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UNE, uma organização de fachada

Deputado federal Marco Feliciano recolhe assinaturas para abrir uma CPI com intuito de que se investigue o desvio de verbas da entidade dita “estudantil.”


VI Festival Mundial da Juventude – Moscou 1957

A União Nacional dos Estudantes em seu site na internet conta as vantagens de muitas vitórias na defesa da classe estudantil ao longo da história. Apesar de reclamar ter nascido na década de 30, a verdade é que seu surgimento está ligado com a ditadura Vargas, que lhe concedeu, no inicio do ano de 1942, o monopólio da representação estudantil. Getúlio Vargas e seu ministro da educação, Gustavo Capanema, queriam, na verdade, manter sob o seu controle um setor da sociedade muito útil para a propaganda política. Assim, com esse propósito, é editado o  Decreto-lei 4.105, de 11 de fevereiro de 1942, o qual determinava, já no seu artigo 1º, o seguinte: “A UNE… é considerada a entidade coordenadora e representativa dos corpos discentes dos estabelecimentos de ensino superior de todo o país.” De acordo com decreto-lei da ditadura Vargas, a classe dos estudantes só poderia ter voz por meio de uma única organização, a União Nacional dos Estudantes, escolhida pelo governo mais autoritário da história do país.

 A UNE, depois do término da II Guerra, passa a ter participação muito ativa nos Festivais Mundiais da Juventude, eventos realizados pela Federação Mundial da Juventude Democrática (World Federation of Democratic Youth – WFDY) e pela União Internacional dos Estudantes (International Union of Students – IUS). Essas duas entidades foram notoriamente ligadas a países alinhados com a União Soviética. Em várias fontes, como livros e documentários é facilmente encontrada essa conexão.


Material de propaganda do IV Festival Mundial da Juventude realizado na Romênia, em 1953.

Pequeno trecho de um vídeo de um desfile do III Festival Mundial da Juventude realizado em Berlim Oriental, em 1953.

Duas décadas depois da criação do monopólio da representatividade estudantil no Brasil, mais precisamente no final do ano de 1961, já empossado o afilhado político de Getúlio Vargas, o gaúcho João Goulart, a infiltração comunista nas associações de destaque na estrutura social brasileira toma uma proporção gigantesca.  A UNE passa a receber como financiamento gordas quantias de um governo federal declaradamente de esquerda e a ser controlada por agentes estrangeiros alinhados diretamente com a antiga União Soviética.

Em 1962, a oposição na Câmara dos Deputados instala uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o uso de dinheiro público para financiar as ações de propaganda marxista da UNE e de apoio ao governo Jango. A instituição era constantemente utilizada para campanhas pró-governo, recrutamento de militância nas universidades e implantação das ideologias de orientação esquerdista no meio cultural.

Logo ao final deste artigo reproduziremos duas reportagens publicadas em 1964 que descrevem a UNE como uma organização de fachada que atuava no meio estudantil de acordo com o interesses políticos dos comunistas brasileiros. Um deles, o arquiteto Marcos Jaimovich, assessor de Oscar Niemeyer na construção de Brasília e membro do Partido Comunista Brasileiro, havia sido flagrado pela polícia, em seu apartamento, no Rio de Janeiro, com vários documentos que revelavam a ligação da instituição com a atividade de estrangeiros ilegais no Brasil. Tudo ocorre alguns dias após a cassação de Jango pelo Congresso Nacional, em 1964.

Marcos era conhecido como o “cérebro da comunização” na UNE, distribuindo os milhões de dólares que patrocinavam ilegalmente as atividades políticas do grupo.

O governo militar, após ter assumido o poder, ao ver a extensão da contaminação na UNE, se viu na obrigação de retirar dela o monopólio da representação estudantil criada por Vargas.

Durante todo o regime militar, a UNE deixou de exercer com exclusividade esse papel, não tendo mais os diretórios acadêmicos a obrigação de associação à entidade. Anos mais tarde, com a redemocratização, José Sarney, eleito Presidente da República pelo colégio eleitoral em janeiro de 1985, devolve à UNE o seu monopólio de representação da classe dos estudantes, com a edição da Lei  7.395, de 31 de outubro de 1985.

Hoje, em 2016, os deputados que assinam a petição de abertura de uma CPI na Câmara para investigar a UNE têm de ter a ciência de que estão mirando nos menores crimes da instituição. Além de Stalin, Mao Tse Dong, Fidel Castro, a UNE pode dizer com orgulho ter como patronos o ditador Getúlio Vargas e o ex-presidente José Sarney, os verdadeiros responsáveis por garantir a sua existência até os dias de hoje.

Diário da Noite de 25 de abril de 1964

UNE recebia como “ajuda” quase 1 bilião de cruzeiros por ano

RIO, 24 (SUCURSAL) — UM INDIVÍDUO DE NACIONALIDADE ESTRANGEIRA, CUJA IDENTIDADE ESTÁ SENDO MANTIDA SOB O MAIOR SIGILO PELAS AUTORIDADES, ESTÁ SENDO PROCURADO PELA POLÍCIA CARIOCA E POR AGENTES DO CONSELHO DE SEGURANÇA NACIONAL. COM A FINALIDADE DE PRENDER O REFERIDO ELEMENTO, INÚMERAS DILIGÊNCIAS VÊM SENDO EFETUADAS PELAS AUTORIDADES DESDE A SEMANA PASSADA, AS QUAIS NÃO LOGRARAM ÊXITO ATÉ O MOMENTO.

Embora o assunto esteja sendo mantido sob o maior mistério, sabe-se que o individuo procurado foi arrolado como suspeito devido às suas relações com os nove chineses presos e com o espião Marcos Yamovits [Jaimovich], também preso pelas autoridades. A própria nacionalidade do misterioso personagem não foi ainda revelada pelas autoridades, existindo suspeitas, contudo, de que seja russo e que estava no Brasil como “representante cultural” da União Soviética. Quase um bilião de cruzeiros era quanto a União Nacional dos Estudantes recebia anualmente como “ajuda”, do Ministério da Educação, da SUPRA [Superintendência de Política Agrária, criada por João Goulart], da Petrobrás e da “Prensa Latina” [principal agência de notícias estatal de Cuba], sendo que esta entrava com 14,4 milhões de cruzeiros, sacados contra o Banco Internacional de Havana. A documentação que comprova estas operações foi encaminhada pela Secretaria da Segurança da Guanabara à junta processante do Comando Revolucionário, que dentro das próximas horas deverá receber também a relativa, à radio Mayring Veiga [controlada por Leonel Brizola], Faculdade Nacional de Filosofia, do semanário “Novos Rumos”, do Partido Comunista Brasileiro, da Legação da Hungria e dos deputados Hercules Correia e Licio Hauer. As autoridades já estabeleceram concretamente a “função” de Marcos Yamovits no processo subversivo do país. Yamovits era encarregado de aliciar estudantes para participarem de concentrações comunistas dentro e fora do país. O contador do IAPI [Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários], Alberto do Carmo, era o elemento que recebia rublos de Marcos Yamovits para financiar as atividades subversivas dentro dos Instituto de Previdência Social. Nas últimas horas, as autoridades realizaram novas diligências na Guanabara, efetuando algumas prisões e recolhendo grande quantidade de material subversivo. Estiveram na rua General Ribeiro da Costa, 190, apto. 1106, para prender o sr. Plinio Ferreira Crux, o qual não foi encontrado. Na rua Barão de Ipanema, 94, casa 1, apto. 12, as autoridades não encontraram Maria Alexandrina Ribeiro Paca. Uma estação de rádio clandestina foi procurada na rua Conselheiro Lafaiete, mas não foi localizada. Osmildo Staford da Silva, foi procurado na rua Constante Ramos, em Copacabana, mas se encontra desaparecido.

Na Rua Anibal de Mendonça, todavia, as autoridades da “DOPS” prenderam Mario de Carvalho Pires Ribeiro e seu irmão Bernardo, este último comissário da “DOPS” do Estado do Rio. Também três funcionários do DNER, engenheiro Carlos Ludgero de Azevedo e sua esposa, Sebastiana Paula Azevedo, a engenheira Cleri Teixeira de Freitas, foram presos pela Policia. Os delegados cubanos exilados no Brasil já receberam da Polícia as bandeiras cubanas apreendidas em poder dos comunistas brasileiros, uma dessas bandeiras vai ser entregue ao presidente Castelo Branco, como  homenagem do povo oprimido pelo regime de Fidel Castro e dos exilados. Desejam que o Brasil democrático de hoje seja depositado do pavilhão de Cuba, para que um dia, quando a liberdade for restaurada naquela ilha, o povo cubano possa dizer que “o Brasil resgatou a primeira bandeira cubana das mãos do comunismo internacional”.

Passado mais de um ano das operações que flagraram a atividades dos soviéticos através de organizações estudantis, como UNE e UBES, os militares concluem as investigações sobre o recebimento de dinheiro ilegal.

Diário de Notícias de 2 de julho de 1965

IPM PROVOU: UNE AGITAVA COM DÓLARES DA “CORTINA”

União Nacional dos Estudantes recebia subvenção de países comunistas para subverter o meio  estudantil, segundo apurou o IPM [inquérito policial militar] que investiga as atividades daquela organização estudantil e da UBES, com a apreensão de um recibo passado por Marcos Jaimovich e relativo a US$ 50 mil enviados de Praga para a UNE.

Enquanto elementos da «linha dura», LIDER e outras entidades preparam várias manifestações de apreço ao coronel Osnell Martineli para o dia de sua libertação, foi mais uma vez adiada a transmissão da chefia do IPM do ISEB [Instituto Superior de Estudos Brasileiros], já agora marcada para terça ou quarta-feira, revelando-se que o adiamento se deve exclusivamente á necessidade do coronel Pina concluir seu relatório.

GASTOS ASTRONÔMICOS

Fontes categorizadas ligadas ao IPM da UNE e UBES revelaram que as duas entidades estudantis gastavam quantias astronómicas, principalmente com a realização de congressos estudantis e envio de emissários às diversas capitais e cidades do interior. A maior parte das despesas, segundo os recibos em poder das autoridades, revelam que só em passagens de avião eram gastos diariamente milhares de cruzeiros. Outro fato que também vem sendo observado é o da situação dos chamados «estudantes profissionais», Que recebiam polpudas somas de dinheiro para desenvolver as suas atividades.

VÍNCULO

Já foi estabelecido, também, o vínculo da UNE com as UEEs — União Estadual dos Estudantes — em diversos Estados, que recebiam importâncias mensalmente como «ajuda às despesas».

No caso das UEEs, no entanto, as autoridades militares resolveram entregar as investigações às respectivas Regiões Militares, para que os indiciados nos IPMs sejam julgados dentro das áreas da justiça estadual.

Essa descentralização de serviços deu margens para que se noticiasse tempos atrás, na imprensa, que o presidente do inquérito da UNE havia diminuído o número de indiciados logo que assumiu o posto. A verdade, porém, segundo ainda nossas fontes, é que o encarregado do IPM apenas desvinculou os indiciados dos outros Estados da área de sua autoridade o que, consequentemente, reduziu o número de pessoas implicadas na Guanabara.

ISEB

Mais uma vez foi adiada a data da transmissão do cargo da chefia do inquérito policial militar do ISEB. Revelou-se que o adiamento se deve exclusivamente à necessidade do coronel Gérson de Pina concluir o seu relatório, tanto ao chefe do I Exército, como ao seu substituto, coronel Joaquim Portela Ferreira Reis. A transmissão, que deveria ocorrer amanhã., só deverá verificar-se terça ou quarta-feira próximas.

Anunciou-se, hoje, mas sem confirmação, que o coronel Pina iria ouvir em depoimento o ex-deputado Francisco Julião, que se encontra preso na Fortaleza de Santa Cruz. O ex-chefe das Ligas Camponesas deveria ser ouvido amanhã, na sede do IPM, no Palácio da Cultura, onde será levado pelos assessores do coronel Gérson de Pina.

JÁ SÃO 200

O industrial Aurélio Ferreira, Guimarães, principal testemunha de acusação do sr. Hélio de Almeida no inquérito, revelou que seu depoimento já contém mais de 200 folhas datilografas, além de inúmeros documentos que, segundo afirmou, comprovam a improbidade administrativa do ex-ministro da Viação.

«GRUPO DOS ONZE»

O coronel Osneli Martineli está concluindo, no Forte Copacabana, os trabalhos que vem realizando para entregar todas as peças do seu IPM ao coronel Celso Méier, seu substituto.

Sabe-se, também, que está realizando um trabalho idêntico ao do coronel Pina, elaborando um relatório. Esse relatório, no entanto, servirá apenas para que o coronel Celso Méier tome conhecimento de todo o trabalho realizado pelo IPM do «Grupo dos Onze», durante a gestão do presidente da LIDER.

Provavelmente, o cel. Martinelli só passará seu cargo oficialmente no dia de sua liberação, segunda-feira próxima.

TRECHO DO DOCUMENTÁRIO DESINFORMAÇÃO, BASEADO NO LIVRO DO DESERTOR DE MAIS ALTA PATENTE DO SERVIÇO DE INTELIGÊNCIA DO BLOCO SOVIÉTICO, O TENENTE-GENERAL ION MIHAI PACEPA.

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