fbpx

Witzel tinha comando da estrutura, diz STJ

 


O ministro do Superior Tribunal de Justiça, Benedito Gonçalves, afirmou que o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, tinha o comando da estrutura que deu suporte a fraudes na saúde do Estado.

Na decisão que autorizou a deflagração da Operação Placebo, da qual o governador foi alvo de ações de busca e apreensão da PF nesta terça-feira (26), o ministro afirma que Witzel mantinha o comando das ações, auxiliado pela esposa, Helena Witzel:

“WW mantinha o comando das ações (auxiliado por HW) tendo seu secretário ES delegado funções a GN, criando-se a estrutura hierárquica que deu suporte aos contratos supostamente fraudulentos”.

Ele usa WW para o governador, HW para Helena Witzel, ES para o ex-secretário de Saúde, Edmar Santos, e GN Gabriell Neves para o ex-subsecretário de Saúde que foi preso no início desse mês.

“Afirmam [os investigadores] a existência de prova robusta de fraude nos processos que levaram à contratação da Iabas para gerir os hospitais de campanha no Rio de Janeiro, tudo com a anuência e comando da cúpula do Executivo”, diz outro trecho da decisão do ministro do STJ.

“Para tanto, informam que foram apresentados orçamentos fraudados para montagem e desmontagem de tendas, instalação de caixas d’água, geradores de energia e pisos para a formação da estrutura dos hospitais de campanha, tudo com o conhecimento do [então] secretário de Saúde. Provas policiais dão conta que os demais orçamentos foram apresentados ao estado para escamotear a fraude na contratação, aparentando uma legalidade inexistente”, acrescenta.

De acordo com o inquérito, que tramita em sigilo, houve ilegalidades no processo de contratação da Iabas, organização contratada para administrar sete dos nove hospitais de campanha.

Diante de atrasos, justiça dá 10 dias para Iabas abrir hospital de campanha no Rio

Para isso, diz a investigação, foram fraudados os valores dos orçamentos de diversos itens do atendimento a vítimas do vírus chinês.

Gonçalves também afirmou que provas provenientes da Justiça Federal no Rio demonstraram “vínculo bastante estreito e suspeito entre a primeira dama do Rio” e as empresas de Mário Peixoto, empresário beneficiado com contratos no governo fluminense.

Ele cita contrato de prestação de serviços entre o escritório de advocacia de Helena Witzel e a DPAD Serviços e Diagnóstico, bem como comprovante de transferência de renda entre as duas empresas.

No e-mail de Alexandre Duarte, apontado como operador de Peixoto, a polícia também encontrou um comprovante de pagamento à esposa de Witzel, de acordo com o ministro.

Leia também: Witzel exonera secretário de Saúde do Rio de Janeiro

Colunistas

Juliana GurgelJuliana Gurgel

Católica, produtora, doutora em artes da cena, professora e aikidoista.

Paulo FernandoPaulo Fernando

Advogado, professor de Direito Constitucional e Eleitoral para concu...

Polibio BragaPolibio Braga

Políbio Braga é um jornalista e escritor brasileiro. Nascido em S...