Venezuela, Holodomor e Desarmamento



Por: Juliana Gurgel

Em 2018 fui a um evento organizado para arrecadar alimentos a uma família venezuelana. O evento, em formato de palestra, tinha o teor didático de demonstrar, a partir do testemunho dos imigrantes, como (não) funciona o sistema socialista em um país.

O casal venezuelano começou a conversa mostrando fotos pessoais de quando saíram da Venezuela. As imagens eram deprimentes. O casal da foto, esquálidos e curvados, pouco pareciam com aquelas pessoas coradas à minha frente. Entre um intervalo e outro, a mãe contou – como quem conta uma travessura do filho maroto de 5 anos – que quando chegaram ao Brasil, seus filhos não acreditavam que podiam, cada um, comer uma maçã sozinho.

Como toda lembrança (ainda que recente), as imagens são desorganizadas, mas consigo recriar um dos momentos mais tensos da fala do venezuelano. Ele enfatizava o poder do Estado armado, mencionava a estratégia desarmamentista do governo e lamentava a vulnerabilidade da população.

Devo retroceder e explicar que estas cenas, misto de imagens e relatos, voltaram com força, após assistir ao filme Bitter Harvest (Colheita Amarga, de George Mendeluk, 2018), disponível na internet.

O filme trata do Holodomor, um período em que o comunismo da URSS de Stalin, em um ato de genocídio, condenou milhões de ucranianos a morrer de fome. O Holodomor, – palavra ucraniana que significa “deixar morrer de fome”, “morrer de inanição” – ocorreu entre os anos de 1931 e 1933.

Não existem muitos filmes sobre este período, e isto se deve ao fato deste acontecimento ter sido providencialmente ignorado até a desintegração da União Soviética em 1991. Em 2003 a Rússia assinou uma declaração, confirmando que o genocídio custou de 7 a 10 milhões de vidas ucranianas, um número maior, mas tão ignóbil quanto o Holocausto.

Enquanto os soviéticos detinham alto poder de fogo, os camponeses ucranianos defendiam sua família, sua terra e a própria vida com espadas. A diferença é absurda, e não posso deixar de pensar na desigualdade presente na Venezuela (impossível não lembrar do assassinato ao vivo de Óscar Pérez). Enquanto o governo tem armas, a população tem paus e pedras.

E é neste momento que minha memória dá outro salto temporal. Volto para o Brasil, para os idos de 2005, época do referendo do artigo 35 do Estatuto do Desarmamento (Lei 10826 de 22 de dezembro de 2003): “É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6º desta Lei”. O resultado deste referendo foi 63,94%, rejeitando este artigo, votando não; contra 36,06%, a favor deste artigo, votando sim.

O tema, de superior seriedade, escorregava em credibilidade ao trazer artistas alarmados sobre o perigo de não aprovarem o artigo citado anteriormente. Angélica e Maitê Proença, muito compenetradas, utilizavam de suas familiares figuras junto ao público, para pregarem o perigo do direito de todos os cidadãos terem uma arma. Ainda assim, 63,94% da população, não cedeu à tentação de seus apelos e votou não.

Ou seja, a população brasileira não queria na época e não quer agora, a restrição de poder ela mesma, defender sua própria vida e liberdade, se assim for necessário.

Sobre o tema do desarmamento, vale consultar o livro ‘Mentiram para Mim sobre o Desarmamento’, de Bene Barbosa e Flávio Quintela. Conhecer dados sobre países armamentistas e comparar com os mitos de países desarmamentistas, é um começo necessário.

Livraria Terça Livre: kit promocional com 4 livros que desmascara a narrativa desarmamentista.

Sobre o Colunista

Juliana Gurgel

Juliana Gurgel

Católica, produtora, doutora em artes da cena, professora e aikidoista.

15 Comentários

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  • Que estranho! Eu acho que a primeira coisa a relatar em uma campanha de doação de comida é que as pessoas estão PASSANDO FOME e não que um determinado sistema político funciona ou não. É evento POLÍTICO então. 😉 KKKKKKKKKKKKKKKKKKK! 😀

  • Nossa num é possivel, essa Maria é Uma idiota ou que, você aqui novamente sua parasita, você não sabe ler? Sua cretina, comunistazinha de araque, Venezuelanos dizendo que o comunismo não funciona, sua ameba ambulante, você é paga pela militancia para vir falar asneiras.
    Os filhos puderam comer uma maça inteira finalmente, pois na VENEZUELA nem isso é pode

  • Eu me lembro que a pressão foi grande. Na época eu frequentava as missas de meio dia na Catedral Metropolitana de Vitória (ES) e havia um padre, não lembro o nome, que fazia a mais descarada panfletagem a favor do desarmamento durante a homilia.

  • Grande prova que o comunismo socialismo é uma desgraça. Quero ver um país no mundo que essa tirania dos infernos deu certo…
    O cidadão de bem desarmado , logicamente ficará à mercê do regime comunista.
    Deus abençoe à todos.

  • O padre da igreja disse q as armas geram violência. E cristãos n deveriam usar armas. Pq Jesus condenava a violência e até proibiu Pedro de usar uma espada. Ele disse isso no sermão e o povo lá bateu palmas… aff…. esse padre ficou defendendo Lula dizendo q ele defende os pobres.

  • @DANIEL MANZINI , KKKKKKKK! 😀 O que o faz pensar que eu sou de “Esquerda”? Só porque estou criticando um site com viés de Direita? Eu gosto de criticar os DOIS LADOS ou os dois extremos políticos radicais e estúpidos. É mais fácil você me entender como se eu fosse uma “ALIENÍGENA ANÁRQUICA”. 😉 KKKKKKKKKKKK! 😀

  • O que seria interessante de pesquisar ou descobrir é se esses que estão passando fome ainda apoiam o Maduro e sua Ditadura Comunista e/ou apoiaram ele no passado e se arrependeram. Seria também interessante pesquisar o mesmo com relação àqueles que não estão passando fome. 😉

  • Sou totalmente contra o desarmamento mas, gostei da Maria e da forma que ela pensa e respondeu a crítica! Parabens!

  • Se o Brasil quiser/apoiar o armamento de cidadãos comuns, que assim seja! O problema é se o brasileiro vai ter responsabilidade e/ou “estômago” para ASSUMIR as possíveis CONSEQUÊNCIAS nefastas que a facilidade de adquirirem tais armas podem trazer. Se casos como os massacres da Escola do Realengo (RJ) e Raul Brasil (Suzano – SP) aconteceram, mesmo com a proibição de armas por cidadãos comuns, imaginem só vocês se fosse liberado ou facilitado… 😐

  • Temos que arrancar, eliminar, excluir todos os comunistas da política nacional, esses covardes já mataram demais, na verdade essa bandeira podre tem que ser criminalizada como o nazismo.
    Esquerda nunca mais.