longa-metragem mais aguardado pelo público presente.

De acordo com a estudante de economia da Universidade Federal de Pernambuco, Isabela Lima, o filme correspondeu às expectativas dela. “Além da produção impecável, a linguagem utilizada no filme é acessível mesmo àqueles que desconhecem o trabalho do professor Olavo de Carvalho, tratando dos aspectos filosóficos de maneira riquíssima e sintética”, afirmou.

Um dos produtores do filme “Real – O plano por trás da história”, Ricardo Rihan, também esteve presente no lançamento do documentário. Segundo o produtor, O Jardim das Aflições estimulou nele a disposição para buscar mais conhecimento acerca da obra do filósofo. “Gostei muito de conhecer mais sobre o Olavo de Carvalho, o documentário despertou em mim o interesse em ler os seus livros, conhecê-lo melhor. Ele é sem dúvidas uma figura que nos tira da zona de conforto e nos leva a refletir sobre temas importantes para nós como indivíduos e também como sociedade”, destacou.

(Platéia no São Luiz, minutos antes da exibição do filme. Foto: Josias Teófilo/reprodução)

Para o jornalista e crítico de cinema Marcos Petrucelli, ao contrário do que foi difundido por muitos críticos do documentário, o longa não se trata de um filme político. “[O Jardim das Aflições] Está muito longe de ser uma obra com discurso ‘de direita’, o que vemos é um filme altamente filosófico, abordado com inteligência, embasado na filosofia e na questão humana”, afirmou.

“A melhor noite da minha vida” – Segundo o cineasta pernambucano e diretor do filme, Josias Teófilo, o momento que mais lhe surpreendeu na estreia, foi a recepção do público quando o filme foi mencionado pela apresentadora do evento, a jornalista Graça Araújo. “Foi impressionante. Logo quando falaram do filme, o cinema veio abaixo, nunca imaginei que chegaria a esse ponto”, opinou. Animado, Josias escreveu em seu Facebook logo após a exibição do longa: “Essa foi a melhor noite da minha vida! OBRIGADO”.

Filme – Gravado na Virgínia, nos Estados Unidos, onde Olavo de Carvalho reside, o longa-metragem foi produzido por meio de um financiamento coletivo na internet que arrecadou 315 mil reais para a realização do filme. As cenas mostram a convivência em família de Olavo e a rotina de trabalhos do filósofo em seu escritório, onde oferece um curso online de filosofia. No filme, Carvalho apresenta teses sobre assuntos acerca da tirania da coletividade, expansão do poder estatal, origem das ideias, etc., tendo filósofos como Aristóteles, Platão, Ortega y Gasset, entre outros, como as suas principais referências.

Boicote – Marcado originalmente para acontecer entre os dias 23 e 29 de maio, o evento precisou ser adiado em virtude do boicote assinado por sete cineastas que se recusaram a exibir seus filmes no Festival, em virtude da presença de filmes como “O Jardim das Aflições” e “Real – O plano por trás da história”. Segundo os cineastas, a escolha dos filmes “favorece um discurso partidário alinhado à direita conservadora e grupos que compactuaram com o golpe ao Estado democrático de direito ocorrido no Brasil em 2016” (sic). Sobre o cenário cinematográfico de Pernambuco após esses acontecimentos, Josias é objetivo. “O filme existe e não tem como esconder isso. Vão ter que me engolir”, completou.

Coletiva de imprensa – Realizado na manhã de ontem, no Hotel Transamérica, no bairro de Boa Viagem, o evento contou com a presença de todos os autores dos curtas inscritos no festival e do longa exibido na noite anterior. Participaram da coletiva o diretor de O Jardim das Aflições, Josias Teófilo, o produtor da obra, Matheus Bazzo e o protagonista do documentário, Olavo de Carvalho, que compareceu por meio de uma videoconferência.

(Da esquerda à direita: Matheus Bazzo, Josias Teófilo e a diretora do Cine Pe, Sandra Berttini. Foto: Fernando de Castro)

Coragem – Indagado sobre o boicote e as dificuldades de realizar o documentário, Matheus foi enfático: “É preciso ter coragem. Essa falta de desenvolvimento humano você vê nessa tentativa de boicote, pois se eles têm um inimigo e querem prejudicá-lo, como é que eles tomam uma atitude que os favorecem, no caso, ao tentarem boicotar o filme? Isso é burrice, falta das virtudes humanas, principalmente de coragem”, afirmou.

(“Falta desenvolvimento humano nas pessoas para ler sobre o outro lado”, opinou Matheus Bazzo. Foto: Fernando de Castro)

“Estamos observando a autodestruição da esquerda” – Durante a coletiva, o filósofo Olavo de Carvalho deu algumas explicações sobre o filme e o contexto do cenário político atual. Segundo ele, a política ideológica de esquerda está a fenecer na medida em que o tempo avança. “Nos últimos 50 anos, o marxismo está tendo um descrédito intelectual no mundo inteiro, com isso, as esquerdas do terceiro mundo estão reduzindo suas esferas de interesse de uma maneira deplorável, de modo que o ideário da esquerda atualmente se resume em slogans e chavões destinados a explorar frustrações sexuais e ressentimentos pueris, é isso e nada mais”, detalhou.

(O filósofo Olavo de Carvalho em videoconferência. Foto: Fernando de Castro)

O Festival seguirá até o dia 03 de julho e se encerrará com premiação aos inscritos.

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