PF prende ex-deputado federal Índio da Costa, relator da Lei da ‘Ficha Limpa’



A Policia Federal deflagrou nesta sexta-feira (6) a Operação Postal Off, para desarticular uma organização criminosa que praticava fraudes contra os Correios.

Operação apura prejuízo R$ 13 milhões ao erário público. A investigação começou em novembro de 2018, em Santa Catarina, com o primeiro indício de crim. A partir de então, foram encontradas evidências da atuação do grupo nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Ao todo, a PF cumpriu hoje onze mandados de prisão preventiva, sendo 9 no Rio e 2 em São Paulo, além de um mandado de prisão temporária em Minas Gerais.

Entre os presos, está o ex-deputado federal Índio da Costa, que foi preso pela manhã. Junto com ele, também foi preso o superintendente dos Correios no Rio, Cléber Isaías Machado.

O nome dos outros presos ainda não foi divulgado. Dentre os envolvidos, estavam funcionários dos Correios, incluindo os considerados de “alto escalão”, segundo explicou o delegado Christian Luz Barh, da Polícia Federal em Santa Catarina.

Lei da Ficha Limpa

Ironicamente, Índio da Costa foi o relator da Lei da Ficha Limpa em 2010. Desde que está em vigor, a Lei impede políticos com condenações em segunda instância de disputar as eleições. Ainda em 2010, ele chegou a concorrer à vice-presidência na chapa de José Serra. Em 2016, foi candidato à prefeitura do Rio de Janeiro. Índio da Costa já passou pelos partidos PFL, PTB, DEM e PSD.

Esquema

De acordo com Barth, o esquema funcionava da seguinte maneira: “As grandes empresas que necessitam desse serviço de postagem – entrega de faturas, documentos em geral – têm um volume muito grande de correspondências. Elas precisam de empresas que façam a produção, a preparação de postagem e entrega no Correio, para que entre no fluxo postal”, disse. “Eles tinham várias formas de burlar, às vezes com a ajuda de funcionários dos Correios, e colocavam no fluxo postal sem pagamento.”

Bloqueio de R$ 40 milhões

Foi determinado bloqueio de contas bancárias e o arresto de bens móveis e imóveis, incluídos carros de luxo e duas embarcações, sendo uma delas um iate avaliado em R$ 3 milhões. Com as medidas, espera-se que seja efetivado o bloqueio de R$ 40 milhões.

Os investigados poderão ser indiciados pela prática dos crimes de corrupção passiva e ativa, concussão, estelionato, crimes tributários, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

Em nota, os Correios disseram que estão colaborando plenamente com as autoridades e que permanecerá contribuindo com a apuração dos fatos.

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