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Pelo semblante se reconhece um homem – Ou adoradores de Dorian Gray

dorian gray
 


Juliana Gurgel

A obra ‘O Retrato de Dorian Gray’, de Oscar Wild tem estado presente nestes atípicos dias em que vivemos. Enxergo o personagem criado por Oscar Wild, equivalente a várias personalidades públicas da atualidade que, à sua maneira, vivem como Dorian Gray. Gray, de beleza fascinante e magnífica, conseguiu manter-se fisicamente incorruptível, mesmo diante de uma vida cheia de ações pútridas e abjetas.

Dorian Gray tinha a proeza de se manter incólume dos efeitos físicos de sua vileza, graças a uma obra de arte, um retrato em tamanho real realizada em sua homenagem pelo nobre pintor Basil Hallward. De forma extraordinária cada degradação da alma e espírito de seu retratado, em consequência de suas atitudes, era a pintura que se deteriorava e não o semblante ou corpo de Dorian Gray. Sendo assim, era impossível aos seus pares crer que tal perfeita e cândida figura, fosse capaz dos atos mais abomináveis e mesquinhos que um homem poderia realizar.

O pintor Basil Hallward, diante de todos os relatos da decadência de seu amigo e modelo, era incapaz de acreditar no que contavam, afinal, como poderia aquela perfeição ser capaz de ações tão hediondas? Basil, dizia sobre o retrato, “pus demasiado de mim mesmo nele”, e por isso mesmo, não conseguia dissociar a beleza da pessoa eternizada na pintura, da perfidez de sua alma. Esta incapacidade, lhe custou a vida. O receio de ser exposto pelo seu ‘criador’ Basil, fez com que Gray o assassinasse.

Como apenas a criação de Oscar Wilde possuiu o efeito fantástico de reter no retrato as consequências físicas do retratado perante suas afrontas à vida, muitas figuras públicas, diante da ausência de tal recurso, começam a ser expostas por seus atos, mostrando assim, a abominação de sua alma. Podemos ver em suas atitudes e feições as mazelas de seu espírito: “Pelo semblante se reconhece um homem; pelo seu aspecto se reconhece um sábio. As vestes do corpo, o riso dos dentes, e o modo de andar de um homem fazem-no revelar-se” (Eclesiástico,19.26-27).

Não há produtos estéticos e cirurgias corretivas que restaurem uma alma despedaçada. “Pelo semblante se reconhece um homem”; o que foi suprimido dos pares de Dorian Gray, não nos é negado. Estamos enxergando. Observamos o escárnio e prazer de uma atriz militante esquerdista, pró-aborto, ao relatar de forma detalhada o que faria com uma determinada pessoa se a encontrasse na rua. Por acaso essa pessoa é o nosso Presidente. É o Presidente da República, mas antes de tudo, é uma pessoa de bem. Ele não é, como algumas figuras públicas de nosso país, um bandido, corrupto, mentiroso, terrorista, abortista, pedófilo ou homicida. É um homem de bem. No entanto, isso não importa, ele é um desafeto e isso justifica ser tratado como inimigo, apenas por pensar diferente da feminista.

Dorian Gray estremecia diante da possibilidade de ser revelado e ter seus pecados expostos em seu rosto. De modo semelhante, todo aquele que vive de aparência teme que sua casca seja violada, pois dessa forma, ficaria notório a decadência do conteúdo interno.

As vestes do corpo de um homem, fazem-no revelar-se. A frequente ausência de vestes daqueles que se despem no carnaval e escarnecem de Deus, demonstra como a mentalidade revolucionária está disseminada em festas e folguedos do país, na tentativa de tornar a degradação do corpo uma conduta natural. Tais apreciadores da folia, vale ressaltar, se despem muito menos de suas roupas, do que de sua moral, uma moral artificial como a perfeição de Dorian. Quando a mídia, artistas e “formadores de opinião”, propagam todo vilipêndio da fé cristã como uma “releitura”, “homenagem” ou “atualização”, eles estão na verdade, incentivando e legitimando ações grotescas como “arte” ou “manifestação cultural”. O brasileiro comum não precisa ser “iniciado” em nenhuma linguagem artística para compreender que crucifixos inseridos em todos os possíveis orifícios humanos, concursos de Jesus Trans ou sangue e excrementos derramados em objetos de fé, como a cruz ou imagens de Nossa Senhora, por exemplo, não são performances artísticas e sequer um comportamento digno de uma pessoa equilibrada.

É possível encontrar diversos Basil Hallward’s. São aqueles que não percebem a baixeza de artistas e celebridades oportunistas. São pessoas que continuam a promover o “trabalho” de artistas e insistem em convencer o homem comum de que essas pessoas são relevantes. Elas não são. A arte é relevante. O artista é um instrumento da arte, não a arte em si. Os artistas devem servir a arte e não se servir dela.

A arte está sempre acima de seu representante. Estes artistas, pequenos, medíocres e malignos, são pintados diariamente por Basil Hallward’s, seja na arte, no youtube, no jornalismo, na política… Esses agentes de casca colorida, vão consumindo sua própria aparência, e como não se alimentam da verdade, apenas de si mesmos (e daqueles que o adoram), começam a definhar. Definham em declarações grotescas, em ações vexaminosas, em sonhos mesquinhos e acima de tudo, definham por negar às próprias almas, o encontro com a Verdade.

Mas, devemos reconhecer que a Verdade não se esconde. A verdade não é camuflada por refinamento e sofisticação daqueles que traem seus telespectadores e muito menos daqueles que traem uma nação em prol de um projeto de poder ou uma biografia “imaculada”.

Após uma Semana Santa de corações partidos sem o Sacramento, devemos lembrar que a Verdade é uma pessoa. É a pessoa de Jesus Cristo, como nos inspira Santo Agostinho:

Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova… Tarde Te amei!

Santo Agostinho

Sobre o Colunista

Juliana Gurgel

Juliana Gurgel

Católica, produtora, doutora em artes da cena, professora e aikidoista.

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