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Renato Duque: recorde de processos e condenações na Lava Jato

Quem acompanha o noticiário sobre a Lava Jato certamente já ouviu falar em Renato Duque. O ex-diretor de serviços da Petrobras, que ocupou o cargo entre 2003 e 2012 (ou seja, durante todo o Governo Lula e parte do primeiro mandato de Dilma Rousseff) é um dos campeões de processos e condenações em Curitiba.

Ao todo, Duque foi denunciado 13 vezes pelo Ministério Público Federal. Ninguém tem mais processos nas costas (somente o doleiro Alberto Youssef também responde a 13 ações penais). Até o momento, já foram quatro condenações –  em duas delas, as punições passam de 20 anos de prisão. Somando todas as penas, Duque já acumula 57 anos de prisão.

Principais acusações

Entre os 13 processos, há inúmeras acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Várias empresas prestadoras de serviço para a Petrobras teriam repassado valores ilícitos ao ex-diretor. Alguns exemplos: R$ 4 milhões da Apolo Tubulars, R$ 2,7 da Odebrecht e R$ 12 milhões da Camargo Corrêa (nesse último caso, o dinheiro foi dividido com o ex-gerente da estatal, Pedro Barusco).

Duque também mantinha boa parte dos recursos ilícitos em contas secretas no exterior, segundo o Ministério Público. Além disso, a pedido do ex-diretor, a empresa Setal fez 24 doações eleitorais para o PT com dinheiro desviado da Petrobras, num total de R$ 4,2 milhões.

Relação com José Dirceu

De acordo com as investigações da Lava Jato, a indicação de Renato Duque como diretor de serviços da Petrobras foi apadrinhada pelo ex-ministro José Dirceu que, na época, era nome forte do PT e ministro-chefe da Casa Civil. Em um dos processos da Lava Jato, inclusive, Duque é acusado de direcionar parte de sua cota de propina a Dirceu para retribuir a ajuda que recebeu para assumir a diretoria. A ironia é que eles se reencontraram na cadeia em Curitiba.

Tentativa de delação premiada

Com penas de 57 anos de prisão, não é à toa que o ex-diretor vem tentando fechar um acordo de delação premiada com o MPF. A negociação começou em julho de 2016 e acabou não avançando. As conversas esfriaram, foram retomadas no final do ano passado, mas ainda não se chegou a um consenso. No entendimento dos investigadores, Duque estaria oferecendo poucas informações. Pela proximidade com o PT, a força-tarefa espera revelações mais importantes.

Preso duas vezes

Enquanto isso, o ex-diretor permanece preso na superintendência da Polícia Federal em Curitiba (o que pode ser um indicativo de conversas sobre delação premiada). Ele foi detido pela primeira vez na emblemática 7ª fase da Lava Jato, em 14 novembro de 2014, junto com grandes empreiteiros do país. Em 03 de dezembro, foi solto por decisão do Supremo Tribunal Federal.

Na 10ª fase da operação, no dia 16 de março de 2016, Duque voltou para a cadeia após o surgimento de novos indícios de corrupção contra ele. Desde então, teve todos os pedidos de habeas corpus negados.

Passagem pelo sistema prisional

Ainda em março do ano passado, Duque foi transferido para o Complexo Médico Penal, junto com outros presos da Lava Jato. Na penitenciária, o ex-diretor era conhecido como uma pessoa de “humor instável”. Em alguns dias, ficava mais quieto, dentro da cela, e pouco conversava. Em outros, esboçava alguns sorrisos para os agentes penitenciários, mas longe de ser um “poço de simpatia”. Na cadeia, recebeu visitas de um quiroprata para tratar de dores musculares (ele tem 61 anos).

Coleção de arte

Renato Duque é um amante da arte. Inclusive, na época em que comandou a diretoria de serviços, era comum ele sair da estatal no meio do expediente para olhar obras de arte em galerias do Rio. Na casa de Duque, no Rio de Janeiro, a Polícia Federal encontrou, durante uma busca, 131 quadros de diversos pintores nacionais e estrangeiros. Todos foram apreendidos.

O motivo: as obras eram usadas, segundo a PF, para lavar dinheiro – ou seja, em vez de Duque receber a propina em  espécie, ele escolhia telas que eram pagas por empreiteiros e operadores do esquema. Era uma tentativa de dar aparência de legalidade aos recursos que, na verdade, eram desviados da Petrobras. Alguns dos quadros foram expostos no Museu do Olho, em Curitiba. Todos estão sob a guarda do museu até uma decisão judicial.

BemParaná

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