Allan Dos SantosArtigos

Um olhar arrebatador

por Paulo Eduardo Martins

Certa vez me manifestei contra o aborto de bebês com microcefalia. Fui escorraçado na minha própria página. Fiquei triste, mas isso não abalou a minha convicção.

Na semana passada estive em São Paulo e me hospedei na casa dos meus tios. Uma prima da minha tia também estava hospedada lá. Ela e a netinha Maria Fernanda, dois aninhos, portadora de microcefalia.

Em um instante, a Maria Fernanda olhou pra mim. Ela estava no colo da sua avó e eu sentado à mesa. Olhou e fixou em meus olhos. Eu fiquei paralisado, preso ao olhar dela. Nunca um olhar tinha me dito tanta coisa, nunca. Quando terminou de dizer, sorriu. Abriu um sorriso vitorioso e encantador.

Ela sabia que tinha me dominado, que tinha me dado uma aula. Levantei-me, entrei no banheiro, tranquei a porta me olhei no espelho e chorei sozinho. Chorei por me sentir tão pequeno diante da grandeza daquela criança. Pedi perdão por toda a minha mediocridade e também por todos aqueles que me criticaram quando eu disse que um bebê com microcefalia merecia viver.

A Maria Fernanda me disse que sempre há o que aprender na vida e que viver é sempre o melhor a ser feito.

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