ArtigosGuilherme G. Villani

Valor Econômico usa Krugman e Keynes para “alertar” P.Guedes sobre futuros erros

Este artigo é um contraponto ao artigo “O risco da repetição de um erro de Dilma” publicado hoje, dia 28/11/2018, pelo jornalista editor-executivo Pedro Cafardo do Valor Econômico.

Por Guilherme G. Villani

O jornalismo parece que ainda não aprendeu nada com a guinada conservadora-liberal escolhida pela população brasileira e COMEMORADA pelo mercado financeiro e investidores da economia real.

No artigo de hoje, o editor-executivo do VE serve de papagaio do discurso esquerdista para imputar erros futuros a nova equipe econômica do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Usa o keynesiano Paul Krugman (notorio defensor das políticas desenvolvimentistas petistas) para defender que o erro de Dilma “…aperto repentino da política monetária e um movimento brusco em direção à austeridade fiscal.” será repetido.

Senhor Cafardo, a crise econômica a partir de 2015 é exatamente o resultado das políticas desenvolvimentistas que o petismo defende: expansionismo fiscal irresponsável e crédito oficial subsidiado dos bancos públicos.

E aliás, o Governo Dilma não tem “um erro” e sim um bananal inteiro de erros que não caberá aqui apontá-los, do contrário eu teria que escrever um livro e não um artigo.

A rigorosa austeridade que o senhor tem medo não afetará em nada o povo. Afetará mamadores de recursos públicos como a mídia tradicional e os artistas da Lei Rouanet, as empresas que vivem às custas do BNDES, corruptos e “gatos gordos” do funcionalismo público, entre eles os 20 mil apadrinhados políticos comissionados.

O senhor Cafardo pede “um pouco mais de humildade” ao time de economistas de Bolsonaro. Mas usa de um esdrúxulo argumento de autoridade “Teriam Paulo Guedes, e seus assessores lido os alertas de Paul Krugman, o economista americano ganhador do Prêmio Nobel de 2008?”

Não sei se leram. Se leram, eu aposto que não deram a mínima. Guedes e equipe seguem a linha de outro Prêmio Nobel, a de F.A. Hayek. Este sim um grande liberal clássico, e o maior opositor da teoria de J.M.Keynes.

Paul Krugman é um amante do petismo e de Keynes. Disse recentemente que Lopez Obrador, o novo presidente do México será como Lula. Boa sorte México…

E o PT ama os dois. O ex-senador Lindbergh Farias chegou a declarar na comissão de impeachment que ali estava se julgando algo análogo ao impeachment de J.M.Keynes.

Lord Keynes provavelmente teria mais caráter que Krugman e desaprovaria veemente as pedaladas fiscais e escândalos de corrupção do PT.

O jornalista ainda tenta ensinar o padre a rezar a missa. Reconhece que o problema do déficit fiscal existe mas que não pode ser combatido a golpes de machado e sim de forma gradual.

Sabe quem tentou o inútil ajuste gradualista e se deu mal? Macri na Argentina.

Não teve a capacidade de sequer privatizar a Aerolíneas Argentinas, entulho público que dá 2 milhões de dólares por dia de prejuízo.  O país continua sofrendo com inflação e crises cambiais.

Por fim, o jornalista lembra que o mercado estima crescimento econômico de 2,5% em 2019 mas como em 1937, de acordo com outro economista keynesiano J.K. Galbraith, os ortodoxos agiam no sentido de reduzir despesas, aumentar impostos e equilibrar o orçamento federal, mas a medida que o orçamento caminhava para o equilíbrio, a recuperação parava. Então houve o horrível colapso.

Ora, o prolongamento da crise de 1929 é resultado de inúmeras intervenções que nunca um liberal clássico se proporia a fazer. Entre elas controle de salários, barreiras comerciais que aumentaram preços das importações e reduziram as exportações, taxas de juros reais enormes em um ambiente de deflação e redução da capacidade dos bancos emprestarem via regulação.

Aliás, Guedes foi um crítico da política econômica de FHC que fez exatamente isto: aumento da carga tributária e taxas de juros elevadíssimas que aumentaram brutalmente a dívida pública. Tudo em nome de um populismo cambial repetido pelo governo petista às custas da perda de competitividade do país.

Sugiro ao leitor e ao Pedro Cafardo seguir a sua recomendação e aprender um pouco mais com a humildade de F.A. Haeyk.

“A curiosa tarefa da economia é demonstrar aos homens o quão pouco eles realmente sabem sobre o que imaginam que podem projetar.” – F. A. Hayek

Relembrar é viver

Pouco antes da crise do subprime de 2008, o governo petista trocou todos os integrantes da equipe econômica que vinha promovendo importantes reformas e políticas públicas positivas. Entre eles: Joaquim Levy, Marcos Lisboa e Ricardo Henriques.

O que se viu a partir da substituição completa da equipe – com a chegada dos keynesianos desenvolvimentistas Guido Mantega, Arno Augustin, Nelson Barbosa entre outros – foi a implementação por completo de estímulos via crédito subsidiado e isenções fiscais para setores que hoje sabemos que pagavam propinas via Medidas Provisórias. Vide Operação Zelotes da PF.

A ilha da fantasia durou até a eleição de Dilma em 2014 quando todos os erros, pedaladas fiscais, corrupção e gastos astronômicos com elefantes brancos da Copa vieram a tona e o “bombeiro” Joaquim Levy tentou acertar minimamente as contas públicas.

Em junho de 2014 ao estudar o que estava acontecendo no setor de caminhões e implementos rodoviários, tive uma idéia do tamanho do estrago que o Programa de Sustentação do Investimento-PSI do BNDES estava fazendo no setor, e faria em outros.

A partir de 2012 o BNDES emprestava a irrisórios juros de 2,5% a.a. com carência de 2 anos para qualquer pessoa ou empresa comprar caminhões e implementos.

Ao conversar com um vendedor que já estava a 30 anos no mercado, ele me disse que estava vendendo caminhões até para dentistas e farmácias. Relatou que estava acontecendo uma loucura, qualquer um pegava dinheiro no BNDES e comprava, mesmo sem necessidade de uso. O resultado?

Todas as bolhas produzidas por estes mesmos estímulos estouraram na cara da sociedade em 2015. E a pesada conta dos subsídios chegou.

Chega de políticas públicas presunçosas.

“Precisamos de regras estáveis e preços de mercado reais, assim surge a prosperidade e se abrevia a crise. Dê-nos uma chance para que possamos descobrir as formas mais valiosas para servirmos uns aos outros” 

FONTES:

https://www.valor.com.br/brasil/6002813/o-risco-da-repeticao-de-um-erro-de-dilma

http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/12/governo-prorroga-psi-e-anuncia-r-100-bi-em-financiamento-para-2013.html

https://exame.abril.com.br/negocios/volvo-teve-queda-de-64-na-venda-de-caminhoes-em-2015/

http://mercadopopular.org/2015/09/neoliberais-infiltrados/

https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2648

http://mercadopopular.org/2016/04/senador-lindbergh-impeachment-dilma-keynes/

https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2887

http://www.ivancarrino.com/2-millones-de-razones-para-privatizar-aerolineas-argentinas/

https://www.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20181123.pdf

https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2594

http://blog.kanitz.com.br/a-origem-da-crise-mundial/

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12 Comentários

  1. Valeu, Guilherme! Vocês e o Luís Villar dão show aqui no Terça Livre, sempre bons artigos bem escritos. Quanto aos demais……. quem sabe um dia eles melhorem. né?

  2. ótima escrita, bem como, ótimo artigo, apenas uma sugestão: quando citar algo, o que acontece inúmeras vezes no texto, e colocar a fonte, sou forçado a repetir a frase supracitada, acontece várias vezes no texto, tornando o texto seguro quanto a fonte, sugiro: sublinhe a citação e link com a fonte, não deixe a fonte somente no fim do artigo. No retante, apenas elogios. parabéns ao trabalho.

  3. Excelente contraponto ao artigo citado! Só no Terça Livre encontramos isso. Estão todos de parabéns! Continuem assim.

  4. Paul krugman, Nobel prize winner, newspaper columnist and destroyer of nations. Abertura do podcast “contra krugman” apresentado por Tom woods e Bob Murphy. Um podcast só pra apontar os erros de krugman

  5. O artigo é limitadissimo. Lembra a estratégia que Milton Friedman utilizava enquanto aluno para entrar no debate. De tanto provocar, acabou sendo respondido e se tornou uma figura conhecida. Mas era o Friedman, um debatedor brilhante. Duvido que Krugman ou o Keynes – essa turma acredita em psicografia – venham a se coçar e dar ao autor uma resposta a uma quantidade enorme, um bananal de bobagens.

  6. Se você não fosse petista e professor keynesiano da UFRRJ eu até daria alguma bola para o seu comentário Sr. Antônio José Alves Junior.

    Tenho dó dos seus alunos, que nunca ouviram nada diferente das besteiras que deve lecionar. E tenho dó do brasileiro que te paga 19k por mês para reproduzir merda e fazer campanha Lula Livre e para POSTE.

  7. Excelente artigo. Triste saber que a maioria desses “entendidos” em economia acham válidas até hoje as idéias desse economista que tem como principal lema o aumento de gastos públicos…

  8. Caro Guilherme Galvão Villani.
    Mais uma vez podemos identificar a imbecilidade do comportamento esquerdista.
    O Sr. Antônio José Alves Junior fala, fala e fala, mas não diz nada.
    Não contrapõe nenhum argumento, tenta desqualificar apenas com adjetivos e ironias.
    Sei que ele deve ter algum conteúdo em seu discurso. No entanto, um conteúdo facilmente desqualificável através da lógica, senso comum, verdade e pela economia real.
    Como disse e agora repito, mais uma vez podemos identificar a imbecilidade do comportamento esquerdista.

  9. Que o próximo Governo tire a mão pesada do Estado que sufoca o Mercado. Num ecossistema, com a saída da intervenção humana, o meio tende a se recuperar. O mesmo deve acontecer no Mercado, ao serem retiradas as intervenções do Governo.

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