Luis VilarNotícias

Um pouco de História: Kruschev e a perseguição aos cristãos

Se você ainda cai na balela de que os frutos do marxismo (e o que pensou o próprio Karl Marx) podem ser associados ao cristianismo, em função do que diz a Teologia da Libertação dentre outros secularismos, é sempre bom observar a História…

Nesse texto, citarei apenas um ponto dentre tantos que podem ser apontados: as posições de Nikita Kruschev em relação ao cristianismo. Muito lembrado por denunciar os crimes de Stalin, pouco é dito que a posição de Nikita foi apenas um jogo político pelo poder, atacando o culto à personalidade, mas mantendo também práticas stalinistas para isso.

A serpente troca de pele para permanecer sempre a mesma.

Para dar prosseguimento ao projeto comunista, Kruschev atacou diretamente todas as crenças religiosas, na URSS e os países satélites dominados pelo comunismo após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Entre os anos de 1959 e 1964, o novo ditador soviético (o nome é esse mesmo), fechou três quartos de todas as Igrejas cristãs na URSS. Um dos estudiosos do comunismo, Michael Bourdeaux, afirma que Kruschev foi um dos maiores perseguidores que a história da cristandade conheceu, nos tempos modernos.

Os que mais sofreram – mais uma vez – foram os camponeses russos, que foram proíbidos de expressar sua fé nas vilas onde residiam. Tudo isso associado às políticas de meta da URSS, que exploravam os trabalhadores e camponeses para forçar resultados “positivos”, como no caso do abate excessivo do gado.

E tudo isso em uma época em que parte do Ocidente achava que a URSS começava a mudar por conta dos crimes de Stalin denunciados por Kruschev. Tudo na URSS era, portanto, uma farsa. Sempre esteve presente a compreensão o ser ontológico puramente materialista e que atacava diretamente qualquer visão transcendente, por esta ser vista como uma ameaça ao projeto comunista.

Sempre foi assim. Sempre será assim.

Se a destruição não vem pelo ataque direto, vai pelo ataque indireto, corrompendo os valores por dentro por meio da infiltração, como é o caso da Teologia da Liberação. É muito simples: marxismo e cristianismo são como água e óleo, ora bolas!

Não por acaso, a Teologia da Libertação é fruto dessa mentalidade revolucionária (como diria o professor Olavo de Carvalho). É que dentro do pensamento marxista, a religião e a teologia fazem parte de uma superestrutura.

Isto está até em Feuerbach (que escreveu A Essência do Cristianismo), que via as religiões apenas como antropologia pura, “sendo uma projeção da divinidade na humanidade”, como bem registra o padre Paulo Ricardo.

Esvazia-se com isso todo o conteúdo transcendente para usar o que sobra da visão religiosa como suporte para o “mundo melhor” das utopias racionalistas que visam construir o “Paraíso na Terra”. Repito: a serpente troca de pele!

As mudanças de estratégia se dão em função dos marxistas (ou marxianos) que vieram depois, como Antonio Gramsci e sua tese sobre o “intelectual orgânico” e a tomada dos “meios culturais”.

Como diria Trotsky, a revolução é permanente…

Aos caríssimos leitores, indico um livro de fundamental importância para entender essa questão do secularismo e sua oposição à Igreja: Teologia da Libertação: um salva-vidas de chumbo de Julio Loredo de Izcue.

Nessa obra, o leitor vai se deparar com uma farta documentação relacionada às origens históricas da Teologia da Libertação e as estratégias utilizadas nesse percurso, bem como sua ligação com o comunismo e seus perseguidores do cristianismo, como o aqui citado Nikita Kruschev.

São válidas ainda leituras como O Livro Negro do Comunismo, os documentos da Igreja Católica, como a encíclica Divini Redemptoris, o Arquipélago Gugalg de Solzhenitsyn, e romances como os de George Orwell. Cito aqui o 1984 e A Revolução dos Bichos.

O missionário britânico David H. Adeney viu isso de perto na China maoísta. No prefácio de uma de suas obras, escrito por Chung Chi Pang, ele é enfático: “a fé cristã e o comunismo são ideologicamente incompatíveis”. Assim foi na URSS, China, Coréia do Norte etc.

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2 Comentários

  1. Kruschev, e a União Soviética como um todo, são cada vez menos mencionados pela grande mídia. E, quando são, sob grossas camadas de açúcar. É inevitável o paralelo entre Kruschev e Gorbachev. Em ambos, se encaixa como uma luva a imagem da cobra trocando de pele. Excelente artigo, colocando mais um carrinho-de-mão de cal em cima de qualquer esperança de se encontrar algum traço de honestidade na figura de Kruschev. O Prof. Olavo, se não me engano, mencionou que o Boris Yeltsin foi até um ponto fora da curva, mas isso já é uma outra história. Parabéns! Um adendo: você está muito parecido com o Cortella na sua foto de perfil. Já tinha achado que o cara tinha virado a casaca 😀

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