Sínodo: Papa assiste ritual indígena e recebe anel de Tucum dos participantes



O Sínodo da Amazônia começou neste domingo (5), em Roma. Um dia antes, no sábado, 4, o papa Francisco assistiu a um ritual indígena durante o plantio de uma árvore trazida de Assis.

De acordo com o site ACI Digital, os organizadores do evento foram a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), (responsável pela elaboração do Instrumentum laboris que está sendo utilizado para o sínodo e que coloca em discussão a ordenação de homens já casados para exercer o sacerdócio), o Movimento Católico Mundial pelo Clima e a Ordem dos Franciscanos Menores.

O ritual não foi explicado pelos organizadores, porém, de acordo com o ACI, se assemelhava ao ritual indígena da retribuição à terra, o que não foi confirmado nem desmentido pela Sala de Imprensa do Vaticano até o fechamento da matéria publicada.

O pagamento ou retribuição à terra é uma cerimônia indígena realizada em alguns países da América Latina, em que se agradece à “mãe terra” por seus frutos ou se faz a ela algum pedido.

Durante o ritual, alguns participantes presentearam três objetos ao Santo Padre: um colar, uma imagem de uma mulher grávida descrita pelo canal de Vatican News em português como “Nossa Senhora da Amazônia”; e um anel negro que parece ser o conhecido anel de tucum.

A Sala de Imprensa do Vaticano tampouco respondeu se se trata do anel de tucum, entretanto, no vídeo, nota-se que logo depois de que o colocam, o Papa tenta cobri-lo com a outra mão.

O anel de tucum é conhecido no Brasil e outras partes da América Latina como um sinal da causa dos pobres e dos indígenas. Era usado pelos indígenas Tapiraré no Brasil em suas cerimônias e foi depois adotado pelos escravos trazidos da África para simbolizar as uniões esponsais entre eles.

Embora seja conhecido em alguns âmbitos como o “anel de coco”, na verdade, é feito de uma palmeira da região amazônica do Brasil, chamada Tucum.

O bispo brasileiro Pedro Casaldáliga, um dos mais conhecidos expoentes da teologia da libertação na América Latina, difundiu o uso do anel. No filme ´O Anel de Tucum´, o Prelado de 91 anos assinala: “O anel de tucum é um sinal da aliança com a causa indígena e as causas populares. Significa que quem usa este anel assumiu estas causas e suas consequências” e que o anel “representa o matrimônio com as causas indígenas”.

Segundo outro bispo brasileiro, Dom Amaury Castanho, falecido em 2006, e que foi bispo de Jundiaí (SP), usar o anel se converteu em um sinal do compromisso com a teologia da libertação. “O anel de tucum implícita e explicitamente leva consigo opiniões não ortodoxas a favor de uma Igreja considerada uma Igreja popular, oposta à Igreja hierárquica, a que estabeleceu Cristo”, afirmava Dom Castanho.

Logo depois de entregar os objetos, os indígenas e outros assistentes ao evento fizeram uma ronda em que cantaram e dançaram ante o olhar de outros participantes, depois do qual se procedeu com o resto da cerimônia.

Estava previsto que o Santo Padre pronunciasse um discurso, mas preferiu não fazê-lo. O Papa rezou o Pai Nosso com os presentes e deixou os jardins.

Desconfortável

De acordo com o brasileiro Bernardo Küster, que foi à Roma para acompanhar o Sínodo da Amazônia, o Papa mostrou-se extremamente desconfortável com o indigenismo da Mãe Terra.

“No dia em que o pessoal da Rede Eclesial Pan-Amazônica, comandada por Dom Cláudio, fez a pajelança na frente de Francisco, caíram pedaços do teto da Basílica de São Pedro durante a missa do Papa”, disse.

Pequenos fragmentos do teto da Basílica de São Pedro, no Vaticano caíram no chão na tarde desta sexta-feira (4) durante a missa celebrada pelo Papa Francisco para a ordenação de quatro novos bispos.

Segundo fontes presentes na igreja, apesar do susto, não há danos e feridos porque “eram fragmentos muito pequenos”. A parte do teto que caiu fica na ala à esquerda do altar. Como precaução, a área afetada foi evacuada. (As informações são da Frates in Unum)

Sobre o Colunista

Bruna de Pieri

Bruna de Pieri

Jornalista e católica.

7 Comentários

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  • Que Deus volte sua proteção à este sínodo para que não causa de cisma na igreja, enverendado-a por caminhos contrários a sagrada tradição, destruindo a essência da igreja de dois mil anos.

    Nossa Senhora, rogai por nós.

  • Ritual pagão nos jardins do Vaticano, onde já se viu isso!
    Mãe terra…tucum… o negócio está mais feio do que o normal.

    Tente vc entrar na ONU e fazer o discurso de inauguração como a menina doidinha lá fez! Tenta!?
    Tente vc entrar nos jardins do Vaticano para rezar o Pai nosso, tenta!?

    Mas essas figuras esdrúxulas estão surgindo nesses locais e, detalhe, ninguém sabe quem os coloca la´!

    Tem dedo sujo em todo lugar!
    Vamos ver pra onde vão levar a igreja com esse papo de sínodo.

  • A Igreja católica já está mais do que cismada!
    Não adianta tapar o sol com a peneira, isso é claro.

    Comunismo doente, globalistas já invadiram tudo…reparem.. tudo!
    Estão enraizados nos partidos políticos do mundo, nos meios culturais, na religião.

    O BOM é que existem pessoas que estão percebendo isso, e procuram mudar e enfrentar essa pouca vergonha, ao invés de ficar “tapando o sol com a peneira”…… que separem mesmo o “joio do trigo”.

  • Acho engraçado isso, quando um “Arabe” de Maomé vai a um outro país, o pessoal corre e cobre as estátuas, símbolos e etc.

    Agora, diferente, nos Jardins do Vaticano os caras entram e fazem até ritual na Casa da Igreja, olha como estão tratando o local!!!!
    Um desrespeito!

  • Então: porque o Vaticano, mandou incinerar, queimar a maioria da documentação escrita pela nação indígena MAIAS?
    Aceitam a dança, que era considerado um ritual pagão?

    Muito estranho este sínodo.

    A não ser, fazer o mesmo, no tempo da Inconfidência Mineira, mandava padrecos para catequizar, e no meio dos padres, os falsos padres, que os escravos confessavam( e eram uns tipinhos) trabalhando como (detetives), à procura das riquezas __ouro e diamantes, nos Estado MG, GO…
    Safados mesmos.
    Expulsar os tais padres casados, que vão celebrar MISSA para catequizar novos índios ( na opinião do vaticano e do chiquita -falastrão), não conhecem o evangelho, segundo a ganância.
    VÃO PROS INFERNOS.
    EXPULSAR, igual fez o Marquês de Pombal contra os jesuítas xeretas.

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