Pesquisa revela quadro de saúde dramático na Polícia Militar



O Capitão Tiago Carnevale, que serve a população há 16 anos na Polícia Militar do Estado de São Paulo, realizou uma pesquisa chamada “Fatores de risco e de proteção para doenças crônicas não transmissíveis na PMESP” junto ao Departamento de Nutrição da Universidade de São Paulo (USP).

A pesquisa realizada foi o tema da dissertação de mestrado dele no Programa de Nutrição em Saúde Pública, feita na metade do ano passado e apresentada no último 25 de junho, com dados colhidos de policiais e bombeiros de São Paulo.

Tiago que entrou recentemente para a Diretoria de Ensino e Cultura da Polícia Militar, conta que “é visível o número de policiais com excesso de peso na instituição e com problemas de saúde, é nítido“.

O trabalho foi uma dissertação de mestrado com dados colhidos de 3266 policiais e bombeiros. Os resultados nos fazem atentar para os problemas que os membros da instituição atravessam.

De um efetivo aproximado de 82.500 militares, contando policiais e bombeiros, entre soldados e oficiais, as estimativas encontradas são:

  • 60.000 policiais acima do peso;
  • 12.000 com problemas de hipertensão arterial;
  • 28.000 sofrendo com colesterol ou triglicérides elevado;
  • 6.000 com diabetes;
  • 29.000 com dor crônica da coluna;
  • 7.000 enfrentando depressão.

Carnevale recomenda o aumento da atividade física: “Até a prevalência de depressão é menor em pessoas fisicamente ativas“, afirma.

A principal causa de afastamento do serviço na população brasileira é dor crônica na coluna, foi alta a prevalecia estimada desse problema na PMESP, uma vez que o policial carrega de peso corpo, somando colete, arma, lanterna e demais equipamentos, de 10 a 12 quilos, já o bombeiro carrega 20 quilos aproximados.“, diz o mestre.

Ele também ressalta que um estudo realizado com a polícia militar do Espírito Santo, revelou que a expetativa de vida nas forças policiais é de 58 anos.

trabalho nutrição PM

O exercício é a solução

Para mudar esse quadro dramático, Capitão Tiago faz recomendações simples.

A prática de atividade física moderada acima de 150 minutos por semana foi vista como a principal ferramenta para a prevenção dessas doenças na instituição, por isso ela deve ser incentivada a toda tropa”, afirma.

Em breve ele estará no Boletim do Terça Livre, falando mais sobre o assunto.

Sobre o Colunista

Ricardo Roveran

Ricardo Roveran

Estudante de artes, filosofia e ciências. Jornalista, crítico de arte e escritor. Escrevo por amor e nas horas vagas salvo o mundo.

Twitter: @RicardoRoveran

6 Comentários

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  • Não deveria o governador ser comandante dos Quartéis.
    A comunidade e o Estado, ficam reféns da malandragem dos pulhiticos ao redor do governador.
    Rouba salários, humilha-os para sentir fortes e grandes.
    Cada taxa ou imposto, tirado à força de uma pessoa, sem a sua vontade, é imoral e opressivo.
    Formam bando, a corja, idealizando quadrilhas.

    E outra coisa: a estupidez e covardia congênitas dos homens fazem com que eles se curvem a qualquer líder que apareça.

    O Governador não deve ser Comandante de Batalhões.

    Tem que mudar a situação.

  • São trabalhos como este que darão frutos com o tempo..

    Que o brasileiro aprenda a valorizar essa tão nobre e importante profissão que é a do Policial.

  • Conheço policial que tem 3 empregos , no mínimo dois com renda baixa a qualidade de vida fica comprometida . Outra coisa é se eu depender de qualquer médico especialista pelo atendimento da polícia militar pode sentar e esperar se não correr atrás por fora pagar ou estiver com um convênio não terá o problema solucionado. quando liga pra marcar consulta já está esgotado e mandam ligar em uma outra data bem cedo , se ligar uma hora depois que abriu já não tem mais vaga. Quantas vezes já não tive que pagar consulta por fora.

  • Boa noite. Acho que na pesquisa faltou o regulamento disciplinar militar, perseguição de graduados que são principais fatores para depressão. Além de um salário adequado para os policiais, o que acarreta horas de atividades remuneradas fora da corporação. Mudanças em horários de escala de serviço, falta de convênio médico, academia nas companhias da PM, horário de educação física para todas as modalidades de policiamento, nutricionista em todas as unidades com cpa/cpi, também se faz necessário. E horário para a alimentação do policial além de refeitórios nas unidades.
    Somente policiais que trabalham em horário administrativo tem condições de alimentar e atividade física em horários específicos.

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