Por que Roger Scruton fará muita falta?



“A alta cultura é a autoconsciência de uma sociedade. Ela contém as obras de arte, literatura, erudição e filosofia que estabelecem o quadro de referência compartilhado entre as pessoas cultas.”

A frase de Scruton já responde à pergunta deste artigo. O fato de não termos no Brasil as pessoas cultas das quais ele fala nos evidencia isso.

Comentei no Twitter, hoje, a falta que sentimos de pessoas como o jornalista e escritor Paulo Francis. Até seus contemporâneos já o esqueceram. O que esperar dessa juventude que sabe da existência de Jojô Toddynho, mas desconhece Francis?

O “(…) conservadorismo significa encontrar o que você ama e agir para proteger isso. A alternativa é encontrar o que você odeia e tentar destruir. Certamente a primeira alternativa é um modo melhor de viver do que a segunda”, diz Roger Scruton.

Se temos dificuldades de resgatar Francis, não será fácil difundir Scruton. Teremos de evitar a presença de espíritos incultos, tão presentes no Brasil com seus chavões e clichês. Como se isso não fosse o ápice da crueldade, na mídia é o amor ao terrorismo e ao genocídio o que vemos; a morte de Soleimani evidenciou isso.

Como poderemos ter “obras de arte, literatura, erudição e filosofia que estabelecem o quadro de referência compartilhado entre as pessoas cultas” com auto-intitulados intelectuais que usam a morte de Scruton para fazer palanque político?

De fato, o mundo atual fica ainda mais obscuro, como disse o jornalista e deputado Paulo Eduardo Martins. E como recordou o escritor Bruno Garschagen, nem todas as batalhas podem ser vencidas.

“Scruton nasceu em uma das piores gerações que já existiram, mas soube fazer de si mesmo e de sua obra um antídoto para os erros e enganos que seus contemporâneos viriam a espalhar pelo mundo— e, ao fazer isso, ele transcendeu seu tempo, derrotou a morte e alcançou a imortalidade”, diz Filipe Martins já nos indicando o que fazer para imitar o grande filósofo que hoje perdemos.

Scruton fará muita falta, pois enquanto morrem os grandes, subculturas grupais que se ignoram mutuamente e cuja unidade interna provém menos de crenças e valores compartilhados que de interesses profissionais, financeiros ou políticos imediatos, dirá o filósofo Olavo de Carvalho.

Scruton nos deixa, mas já indicou o remédio: “A alta cultura é uma conquista precária, e dura apenas se apoiada por um senso da tradição e pelo amplo endosso das normas sociais circundantes. Quando essas coisas evaporam, a alta cultura é substituída por uma cultura de falsificações. A falsificação depende em certa medida da cumplicidade entre o perpetrador e a vítima, que juntos conspiram para acreditar no que não acreditam e para sentir o que são incapazes de sentir.”

Há muito o que falar desse grande filósofo britânico. Por ora, deixo aqui uma pista de como podemos aproveitar a dor de sua perda. Thank you, Sir Roger Scruton!

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