Sínodo: Padre salesiano diz que ordenar homens casados é ilusão e não resolve problema da Amazônia

Padre Martín Lasarte. Crédito: Salesianos Angola


Padre Martín Lasarte está entre os mais de 250 participantes do Sínodo da Amazônia, que acontece no Vaticano de 6 a 27 de outubro

O coordenador do departamento de Missões Salesianas, o padre uruguaio Martín Lasarte, disse em entrevista ao site Europa Press que a proposta de ordenar sacerdotes casados para atender áreas remotas da Amazônia é ilusão.

O padre afirma que a medida não resolve o verdadeiro problema do local e não é uma solução para a evangelização. Lasarte está entre os mais de 250 participantes do Sínodo da Amazônia, que acontece no Vaticano de 6 a 27 de outubro.

Entre as principais críticas do Instrumentum Laboris (documento de trabalho para o Sínodo), está a possibilidade de discutir a ordenação sacerdotal de homens casados. O objetivo seria facilitar o atendimento de áreas periféricas da  Região Amazônica.

“Tenho escutado o argumento de que é necessária a ordenação de sacerdotes entre os leigos das comunidades mais distantes, pois os ministros podem não chegar. Na minha opinião, a imposição do problema nesses termos, peca de um enorme clericalismo”, opinou.

Ainda de acordo com ele, o problema na Amazônia é muito mais profundo. O padre explica que criou-se uma “Igreja” onde, se o padre não estiver, ela não funciona. “Isso é uma aberração eclesiológica e pastoral. Nossa fé, como cristã, está enraizada no batismo, não na ordenação sacerdotal”, aponta Lasarte.

Na visão dele, é necessário desenvolver processos de fé que sejam “capazes de gerar uma igreja ministerial com um rosto amazônico”: “Por que existem tantas vocações na África ou na Índia, onde só há um sacerdote por mil habitantes? Ou no país mais muçulmano do mundo, a Indonésia ou em países comunistas, como o Vietnã? A Amazônia tem elementos culturais muito semelhantes aos nossos, como o senso de comunidade, a comunhão com a natureza, o sentido de transcendência, mas a falta de vocações se deve ao fato de haver imposições pastorais bastante precárias”, afirma.

Por isso, ele acredita que a Igreja deve apostar nas vocações indígenas para a vida consagrada. “É uma questão muito delicada. Nos salesianos, atualmente, temos 18 vocações indígenas da Amazônia de várias etnias. Sem dúvida, a população local é a mais apta a encontrar os melhores e mais autênticos caminhos que dêem à Igreja um rosco mais amazônico”, observa.

Para o padre, o Sínodo deve priorizar os jovens amazônicos que migram para as cidades da Amazônia, já que 90% da população vive nas grandes cidades. “Até agora, está muito focado na parte rural, na selva. Mas na Amazônia, 92% da população vive nas grandes cidades. Às vezes, se pensa bucolicamente nos rios e florestas, mas a verdade é que a maioria dos jovens indígenas migra para as grandes cidades. E você temos acompanhá-los e treiná-los “, diz ele.

Assim, padre Martín Lasarte explica que existem muitos perigos que ameaçam essa população que, se for “abandonada”, corre o risco de cair “nas mãos do tráfico, drogas ou alcoolismo”.

A proposta de ordenar idosos casados devido à ausência de vocações, tem levantado inúmeras discussões e alertas de importantes representantes da Igreja Católica para um eminente problema.

O prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, cardeal africano Robert Sarah, considera “desdenhoso e humilhante” ordenar padres casados.

Na Espanha, o arcebispo de Mérida-Badajoz, Celso Morga, desencorajou essa possibilidade, mesmo que se comprometam com a continência. “Não parece conveniente restaurar uma prática obsoleta nas circunstâncias atuais”, diz o arcebispo espanhol em um artigo publicado na revista Palabra.

A ordem salesiana

Os salesianos são uma das congregações religiosas com maior presença na Amazônia, onde estão há mais de 125 anos. Atualmente, eles trabalham com 63 etnias diferentes. O primeiro ponto de chegada foi o Vicariato Apostólico de Méndez, no Equador, com os indígenas Shuar.

A experiência deles é fundamental para o desenvolvimento do Sínodo, do qual participarão numerosos especialistas e convidados especiais que, embora não tenham direito a voto no documento final, contribuirão com seus conhecimentos.

 

Sobre o Colunista

Bruna de Pieri

Bruna de Pieri

Jornalista e católica.

13 Comentários

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  • Outra “guerra justa”?
    Vão tentar escravizar quem, para a igreja ter poder sobre governo?
    De novo vão trabalhar com espólios? Na Amazônia?
    Vão pros infernos! Xeretas.

  • Essa Igreja Católica é um fiasco só, seu clérigo é totalmente desalinhado sem preparo e burocrático, não sabem o significado da palavra serviço e sempre remediando problemas com mais problemas. A essência cristã não se faz presente quase nunca, com excessão de alguns raros momentos do atual “Papa”.

  • A Igreja Católica desde o descobrimento do Brasil desenvolve um papel de desenvolvimento humano e de evangelização na Amazônia. Os Jesuítas não só evangelizaram como catalogaram mais de 3.000 espécies de plantas que até hoje são base essencial de muitos medicamentos que salvam vidas no mundo todo. E muitos desse Padres Jesuítas foram mortos defendendo crianças e mulheres indígenas contra os Bandeirantes que exterminaram aldeias inteiras. Em relação à ordenação de Padres Casados, não vejo o por quê de tamanha indignação por certos católicos e sacerdotes. O CELIBATO foi introduzido na Igreja, ou seja, não existia, Padres eram casados. Durante mais de 1000 anos o Celibato perdura, principalmente numa época em que crianças iam para o seminário. Hoje os tempos são outros, a informação chega mais rápido, o início com a vida sexual mais cedo e não podemos querer tampar o Sol com a peneira… Muitos bons homens casados hoje seriam com certeza ótimos sacerdotes, ou será que durante o período que não havia celibato não houve sacerdotes “santos”??? A obrigatoriedade celibato foi bom num determinado período da história, hoje essa obrigatoriedade não faz mais sentido nenhum. O Celibato pode ser uma opção e não uma obrigatoriedade, A Igreja Católica Apostólica Romana teria muito a ganhar positivamente com essa atitude.

  • É importante ressaltar que a questão será DISCUTIDA.
    Discutir não significa que será posto em prática. Além do mais, o Sínodo não tem poder de decisão, ele é meramente consultivo. Então não é necessário esse alarde todo que vem sendo praticado de ambos os lados pró ou contra o Sínodo da Amazônia.
    Precisamos ser sensatos e rezar para que o quer que seja exposto o seja com equilíbrio, sabedoria e discernimento do Espírito Santo.

  • O Vaticano é uma organização gay’: o polêmico livro que diz revelar a corrupção e a hipocrisia na Igreja
    Autor diz que passou mais de quatro anos entrevistando membros da Igreja, seminaristas, profissionais do sexo e ‘pessoas muito próximas ao Vaticano’, para investigação que diz expor ‘corrução e hipocrisia’ dentro da Santa Sé.

    Após celebrar missas em igrejas do Vaticano e pendurar as batinas, “milhares” de padres saem para curtir a noite gay de Roma.

    É o que afirma o jornalista francês Frédéric Martel no livro No Armário do Vaticano, que tem lançamento mundial marcado para esta quinta-feira (21), mesmo dia em que os principais líderes da Igreja Católica se reúnem para discutir uma estratégia contra o abuso sexual de menores.

    “O texto é resultado de uma investigação que realizei por mais de quatro anos, em que viajei por vários países e entrevistei dezenas e dezenas de cardeais, bispos, padres, seminaristas e pessoas muito próximas ao Vaticano”, afirmou o autor à BBC News Mundo.

    É uma narrativa que denuncia, segundo a sinopse do livro, a “corrupção e a hipocrisia” dentro do catolicismo romano, que condenou a homossexualidade durante séculos.

    Martel afirma que, por condições históricas e sociais, o sacerdócio foi uma fuga para centenas de jovens vítimas de bullying em seus povoados por causa da orientação sexual e que, portanto, a Igreja é agora, no seu ponto de vista, uma instituição formada “principalmente” por pessoas homossexuais.

    “À medida que avancei na pesquisa, descobri que o Vaticano é uma organização gay no nível mais alto, uma estrutura formada em grande parte por pessoas homossexuais que durante o dia reprimem sua sexualidade e a dos outros, mas à noite, em muitos casos, pegam um táxi e vão a um bar gay”, afirma o escritor.

    Uma de suas fontes chegou a garantir que 80% dos padres no Vaticano são homossexuais – dado que ele não conseguiu confirmar.

    Porém, o autor diz que um dos fatos que chamou sua atenção foi a “banalidade da vida gay” para “milhares” de sacerdotes, “que não saíram do armário para a organização” e “estão presos no próprio sistema” – mas, ao mesmo tempo, desfrutam do que criticam no altar.

    O Vaticano não respondeu à solicitação de comentário feita pela BBC News Mundo sobre o livro e as acusações que o autor fez nesta entrevista a respeito da instituição.

    No entanto, o renomado teólogo jesuíta James Martin questionou os métodos utilizados por Martel para checar os dados e depoimentos.

    “Martel fez uma pesquisa impressionante para seu novo livro e apresenta algumas ideias importantes sobre hipocrisia e homofobia na igreja”, disse ele à BBC News Mundo.

    “Mas essas ideias estão enterradas sob uma avalanche de intrigas e insinuações pesadas que arrebatam o leitor e tornam difícil discernir os fatos da ficção”, acrescenta.

    Sacerdócio e homossexualidade
    A partir desta quinta-feira, mais de 190 cardeais, bispos e outras autoridades da Igreja Católica se reúnem no Vaticano para decidir o que fazer diante da onda de denúncias de abuso sexual que surgiram contra padres em quase todo o mundo.

    Dentro da ala mais à direita da instituição, uma das acusações mais frequentes é associar a ocorrência desses crimes à homossexualidade dos padres.

    Na última terça-feira, dois cardeais conservadores dos Estados Unidos e da Alemanha enviaram uma carta aberta ao papa Francisco pedindo o fim do que chamam de “praga da agenda homossexual” e que os bispos deixem de ser cúmplices de casos de abuso sexual.

    Mas, de acordo com Martel, que é assumidamente gay, o problema dentro da Igreja não é a orientação sexual dos padres, que é um assunto privado, mas usar “dois pesos e duas medidas” para tratar a questão da sexualidade.

    “O abuso sexual não está relacionado com a homossexualidade, pode acontecer dentro de famílias heterossexuais, e a maioria das vítimas no mundo são mulheres. Agora, se você olhar dentro da Igreja, a maioria dos abusos são cometidos por padres homossexuais”, diz ele.

    O que acontece, segundo Martel, é que uma suposta “cultura de sigilo” existente na Igreja leva ao encobrimento dos abusos.

    “Como muitos bispos são gays, eles têm medo de escândalos, da imprensa e, no fim das contas, deles mesmos. Eles protegem os agressores não para encobrir os abusos, mas para que não descubram que eles mesmos são homossexuais. Não estão apenas protegendo o agressor, estão se protegendo”, diz ele.

    Na opinião de Martel, isso não só fez com que, durante anos, os abusos fossem encobertos, mas que muitos cardeais, bispos e padres se tornassem críticos fervorosos da homossexualidade.

    “O que eu descobri é que, em muitos casos, quanto mais críticos em relação à homossexualidade, mais lasciva era a vida oculta deles como gays”, diz ele.

    E o que acontece na América Latina?
    Ao longo de mais de 500 páginas, o livro afirma que essa situação não é exclusiva do Vaticano – também acontece em Igrejas de muitos outros países, inclusive da América Latina.

    “Estive várias vezes na Argentina, em Cuba, no México, no Chile e na Colômbia, e o que descobri foi que a situação não era muito diferente da do Vaticano”, diz ele.

    Martel afirma que um denominador comum entre alguns desses países era uma relação “insólita” entre a cúpula religiosa e militar, seja décadas atrás nos governos de fato da Argentina e do Chile, nos tempos da guerrilha da Colômbia ou, mais tarde, no regime de Fidel Castro em Cuba.

    “Na maioria desses casos, havia uma cumplicidade entre a Igreja e esses governos ou forças que fizeram com que a homossexualidade e os abusos dos padres fossem encobertos nesses países”, sinaliza.

    No México, um dos casos mais notórios é o do fundador da Legião de Cristo, Marcial Maciel, mas ele também descobriu outros menos conhecidos, como o do falecido cardeal colombiano Alfonso López Trujillo.

    De acordo com o livro, o pároco rondava seminaristas e jovens sacerdotes e contratava garotos de programa rotineiramente.

    Ao mesmo tempo, pregava os ensinamentos da Igreja de que todos os homens gays eram “intrinsecamente desordenados” e questionava o uso de preservativos.

    E apesar de Martel dizer que chegou a se encontrar com garotos de programa contratados pelo falecido cardeal, muitos críticos do livro questionam que a maioria das acusações carece de evidências sólidas ​​e é baseada apenas em “fofocas” e “disse me disse”.

    Outros também afirmam que o texto poderia levar a uma “caça às bruxas” contra padres homossexuais ou promover estereótipos negativos, porque de acordo com Martin “é mais fácil buscar bodes expiatórios do que confrontar a hipocrisia e a cultura do sigilo” dentro da Igreja.

    Para outros, o livro é a revelação do que muitos consideram um “segredo aberto” e poderia ser um convite para mudar as estruturas estagnadas do Vaticano.

    “A Santa Sé deve ser um modelo para todas as dioceses do mundo, incluindo a seleção e monitoramento de seus próprios membros. E, neste momento, não é”, afirmou à BBC o monsenhor Stephen J. Rossetti, professor na Universidade Católica dos Estados Unidos.

    “Eles devem fazer um trabalho melhor para garantir que seus padres sejam fiéis ao voto de celibato. Também devem ser mais agressivos, especialmente quando confrontados com clérigos homossexuais que não são celibatários. Houve vários casos recentemente e vai continuar havendo escândalos até que eles se encarreguem disso”, acrescenta.

  • Aí, alguém desenha por favor, a igreja católica está com esta bola toda, o papa está se achando mesmo hem! O que me alarma é que tem alguns que ainda defendem esse indivíduo e dizem que ele é o representante de Pedro na terra, me poupem não.
    “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” Jer. 17:5

  • A fé Católica só existe em poucos lugares hoje, muitos lugares onde se pensa ver o Catolicismo na verdade não é a Igreja. Um lugar onde a fé de sempre foi preservada foi na Fraternidade São Pio X, que tem umas 10 Igrejas no Brasil.

  • Se algum padre desviar da fé Católica ele está fora da Igreja, se algum bispo, algum cardeal desviar, também estão, o papa em um caso desses precisa ser declarado um antipapa, coisa que nunca aconteceu em toda a história da Igreja.

  • Ai me pergunto.. porque tanto interesse dos padres pela Amazônia? Com certeza não tem nada a ver com missões, nem preocupação com povos ribeirinhos ou tribos indígenas.. Está mais pra politicagem. Os nômades percorriam o deserto e quando achavam um oásis, plantavam acampamento. Água é um grande tesouro no deserto e vale mais que ouro ou pedras preciosas.. no caso da Amazônia a água e a mata verde tem pouca importância mas os tesouros ali escondidos, sim e atrai muita grana do exterior. Por isso tamanho interesse ali. Não vejo o mesmo empenho dos padres ou sínodo como eles chamam, pela banda carente do nordeste; terra seca cheia de almas sedentas… ONDE HÁ RIQUEZAS, HÁ ONGs, INTROMISSÃO INTERNACIONAL e agora PADRES.

  • Dá pena de ver a quantidade de comentários absurdos e sem fundamento algum. Alguns comentários nada fazem além de denegrir a Santa Igreja Católica, como se 2.000 anos de história fosse nada diante de uma SAPIÊNCIA DIVINA que esconde a cada comentário que leio.

    1º – A igreja é UNA, Santa Católica Apostólica Romana, fundada por ninguém menos que Nosso Senhor Jesus Cristo.

    2º- Cristo é a cabeça da igreja e os membros são o corpo, enquanto corpo de Cristo ela é infalível, porém, como os membros são formados por homens santos e pecadores.

    3º- Que homens erram, pecam, etc, é fato, mais uma coisa é as pessoas errarem, outra bem diferente, é a instituição que é o corpo místico de Cristo erar, não é a toa desde dois mil anos de perseguição, ainda resiste com a graça de Deus.

    “As portas do inferno não a ultrapassaram” Mateus.

    4º – Em todos os tempos de heresias, cismas e dissenções, a providência divina nos abençôou com mártires e seus santos. Em tempos de crise, sempre nascem mártires.
    É do fogo forte que nasce o bom cristão, que será uma seta para aqueles que estão perdidos.

    Rezemos pela igreja!

  • Se antes a “muié do padre” custava só um pastel e um caldo de cana para a “caixinha da igreja, agora vai quebrar até o Banco do Vaticano.

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