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Psicopatas seriam bons ou maus soldados?

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Snipers. Estes são um tipo interessante. Eles não são um tipo comum de combatente. Muitos deles, nos esquadrões de infantaria, costumam justificar a morte de um inimigo com “Era ele ou eu”, ou “Eu fiz o que me mandaram fazer”,  até mesmo “Eu fiz isso pelos meus amigos”. Eles fizeram isto de cabeça quente, numa situação severa, onde suas opções foram limitadas, onde engajados em um conflito feroz era o necessitava ser feito. Não snipers. Snipers são interessantes porque eles definem a idéia de “assassinato a sangue frio”. Eles são os caras que se arrastaram por quilômetros através de uma selva cheia de pragas, répteis rastejando ao lado deles, através de charcos e formigueiros, até alcançarem um ponto onde eles têm uma vantagem e esperam. Podem esperar por dias pela oportunidade de fazer o que foram treinados – Matar alguém.

Quando dizemos a sangue frio, não porque há algo inerentemente errado com o que um sniper faz. Eles possuem todas as faculdades mentais e investiram tempo e treinamento para fazer uma tarefa específica dentro da comunidade militar. Quando eles a fazem bem, são menos o cara da ação e mais um mestre metódico de seu ofício, lenta e categoricamente se movendo para a ação. Eles agem de sangue frio, se comparados com aqueles combatentes que necessitaram agir de cabeça quente. Agindo e fazendo todas as escolhas e sendo 100% responsável pela morte de outro ser humano.

O leitor pode imaginar que este nível de precisão e senso de propósito do ato de matar, deveria ser coibido pela condição humana e a resposta natural a empatia com outros indivíduos, mas de acordo com certas pesquisas, não deveria.

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Desejar a morte de alguém, e mesmo se prontificando a fazer este serviço não faz de alguém um psicopata. Existem muito mais pessoas neste planeta Terra que eu queria que não estivessem mais nele, mas isso não me faz um psicopata. Um exemplo, na noite que Bin Laden foi morto, eu me senti impactado. Por alguns minutos eu cheguei a chorar no ombro de minha esposa, enquanto as notícias continuavam. Minha vida foi fundamentalmente mudada por este homem, e agora que ele estava finalmente morto, eu fiquei feliz por quantas pessoas podem viver porque ele morreu e a esperança de que a idéia despótica de islã fundamentalista morreu com ele. Para me chamar de psicopata, porque desejei a morte dele, é uma contradição radical a eu ter me alegrado pela vida daqueles que agora podem viver com ele morto.

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O simples fato é que dentre bons combatentes, esta contradição não existe. É um desejo natural ver o bem ser feito, com a opção de violência bem empregada não ficar de fora da equação. E sim, violência bem empregada é algo bem real. Já conheceu um nazista? Não um destes idiotas supremacistas brancos ou skinheads, mas um membro real da Einsatzgruppen, os esquadrões da morte nazistas? Não, porque havia um punhado deles há um tempo atrás. Sua mãe pode ter dito que violência não resolve nada, mas foi a violência que resolveu o nazismo, onde a diplomacia teria garantido que a Alemanha Nazista existisse até os dias de hoje, propagando suas filosofias para o mundo. Vamos deixar esse pensamento por um tempo.

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Militares entendem isto. Eles sabem que os verdadeiramente violentos, são apenas coibidos por uma violência justa. Quando estes militares formam uma força moral, a serviço de uma nação moral, recrutados de uma população moral, eles tem o entendimento que algumas pessoas necessitam morrer para tornar o mundo um lugar menos ruim. Dito isto, são os primeiros a indagar se a violência é necessária, entendendo mais do que ninguém os custos envolvidos.

Logo, você precisa de um ser humano extremamente ético e racional para ser um bom guerreiro. Você não precisa de um Robô. Isto é verdadeiro em mais de um contexto.

O primeiro argumento é  que você não vence uma guerra sendo um matador. Simplesmente, não vence. Hollywood e Call of Duty tentam nos convencer que a guerra é sobre indivíduos altamente letais, e cada soldado vencer outro soldado em um combate de um contra um, possuindo um exponente de masculinidade e desapego emocional em ser o vendedor. Isto não é realista porque coloca muita ênfase em quanto uma única pessoa pode contribuir para o combate. O combate é um trabalho de time. Se você não entende os conceitos de supressão, manobras, e campos de fogo sobrepostos, você não sobrevive em um campo de batalha. Uma unidade de combate moderna são de oito a treze homens se movendo com sinergia focados em eliminar um inimigo por vez, ao invés de um grande soldado Americano matando 5 inimigos até ser abatido, este time vence diversos inimigos sem sofrer uma baixa. Isto exige uma empatia enorme para ser um componente deste time, e certamente ninguém quer um psicopata como parte do seu time. Em miúdos, individualismo é um termo pejorativo no meio militar. Guerreiros modernos necessitam de pessoas para proteger uns aos outros.

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Segundo, combater exige uma grande dose de racionalidade para ser um guerreiro, e há evidência que psicopatas não são pessoas racionais. Pesquisas foram feitas em cima do que acontece quando há um dano na parte do cérebro responsável por empatia. Estes conseguiam realizar tarefas perfeitamente bem, porém quando foi testada a racionalidade, estes chegavam em julgamentos incrivelmente péssimos. Isto não se refere a apenas escolhas imorais. Eles fizeram más escolhas em todos os sentidos. O que levou pesquisadores a acreditar que nossas emoções são uma parte necessária para tomada de decisões racionais. Analogamente, um psicopata em combate, não é apenas um perigo para o time, mas para si mesmo.

Tudo isto para dizer que, enquanto há muitos combatentes que exibem tendências psicopatas, isto é muito mais uma falha da psicologia de identificar a natureza da mentalidade do guerreiro, e, a sugestão que isto pode ser uma boa idéia, uma falha da mídia popular em educar a população tanto na natureza dos psicopatas quanto no que é necessário para ser um guerreiro.

No livro Against Empathy: the case for rational compassion, Paul Bloom expõe vários casos porque empatia é frequentemente uma muleta para as pessoas que fazem a coisa certa. O contexto do livro é sobre psicologia cognitiva e política, mas explicita o caso que pessoas frequentemente chegam a uma decisão errada sobre o que é melhor para grandes grupos de pessoas, porque eles se põem no lugar de outros excessivamente. Onde em Política, fracassamos em encerrar uma politica social que é provada ser danosa a sociedade porque tal ação pode prejudicar um individuo em particular que é beneficiado por ela, da mesma forma que dispensamos a necessidade de matar em guerras por causa de uma empatia excessiva com o inimigo que pode ser morto, ou mesmo sabendo que guerras matarão inocentes. Porém, olhando para o mundo, nem precisamos nos lembrar dos nazistas que mereciam morrer, e que a guerra foi um ato necessário. Observar o Estado Islâmico irá se mostrar um ambiente rico em indivíduos que necessitam ser removidos da condição humana.

Esta questão, de se devemos usar psicopatas para fazer o serviço, mostra que, nós como sociedade temos perdido contato com a realidade. Nós não conseguimos nem imaginar uma pessoa racional ser capaz de matar ou  a necessidade disto. Chame de luxo ou uma sociedade feliz e saudável, mas isto simboliza uma falha dentro de nós, que nos colocamos tanta empatia pelo combatente inimigo, que somos incapazes de fazer o que precisa ser feito para salvar as vidas de outros que este inimigo fará mal. Nos castramos a abilidade de encerrar regimes despóticos, e não somos mais capazes de infligir danos para fazer um bem. Para mim, isto é algo que precisamos recuperar, a habilidade de apreciar que um dano deve ser feito contra os danosos, que para  este dano deve ser entregue por indivíduos moralmente saudáveis e justos. Uma pessoa que é mentalmente problemática, simplesmente não dará conta.

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Para mais analyses em conflitos e explicando as formas de Guerra e guerreiros, siga meu blog On War and Warriors. Para mais conteúdo, siga meu blog Jon’s Deep Thoughts. Você também pode me apoiar diretamente via minha campanha de suporte do Patreon.

Escrito por Jon Davis, traduzido por Pedro Bluhm, original disponível no site Quora Aqui.

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2 Comentários

  1. No último parágrafo está escrito “Nos castramos a abilidade de encerrar regimes despóticos”. Talvez esteja faltando o acento e seja NÓS, embora o “nos castramos” também seja possível. E “habilidade” é com H. No mais, o texto é muito bom.

  2. Eu me disponho a fazer traduções para o Terça Livre, pois a qualidade da tradução deste artigo está atroz. Sinceramente, a leitura deste texto equivale a comer um peixe cheio de espinhas.

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